Itaquerão : Meu estádio, Minha Casa e Minha Dívida ( impagável )

O Itaquerão, neste momento de crise, está na pauta de preocupações, pois não é fácil pagar esse estádio. São cinco milhões de reais, mensalmente

E não se pode fazer uma mistura de números na tentativa de justificar o que pode deixar de ser feito ou, por um planejamento inadequado trazer consequências para uma instituição

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“ Dívida não é problema. Todas as grandes empresas devem. Uma delas, a Votorantim deve 5 bilhões “, disse Andrés Sanches num programa de televisão quando se discutia o financiamento do Itaquerão. Claro que dever não é crime. Nem sei se aquele número de 5 bi da Votorantim era real. Sei , isto sim, que a Votorantim, um patrimônio construído por um patriota como Antônio Ermírio de Moraes – que sempre ajudou o futebol, além de outras instituições – e honrou seus compromissos e os brasileiros devem muito a essa família de empreendedores como Antônio Pereira Inácio, e seus descendentes, só para citar alguns, como o senador José Ermírio de Moraes, Antônio Ermírio de Moraes, José Ermírio de Moraes Filho e outros.

Itaquerão completo só em maquete

Itaquerão completo só em maquete

Voltemos à questão do Itaquerão. Projeto é uma coisa, realizá-lo é outra, bem diferente. E não se pode fazer uma mistura de números na tentativa de justificar o que pode deixar de ser feito ou, por um planejamento inadequado trazer consequências para uma instituição e para a sociedade.

O Itaquerão, neste momento de crise, está na pauta de preocupações, pois não é fácil pagar esse estádio. São cinco milhões de reais, mensalmente. O caixa do clube está baixo e pagar as mensalidades será um desafio. O fundo que administra os recursos e paga, pois é o agente que participa das negociações com o banco repassador dos 400 milhões, junto ao BNDES, viu a luz vermelha acender nos painéis do Parque São Jorge e do Itaquerão.

O Corinthians pediu mais 17 meses de carência porque outros estádios conseguiram os 36 meses, previstos nos contratos, para o início de amortização do investimento.

OBRA INACABADA
A construtora não terminou as obras, embora diga que falta muito pouco. Só que até hoje não entregou a obra e, uma alta autoridade municipal, disse que serão necessários mais 50 milhões para terminar tudo. Sem esse término, como ficarão os restaurantes, bares e outros

O Itaquerão ganhou corpo, mas ainda não está terminado e faltam 50 milhões

O Itaquerão ganhou corpo, mas ainda não está terminado e faltam 50 milhões

empreendimentos que gerariam fluxo de caixa para pagar o banco ? Só bilheteria não garante a quitação da dívida. Cadê o naming rights, que renderiam 400 milhões de reais, segundo o presidente da época ? Se chegar esse dinheiro, tudo bem.

E é preciso que chegue logo porque os CIDS – Certificados de Investimento e Desenvolvimento Social – estão micados, venderam uma mixaria – porque o mercado recusou o papel pois ajuizaram uma ação de inconstitucionalidade. Ora, o mercado é seletivo e não compra um papel que depende do fim de uma ação judicial.

Se o prazo de carência for concedido, tudo bem. O fundo e o Corinthians querem mais 17 meses para fazer caixa e voltar a pagar. Só que o contrato da Caixa estabelece uma multa de 3% sobre os valores por atraso de pagamento. No caso seria uma prorrogação, mas banco vive de juros. Isto sem falar que a construtora, dona do fundo, tem um passivo de 77 bilhões por causa desse rolo da Lava Jato.

SEM TRANSPARÊNCIA
Como faltou transparência nas negociações , ninguém sabe os valores reais e a perspectiva futura do retorno à amortização da dívida.

É aquela velha história: o que começa errado termina mal, principalmente quando se constrói um empreendimento, sob o bordão de que na hora agá, Deus ajuda e tudo se resolve.

Itaquerão é a casa do corintiano, mas faltam restaurantes, área de lazer e que renderiam dinheiro

Itaquerão é a casa do corintiano, mas faltam restaurantes, área de lazer e que renderiam dinheiro

Novembro vem aí e se a prorrogação da carência não acontecer, o caixa aguentará até àquele mês ? Depois disso, qual será a solução ? Terminar o estádio, mas e o dinheiro para isso ? E sem o término de todo o projeto, que garantiria receitas, como fazer dinheiro se há subutilização de todo aqueles espaços ?

Os números são preocupantes: esperava-se uma receita de 218 milhões. O faturamento foi de 80 milhões. As despesas previstas seriam de 45 milhões e somaram 68 milhões. Da sobra estimada em 173 milhões, com a operação da arena, restaram só 12 milhões.

O Corinthians deveria reunir o CORI, Conselho Deliberativo e alguns empresários, que não participam da vida do clube, e mostrar a verdade.

COISA DE MARQUETEIROS . . .
Esse é o preço de coisa feita em cima de marquetagens. O Corinthians tem um estádio inacabado, até agora, tem uma dívida monstruosa para pagar, o dinheiro está em falta e ainda poderá ter problemas no Tribunal de Contas do Município, aonde a aprovação do estádio não é pacífica, além da ação de inconstitucionalidade que pode fazer micar de uma vez o lançamento dos CIDS – 400 milhões – dinheiro que está faltando agora.

O prefeito da cidade, por sua vez, nem quis assinar a transferência de uso real do terreno do estádio. Mas esse é o problema que virá lá na frente. Até podem fazer uma minissérie de televisão. Nome sugestivo: meu estádio, minha casa e minha dívida impagável.

Ajuda, São Jorge !