Treinador Sampaoli dá aula de tática e leva Chile ao título da Copa América

Time chileno tem características ofensivas sem se descuidar da marcação

Treinador Sampaoli dá aula de tática e leva Chile ao título da Copa América

Gente, que treinador ‘bão’ é este argentino Jorge Sampaoli, que levou a seleção chilena ao título inédito da Copa América na tarde-noite deste sábado em Santiago, no Chile, na vitória por 4 a 1 através de cobranças de pênaltis, após empate sem gols no tempo normal e prorrogação.

O baixinho, gordinho e agitado Jorge Sampaoli é realmente diferenciado. ‘Bonzão’. Uma aula de futebol pra esta treinadorzada por aí que parou no tempo e espaço e enrola com aquela conversinha aos menos avisados.

Por que estes rasgados elogios para Sampaoli? Não me recordo de ter visto um treinador ousado, que coloca três jogadores no ataque em final de campeonato, organizar tão bem o seu time para não sofrer contra-ataques.

Nos cento e vinte e poucos minutos da decisão deste sábado da Copa América, o único lance em que os chilenos permitiram contra-ataque perigoso aos argentinos foi aos 46 minutos do segundo tempo, puxado pelo meia Messi, com participação de Lavezzi e Higuaín chegando desequilibrado para a conclusão.

Por que isso? Porque foi adotada postura de três zagueiros no Chile, com o recuo do volante Diaz centralizado, ficando Silva mais à direita e Medel à esquerda.

Se tecnicamente o time chileno ficou devendo mais qualidade no plano ofensivo, o projeto tático impressionou.

MARCAÇÃO NO ATAQUE

Até metade do segundo tempo o Chile marcou saída de bola dos defensores da Argentina, obrigando que fosse rifada na maioria das vezes. Logo, isso implicou em retomada dos chilenos.

Sabiamente Sampaoli detectou que o irregular lateral-esquerdo argentino Rojo erra bastante com a bola nos pés e propositalmente o deixou livre para receber a bola e posteriormente se beneficiar daqueles erros.

Isso é pensado. É coisa de treinador inteligente.

Sampaoli consegue extrair de um meia habilidoso como Aránguiz que também execute a função de marcador.

Alô meias ‘posudos’ que só querem jogar com a bola nos pés: Aránguiz faz isso e muito mais. Como autêntico jogador moderno ‘morde’ pra valer. Até ‘tromba’ com adversários, se necessário.

No time montado por Sampaoli meias marcam. São coadjuvantes dos volantes. E volantes têm que saber passar a bola.

Isso provoca compactação no meio de campo, visto que o time chileno joga com dois alas: Isla pela direita e Beauseajour pela esquerda.

Assim, com a ‘meiúca’ bem povoada, a pegada é forte já na chamada linha média avançada, o que possibilita recuperação rápida da bola.

Claro que para colocar em prática este esquema tático, é imprescindível que os zagueiros tenham posicionamento mais adiantado. É aí que entra o acertado processo de escolha de jogadores velozes para a posição.

A polivalência de Diaz permite que o Chile se organize com três zagueiros quando atacado e ganhe um volante organizador de saída de bola, visto que Diaz tem esta capacidade.

Este processo tático foi bem trabalhado e é uma aula pra treinadorzada brasileira que não corrige a lentidão de saída de bola da zagueirada por aí.

Portanto, até chegar às imediações da área adversária o Chile foi muito bem. Daí pra frente surpreendente o bom jogador Sanchez ficou devendo melhor rendimento e Vargas, bem marcado, geralmente é anulado.

Também faltou mais penetração de Valdívia que reclamou da substituição, mas o time teve ganho com a entrada de Fernández no lugar dele.

E A ARGENTINA?

Inquestionavelmente a Argentina conta com um miolo de zaga qualificado com Demichelis e Otamendi. O lateral-direito Zabaleta tem boa recuperação, e à frente da zaga Mascherano tanto marca bem como sabe passar corretamente a bola.

Aí, o sábio Jorge Sampaoli, do Chile, exigiu que Mascherano fosse bem marcado para que assim a bola não chegasse bem trabalhada no meia Messi.

Claro que Messi também não se mexeu de forma suficiente para escapar da forte vigilância.

Com Messi apagado e o atacante Di Maria contundido ainda no primeiro tempo, a Argentina perdeu o seu poder de fogo, visto que o centroavante Aguero é sempre anulado quando bem vigiado.

TÍTULO MERECIDO

Por fim, o futebol organizado do Chile foi premiado com a conquista do título na definição através dos pênaltis, visto que até isso foi bem trabalhado.

Observem que exceto o preciosismo de Sanchez na última cobrança dos chilenos, com a tal cavadinha no centro da meta, os demais companheiros dele ‘sentaram o pé’ na bola, justamente para não dar tempo ao goleiro argentino Romero praticar defesa.