Série B: Atacante do Vitória, Rhayner revela passado no tráfico e fala sobre vício em drogas

O jogador diz ser uma pessoa melhor e que jogar no Leão o salvou de continuar no vicío

O jogador diz ser uma pessoa melhor e que jogar no Leão o salvou de continuar no vicío

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Salvador, BA, 12 (AFI) – Um dos destaques do Vitória no Campeonato Brasileiro da Série B, Rhayner, autor de cinco gols na competição, revelou um passado sombrio, onde confirmou o uso de drogas e apelou para o tráfico para sustentar o vício. O jogador abriu o coração. Em entrevista ao jornal Correio, da Bahia, diz ser um novo homem após sua chegada à salvador, quando se converteu ao evangelismo.

“Eu vendia também, além de usar. Eu vendia pra manter meu vício, vendia mais cocaína. Isso foi antes de eu iniciar minha carreira, eu tinha 16 ou 17 anos. No meu bairro, tinha muito tráfico. Quando eu comecei a jogar, eu larguei. Teve um momento no ano passado que eu tinha largado tudo, mas os problemas na carreira, no próprio Bahia… Eu não tinha a cabeça no lugar e passei um período difícil, fiquei quatro meses sem salário. Isso foi acumulando, acumulando e tive uma recaída pesada que me prejudicou mais do que já estava me prejudicando”, revelou o jogador.

Rhayner largou as drogas e tem feito uma grande temporada pelo Vitória

Rhayner largou as drogas e tem feito uma grande temporada pelo Vitória

“Pra te dizer a verdade, este ano está sendo o diferencial na minha vida, porque é o ano que eu me apeguei, que eu me converti. Até o ano passado, eu ainda tinha envolvimento com droga e isso foi muito complicado. Este ano, no Vitória, eu digo que Salvador realmente me salvou, o nome da cidade diz tudo, porque aqui eu me converti, mudei minhas atitudes, meus pensamentos e, graças a Deus, hoje eu me sinto maduro o suficiente pra discernir bem as coisas e saber o certo e o errado, saber o que eu preciso pra dar continuidade a minha carreira”, completou.

Hoje, o meia vive o seu melhor momento na carreira, desde de sua aparição no Fluminense. O jogador é titular absoluto do técnico Vagner Mancini e vem sendo fundamental na campanha do clube na Série B. O Vitória está muito perto de conquistar o acesso, uma vez que ocupa a vice-liderança, com 55 pontos, a sete do Paysandu, primeiro time fora do G4.

Através do blog de sua esposa, marieldarocha.com.br, o jogador deu o seu testemunho sobre tudo o que aconteceu na sua vida no mundo das drogas.

Confira abaixo!

Com 15 pra 16 anos fui à Belo Horizonte fazer teste, apesar de ter me saído muito bem nos testes no Atlético-MG, eu era muito pequeno e franzino e não cheguei a fazer parte do grupo. De lá, fui fazer teste no América-MG e fui bem também, mas houve alguns problemas envolvendo o empresário que me levou pra lá e o clube, e então, eu acabei dispensado depois de um tempo.

Retornei ao Espírito Santo e depois de alguns meses, já com 16 anos, eu, Lucas e Cristiano recebemos de Toninho a informação de que o empresário havia ligado novamente com a oportunidade de disputarmos o campeonato mineiro sub17, pela equipe do Venda Nova-BH. Era mais uma oportunidade e era meu sonho, não tinha o direito de dizer não! Então, fomos em busca do sonho e, apesar de não ter infra-estrutura boa, nos firmamos e continuamos lá para a disputa do campeonato – os três lutando pelo mesmo sonho!

Fiz um excelente campeonato e no antepenúltimo jogo, com algumas sondagens de equipes maiores, voltou a pesar o meu lado violento/descontrolado. Fui expulso e, para completar, dei um chute no adversário caído. Cumpri um jogo de suspensão e joguei o último – como diz o regulamento. No julgamento acabei pegando 365 dias de suspensão para qualquer campeonato nacional, além do campeonato mineiro. Qual clube em sã consciência contrataria um jogador que acabou de pegar uma suspensão de 1 ano? Nenhum.

