Juíza anula leilão do Brinco e Guarani encaminha venda para Magnum
Decisão saiu na tarde desta terça-feira, em Campinas
Decisão saiu na tarde desta terça-feira, em Campinas
Campinas, SP, 07 (AFI) – A Magnum está muito próxima de confirmar a compra do Estádio Brinco de Ouro, em Campinas. Na tarde desta terça-feira, a juíza Ana Claudia Torres Vianna, titular da 6ª Vara do Trabalho, diretora do Fórum Trabalhista de Campinas e responsável pelo Núcleo de Execução da Justiça do Trabalho, anulou a arrematação do estádio feita pelo Grupo Zaffari, dona da construtora Maxion, no último dia 30 de março e deixou o caminho livre para que a parceira do Bugre acerte a compra do local como entidade particular.
“O Guarani tem um novo futuro. Terá um novo time, um novo CT e um novo estádio, primeiro que muita gente por aí. Estamos comemorando, fizemos uma oração, cantamos o hino com todo mundo que estava na luta diária pelo clube. É o momento de uma nova fase para o Guarani”, comentou o presidente Horley Senna.
Uma reunião na Justiça do Trabalho selou a anulação da venda do Brinco de Ouro para a Magnum. A principal novidade da decisão é a retirada da Magnum do polo passivo das ações trabalhistas. A carta de alienação particular, no entanto, será expedida, apenas, após “à garantia integral de satisfação dos processos trabalhistas em curso, seja com o pagamento integral daqueles que já contam com trânsito em julgado, seja com a garantia para pagamento das ações em curso pelos valores mensais devidos ao clube”
“Com essa decisão, essa Juíza tem a sincera intenção de ver os trabalhadores receberem os seus direitos, de forma mais rápida possível e igualmente encontrar uma maneira que o Guarani Futebol Clube, uma associação dita sem fins lucrativos, possa preservar a sua existência, sua história e reencontrar um caminho de existência jurídica e econômica que de uma vez por todas não passe pelos erros do passado e permita à comunidade campineira, principalmente os mais jovens, tenham orgulho de uma de suas mais importantes instituições”, comunicou a juíza, em decisão
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A Maxion Empreendimentos deverá recorrer da decisão. Anteriormente, a construtora já havia declarado que iria até as últimas consequências para ficar com o Brinco de Ouro, pois acreditam que o valor de R$ 105 milhões (arrematado em leilão) foi oferecido de forma transparente e dentro da legalidade.
“Vou conversar com a Maxion, mostrar que é opção do Guarani. Eles estão no direito dele, mas mostrarei a situação que passamos nos últimos meses, o tamanho do Guarani e a importância dele para a cidade de Campinas. Queremos evitar os problemas”, completou o dirigente.

O departamento jurídico alviverde havia entrado com um pedido de embargo logo depois da juíza ter “batido o martelo” em favor da Maxion Empreendimentos Imobiliários no leilão e o caso se estendeu. Com as ameaças e travar a venda, o presidente do Bugre, Horley Senna, e empresário Roberto Graziano, dono da Magnum, apresentaram aos juízes Ana Cláudia Torres Viana e Carlos Eduardo Oliveira Dias uma proposta para quitar as dívidas trabalhistas e ter posse novamente do estádio.
A oferta bugrina, que conta com condicionantes e precisaria ser aprovada pela Prefeitura de Campinas, gira em torno de R$ 81 milhões – sendo R$ 21 milhões à vista e mais 44 parcelas de R$ 350 mil, além dos R$ 44,5 milhões que estão presos na Justiça Federal devido ao leilão realizado no dia 27 de novembro, quando a Magnum, a pedido de Horley Senna, arrematou o Brinco de Ouro da Princesa.
As propostas foram apresentadas aos conselheiros do Bugre e os sócios votaram em favor do Grupo Magnum. Sendo assim, a empresa comandada por Roberto Graziano se reuniu novamente com a Justiça do Trabalho e apresentou um plano de pagamento aos credores. As dívidas executadas giram em torno de R$ 60 milhões. O acordo feito é que os credores que tem direito a R$ 100 mil receberão 100% dos direitos, enquanto os que têm dívidas acima de R$ 100 mil embolsarão 90% das dívidas. O pagamento acontecerá após a decisão sobre qual empresa ficará com o estádio.
O dinheiro para o pagamento será adiantado pelo Magnum e, posteriormente, descontado do 14% do Valor Geral da Venda (VGV) que a empresa destinaria ao Bugre após a venda do Estádio Brinco de Ouro e construção dos novos investimentos imobiliários no local, descartando o shopping e o hotel..Não há um valor concreto. A previsão é que o VGV possa chega a R$ 2,3 bilhões, mas não há garantias. Vale lembrar que a Justiça congelou 46 milhões da MMG após anulação de leilão em novembro do ano passado.

Vale lembrar que além destes R$ 105 milhões da Maxion, outros R$ 45 milhões da Magnum foram bloqueados pela Justiça do Trabalho. Isso porque anteriormente a juíza Ana Claudia havia decidido que Guarani e Magnum formaram grupo econômico para administrar o futebol do clube. Ação que só atrasou os andamentos processuais.
BOM OU RUIM ?
A grande questão é se com tudo isso o Guarani se beneficiará, já que o Magnum tem contra si a falta de credibilidade. Já que algumas vezes se mostrou parceiro do e em outras ‘virou as costas’ para o Bugre. Uma prova disso foi no Campeonato Paulista da Série A2, transparecendo de forma deliberada que o grupo não queria o acesso à Primeira Divisão, a ponto de colocar como responsável de futebol bugrino seu funcionário Lucas Andrino Chirico, descompromissado com tal feito.
Mesmo com o maior orçamento da Série A2, o Guarani ficou apenas na oitava posição. Embora o presidente Horley e o restante da diretoria tenham confiança na proposta da Magnum, as atitudes do grupo geram desconfiança do torcedor, pois em outras ocasiões e com compromissos assumidos, a empresa furtou-se de ajudar a equipe campineira.
Por outro lado, com a decisão a juíza deverá cumprir o que combinou com os credores dos processos trabalhistas. Fazendo com que aja a alienação particular e com isso o Guarani fará o negocio na forma e no molde que a Magnum deseja.
RELEMBRE
No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion de R$ 105 milhões, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.
O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.
No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.
A empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utiliza o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.
O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.
No início do mês de abril, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município. A proposta acabou rejeitada pela juíza Ana Cláudia.





































































































































