Pressão, comparação, rebaixamento e Sul-Americana: os desafios de Doriva na Ponte Preta

Novo técnico chega falando de otimismo e orgulho, mas terá muitos desafios no comando da Macaca

A Ponte Preta não demorou sequer 24 horas para anunciar um novo treinador. Após demitir Guto Ferreira na noite de segunda-feira, o clube já acertou todos os detalhes e apresentou

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Campinas, SP, 05 (AFI) – A Ponte Preta não demorou sequer 24 horas para anunciar um novo treinador. Após demitir Guto Ferreira na noite de segunda-feira, o clube já acertou todos os detalhes e apresentou Doriva na tarde de terça, apostando que a mudança na comissão técnica traga de volta o futebol que chegou a colocar o clube no G4 do Campeonato Brasileiro. O novo comandante pontepretano, porém, não terá vida fácil na Macaca. São muitos desafios que envolvem torcida, diretoria, calendário e competições.

Doriva chegou animado na Ponte Preta, mas terá muitos desafios pela frente

Doriva chegou animado na Ponte Preta, mas terá muitos desafios pela frente

Em sua apresentação, Doriva falou de orgulho em trabalhar na Ponte Preta e dos objetivos de não correr riscos de rebaixamento. A imprensa, entretanto, insistiu em citar os títulos estaduais conquistados pelo treinador nos últimos dois anos e nos fracassos que ele teve nas duas oportunidades no Brasileirão: Vasco em 2015 e Atlético-PR. Nas duas vezes, ele foi demitido com os times na zona de degola.

RISCO DE REBAIXAMENTO
Doriva assume a Ponte Preta com 16 jogos já realizados. Depois de frequentar e namorar o G4, a Macaca não vence há sete partidas e já ocupa a 13ª posição, com 19 pontos, cinco a mais que o Goiás, primeiro na zona de rebaixamento. O torcedor tem calafrios só de pensar em um retorno à Série B.

Logo no início de seu trabalho, Doriva já será cobrado por vitórias, única forma de tirar a Ponte Preta de um patamar perigoso, para uma posição mais cômoda na classificação e não é para daqui a pouco, há pressa nisso.

PRESSÃO DA TORCIDA
Por mais que seja um clube do interior, a Ponte Preta tem uma torcida única, ou seja, adeptos apaixonados, que não consideram a Macaca o time da cidade, mas sim o seu clube do coração. Todo técnico que chega ao Moisés Lucarelli demora para perceber que comandá-la é tão complicado, em termos de pressão, quanto qualquer clube grande.

Torcida da Ponte Preta costuma cobrar resultados

Torcida da Ponte Preta costuma cobrar resultados

Para piorar, Doriva não teve uma recepção calorosa dos pontepretanos. A maioria preferia a manutenção de Guto Ferreira ou técnicos que já trabalharam no clube, como Jorginho e Gilson Kleina. Até o experiente René Simões tinha aval do torcedor maior do que o treinador contratado.

No ano passado, a Ponte Preta chegou a contratar Ricardinho, ex-meia de Corinthians e Seleção Brasileira, como treinador e após diversos protestos nas redes sociais, mudou de ideia e trouxe Guto Ferreira.

Se os resultados não aparecerem de início, as pressões e críticas do torcedor serão grandes e Doriva não deve ser perdoado.

A SUL-AMERICANA
Sérgio Carnielli, presidente de honra da Ponte Preta, tem pavor só de ouvir o nome da competição continental. Em 2013, a Macaca chegou até a final contra o Lanús, mas para isso deixou o Brasileirão de lado e acabou rebaixada para a Série B, gerando um rombo financeiro para o ano seguinte. Guto Ferreira até tentou, mas não conseguiu classificar a Ponte Preta para as oitavas de final da Copa do Brasil e, assim, o clube campineiro garantiu vaga na Sul-Americana.

Sul-Americana: possibilidade de título atrapalha luta contra o rebaixamento?

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Doriva terá que administrar os ânimos da diretoria e dos torcedores ao mesmo tempo. Enquanto alguns dirigentes defendem que a Ponte Preta deve entrar com um time paralelo na competição continental e focar todas as suas atenções no Brasileirão, a torcida acredita que a Sul-Americana é uma oportunidade única de conquistar o tão sonhado título.

O discurso do novo técnico da Ponte Preta é de administrar a Ponte Preta em duas competições, mas uma eliminação já no primeiro duelo contra a Chapecoense pode instaurar uma crise.

COMPARAÇÃO COM GUTO FERREIRA
Qualquer comparação não é justa, mas ela sempre aparece no futebol. Assim como o trabalho de Guto Ferreira foi comparado ao de Jorginho em 2013, o de Doriva também será avaliado tomando o de seu antecessor como parâmetro.

Guto Ferreira deixou frutos na Ponte Preta. Recusou propostas de clubes importantes do Brasil, como o Santos e até salários milionários no exterior acreditando no planejamento pontepretano, criando assim uma espécie de amizade com os torcedores.

A boa relação de Guto Ferreira com o torcedor pontepretano lhe rendeu o título de cidadão campineiro

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Doriva fez algo parecido no Vasco, recusando uma proposta do Grêmio para seguir no time carioca, mas antes de chegar ao clube da colina, deixou o Botafogo-SP antes mesmo do início do Paulistão.

Mais do que isso, o antecessor de Doriva trouxe a Ponte Preta de volta para a Série A do Campeonato Brasileiro e fez uma campanha de encher os olhos no último Campeonato Paulista, vencendo Palmeiras e jogando de igual para igual com o Corinthians nas quartas de final.

HISTÓRICO VITORIOSO
O novo comandante da Ponte Preta iniciou a carreira de treinador em 2013, mas já possui dois títulos estaduais – Paulista como Ituano e Carioca com o Vasco – o que aumenta a expectativa em um bom trabalho.

Doriva é bicampeão estadual

Doriva é bicampeão estadual

Assim como Guto Ferreira, Doriva se encaixa no grupo de novos e promissores técnicos do futebol brasileiro, mas justamente na Série A, principal competição nacional, ainda não encaixou uma grande campanha.

Comandou o Atlético-PR em 2014, disputando oito partidas e saindo com três vitórias, dois empates e três derrotas. Na época, o Furacão estava na 17ª posição do Brasileirão, portanto na zona de rebaixamento.

Neste ano, ele entrou na Série A bem cotado após o título carioca com o Vasco, mas com um elenco fraco, não conseguiu ir bem, sendo demitido na oitava rodada, com apenas uma vitória.

Renato Cajá saiu e Ponte Preta não venceu mais no Brasileirão

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SAÍDA DE JOGADORES
O trabalho de Guto Ferreira foi prejudicado com a saída de jogadores importantes para outros times. Desde que Renato Cajá deixou a Ponte Preta para atuar nos Emirados Árabes Unidos, a Macaca não venceu no Brasileirão e Doriva terá que conviver com estas incertezas.

Jogadores titulares, como Rodinei e Pablo estão com propostas para atuar fora do Brasil e podem sair nos próximos dias. Mais do que buscar peças de reposição, Doriva ainda terá que fazer jogadores contratados por indicações do ex-técnico se encaixarem no time, casos dos meias Bady e Felipe e do lateral-esquerdo Jefferson Recife.