Ei, me dá um dinheiro aí. Ei, Uma esmolinha pelo amor de Deus

Ei, me dá um dinheiro aí. Ei, Uma esmolinha pelo amor de Deus

Ei, me dá um dinheiro aí. Ei, Uma esmolinha pelo amor de Deus

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Se Estanislau Ponte Preta – seu nome era Sergio Porto – estivesse aqui seria barbada fazer coluna de humor nos jornais em que escrevia. Não só pela poluição na política, aonde pululam ladrões de toda a espécie nesta República Federativa da Corrupção, bem como no meio do futebol, aonde transitam proxenetas dos mais variados matizes.

Todo o dia surge uma novidade. A mais absurda foi o pedido do procurador de Neymar, seu próprio pai, ao reivindicar mais 10% de comissão na sua transferência para o Barcelona. Nem bem esclarecida, até agora, a laundry (lavanderia de dinheiro), em sua transferência e o Santos, salvo melhor juízo, vai ter que desembolsar mais dinheiro nessa macabra, para não dizer desonesta, de sua transferência para o Barcelona.

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Não se discute aqui os direitos que o pai de Neymar tem, até porque se existe uma cláusula contratual de comissionamento na transferência, é legal. Ponto final. Só que nem tudo que é legal é moral.

Neymar e o pai tem culpa disso? Claro que não. Culpados são os péssimos gestores do Santos, que fizeram um negócio com impressões digitais e com cheiro de negociata.

Não é preciso ir longe para entender o absurdo cometido contra o Santos. A Lei Pelé – êta leizinha mequetrefe que pune o formador de craques e beneficia os empresários e outros arrivistas do futebol – permite que um jogador assine por 3 anos e antes do término do contrato – seis meses – ele pode apresentar uma proposta de um outro clube – e pedir sua liberação na justiça.

Todo mundo sabia disso e aí armaram uma jogada temerária:

1 – Fizeram um acerto de contrato com Neymar e seu pai, pois entendiam que com ele, o Santos ganharia o título mundial contra o Barcelona e com o Brasil ganharia a Copa aqui. Neymar seria super valorizado, o dinheiro jorraria aos borbotões e todos viveriam felizes na paróquia das praias.

2 – Não deu certo, até porque um desses economistas de araque disse que previsão do Brasil só deve ser feita no passado. No futuro, o risco de desmoralização é grande.

3 – Mas, para isso, era preciso criar um clima, uma bolha de apoio a esse plano maquiavélico. A mídia, cheia de nefelibatas, comprou a jogada, apoiou. Deu no que deu. Nem título mundial do Santos, nem Copa do Mundo.

Neymar foi embora e, apesar de tudo, continua sendo o melhor multinacional do Brasil, mas agora muita gente vai ter que se explicar com os homens de capa preta (Justiça).

Sandro Rosell, ex-parceiro de Ricardo Teixeira, e processado na Espanha

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4 – Quem gastou por conta pode ter que devolver. A Receita Federal, esse leão de dentes afiados, quer o seu filé. Além disso, o Ministério Público quer o CPF de todos os que participaram da lavanderia. Neymar também vai ter que se explicar. Na Espanha, o presidente do Barça, o tal de Rosel, sócio de Ricardo Teixeira, já dançou. O atual presidente do Barça está sendo processado.

O clã Neymar quer receber os 10% da opção de venda que seu pai tinha. O percentual será sobre os 17 milhões de euros que o Santos recebeu ou sobre o valor verdadeiro da transação, que será conhecido futuramente?

O único jornal que deu uma notícia aproximada da venda de Neymar foi o Diário de São Paulo, na época de propriedade de J. Havilla, delator dos corruptos da FIFA ao FBI. O valor revelado foi de 57 milhões de euros. Multipliquem isso por 3, valor do euro, e teremos mais de 170 milhões de reais.

Essa história vai longe porque o empresário Delcyr Sonda levou um chapéu como sócio do negócio. A dupla Laor-Odilio, que mandava no Santos, também têm muita coisa a explicar.

Modesto Roma está com prejuízo de R$ 40 milhões

Modesto Roma está com prejuízo de R$ 40 milhões

Outro dia, Modesto Roma, o presidente do Santos, se lamentava:

“Tenho que pagar 60 milhões de salários atrasados; mais direitos de Arena, imagem e débitos trabalhistas, mais 60 milhões. No meu orçamento faltam ainda 40 milhões até dezembro”.

Pois é, meu caro Roma: do jeito que o Santos está, é pedir uma esmolinha pelo amor de Deus. Mas os autores dessa história devem estar rindo. Até aqueles babaquaras que adoram sair atrás dos trios elétricos das ilusões e mentiras, que existem no futebol, ótimas para Estanilau Ponte Preta para desmistificar a turma do oba-oba.

O pessoal vai passar na Vila e gritar:

Ei, me dá um dinheiro aí!

Só falta responder assim:

ei, uma esmolinha pelo amor de Deus!

É, o Santos tinha um diamante, perdeu-o por jogada suja e incompetência. Restaram alguns cascalhos que não interessam nem à Vale do Rio Doce.