Rhayner chegou a ser um dos destaques do Fluminense na Libertadores

Rhayner chegou a ser um dos destaques do Fluminense na Libertadores

Infelizmente, nessa parte da minha vida eu tive meus primeiros passos pro caminho errado. Ainda no Venda Nova treinando, acabei conhecendo a tal “droga que não vicia”: a maconha. Experimentei e gostei da sensação, a falsa impressão de tranquilidade, a falsa impressão de paz. Nada mais que ilusões! Então, acabei me viciando naquela sensação.

Voltei para o ES e continuei nisso, fazendo com que ninguém ficasse sabendo, eu fui mantendo o vício – mesmo que poucas vezes por semana.

Voltei a jogar na escolinha da Aert e logo depois surgiu a oportunidade de ir jogar no Santa Cruz – que é outra grande escolinha do estado, meu amigo Lucas, que citei anteriormente, também foi comigo. Fui muito bem, e mesmo fazendo um monte de besteira extra-campo, continuei me destacando… Até o dia em que fomos fazer um amistoso contra o Vasco, no antigo Vasco Barra, e nós dois fomos selecionados para ficar em observação por lá. Foi a maior felicidade da minha vida(!!), já que quando pequeno, eu, meu irmão e meu pai éramos fanáticos pelo Vasco. Ficamos um bom tempo em observação e depois de muito tempo ele foi integrado ao grupo e eu dispensado. Com o acúmulo de coisas ruins que eu já tinha na cabeça e a vontade de fazer coisas erradas, eu decidi largar o futebol.

Retornei ao ES e o que já fazia de errado, eu fiz pior. Eu precisava de dinheiro pra consumir a minha droga. Quando não tirava do cofre da minha mãe, eu não tinha de onde tirar. As vezes pegava coisas baratas em casa pra vender, coisas que eu achava que não iam fazer falta…
Comecei um estágio na prefeitura de Vitória, na secretaria de transporte, que foi por um bom tempo o que me sustentou. Mas quando comecei a curtir mais, sair mais, ir para os meus bailes funk da vida, que tudo desandou de vez. O dinheiro não era suficiente e eu buscava a saída no tráfico – vendendo drogas pra sustentar o meu vicio, pra sustentar meus bailes, minhas “ cachaçadas”.

Perdi amigos nessa vida e nem assim eu parava. Quantas vezes eu brigava em baile funk, era ameaçado de morte e ficava 15 dias sem nem sair de casa…

Eu vivia nas favelas, me drogando, vivia bêbado, fumava quase uma carteira de cigarro por dia, virava noites e noites, ia treinar sem dormir… Eu sabia que estava perdido, sabia que aquilo não era certo, mas eu gostava daquilo. Gostava de estar na bagunça, de estar perdido, de estar fazendo errado. Até porque, quando a fama vem e você não está preparado e firme com Deus, você quer curtir tudo de uma vez. E você se joga no mundo, sem perguntar pra Deus o que é melhor pra você. Você prefere usufruir do errado.

Essa perdição me rendeu uma lesão e, com a lesão, acabei perdendo espaço. Eu quase não era mais relacionado para os jogos e isso me jogava ainda mais pro mundo da perdição. Até que Deus me enviou minha bênção. Na verdade, Ele tocou no meu coração que ela era a minha bênção, sem nem nos conhecermos – e o tanto que eu enchi o saco dessa digníssima, pra que ela aceitasse me conhecer, não foi pouco, misericórdia!

Conheci minha esposa (Mariel, a própria, dona do blog, mais linda do mundo) através de amigos. Nós nos demos muito bem e, depois que eu a conheci, me acalmei muito com o mundo da perdição. Eu estava quase todos os dias com ela, quase todos os dias a gente ia jantar e ficávamos juntos e era como se a cada vez que eu olhasse pra ela eu pensasse: “É ELA”. Era como se eu soubesse, bem lá no fundo, que ela me tiraria do buraco, que Deus que tinha nos unido com um único objetivo: cumprir seus propósitos!

O meu contrato com o Fluminense acabou e eu não renovei, o que me deixou bem chateado, pois era um clube onde fiz muitos amigos. Além dos jogadores, eu tinha muita proximidade com todos os funcionários do clube, um clube onde a torcida me abraçou e me ajudou na fase mais difícil da minha carreira, um carinho que vou levar pro resto da minha vida, sem duvida alguma. Porém, eu sabia que isso estava acontecendo pelos meus atos, até porque, toda ação gera uma reação. Quem planta mal, colhe mal.