ESPECIAL SÉRIE B: Mogi passa vergonha, Santa Cruz ressurge e Fogão levanta a taça
Com sobras, Fogão foi campeão da Série B pela primeira vez, seguido do Tricolor do Arruda, de volta à elite após nove anos
Com sobras, Fogão foi campeão da Série B pela primeira vez, seguido do Tricolor do Arruda, de volta à elite após nove anos
Campinas, SP, 24 (AFI) – Assim como em 2014, a Série B do Campeonato Brasileiro, conhecida pelo seu equilíbrio e competitividade, teve como campeão um clube gigante do Rio de Janeiro. Rebaixado em 2014 depois de uma sucessão de erros da diretoria e crise política que refletiu em campo, o Botafogo seguiu os passos do rival Vasco, campeão em 2014, foi o mais regular e levantou a taça com sobras.
As outras três vagas ficaram com dois times nordestinos – Santa Cruz e Vitória – e o América-MG, que após bater na trave em outros anos, conseguiu, enfim, voltar à elite do futebol brasileiro. Na parte de baixo da tabela, Macaé, ABC, Boa Esporte e Mogi Mirim fizeram feio e caíram para a Série C.
O Boa, curiosamente, ficou a um ponto de conseguir o acesso em 2014, mas, neste ano, não repetiu o futebol da edição passada e foi rebaixado com antes da última rodada, assim como Mogi e ABC. Apenas o Macaé, que perdeu o confronto direto contra a queda para o Ceará teve seu rebaixamento confirmado na rodada final.
CAMPEÃO COM SOBRAS
A campanha vitoriosa do Botafogo na Série B foi relativamente tranquila. Relativamente porque o time, que começou a competição sob o comando de Renê Simões, passou por alguns percalços. No começo da competição, especialmente, o Fogão oscilou bastante e as atuações irregulares, aliadas à eliminação na 3ª fase da Copa do Brasil para o Figueirense, fizeram com que a diretoria demitisse Renê Simões. Em seu lugar, assumiu Ricardo Gomes, de volta no comando de um clube de futebol após quatro anos fora por conta de problema de saúde.
Apesar da instabilidade, o Glorioso ainda líder, em meados de Julho. Ricardo Gomes, no entanto, teve início turbulento à frente do Alvinegro, e viu seus comandados perderem três partidas de cinco, o que culminou na perda da liderança e na ameaça de deixar o G4, que não se concretizou pelo tropeço dos concorrentes.
A virada para o mês de setembro veio com uma goleada de 4 a 0 sobre o Atlético-GO. O jogo marcou também uma virada na campanha da equipe, que venceria nove dos 12 duelos seguintes. Na vitória sobre o Boa Esporte, pela 23ª rodada, o Botafogo reassume a liderança, a qual não deixaria mais até o final da competição.
Mais confiante e seguro, o Botafogo encaminhou o acesso e o título com grandes vitórias fora de casa diante de Náutico (4 a 1) e Bragantino (4 a 0). Após bater dois dos concorrentes pela briga para voltar à elite, o Fogão carimbou a vaga na Série A na 35ª rodada, no começo de novembro, quando derrotou o Luverdense por 1 a 0 em Lucas do Rio Verde. A festa deveria vir no sábado seguinte, mas uma derrota por 3 a 0 para o Santa Cruz fez a equipe deixar o Engenhão vaiada e o título só foi confirmado na penúltima rodada, com vitória por 2 a 1 sobre o já rebaixado ABC em Brasília, no Mané Garrincha, estádio que dá nome a um dos maiores ídolos do clube.
MARTELOTTE, GRAFITE E A VOLTA À ELITE APÓS 10 ANOS
Assim como no Estadual, a Série B não começou bem para o Santa Cruz. No Rio de Janeiro, perdeu para o Macaé por 2 a 0. E, apesar da vitória sobre o Paraná na rodada seguinte, por 4 a 1, Ricardinho não conseguiu fazer o time jogar. Pouco tempo depois, o treinador que ganhou apenas uma vez, foi demitido e deu lugar a Marcelo Martelotte.
Novo comandante, Marcelo Martelotte estreou no comando tricolor contra o Ceará, em Fortaleza com um empate por 1 a 1. Dias depois da chegada de Marcelo Martelotte, o torcedor do Santa Cruz ganhou um motivo para acreditar numa reação na Segundona: Grafite. O clube anunciou a contratação do centroavante, torcedor confesso do Santa Cruz. Em 8 de agosto, na 17ª rodada da Série B, Grafite estreou no Santa Cruz contra o Botafogo, no jogo importante para se aproximar do G4 e não decepcionou. Marcou o gol da vitória, de cabeça, e o acesso passou a ser um sonho cada vez mais próximo da realidade.
Marcelo Martelotte fez o Santa Cruz reagir, crescer e entrar no G4 na 29ª rodada, após vencer o Bragantino por 3 a 1. O acesso deixava de ser sonho, passava a ser uma meta. Mas a missão ainda era difícil. Após a vitória sobre o Criciúma, o Santa Cruz tinha no jogo contra o Bahia a sua batalha pela sobrevivência. O time mostrou que era composto por jogadores decisivos e venceu de virada, levando o Santa de volta ao G4.
Das batalhas que ainda restavam, uma preocupava. Contra o líder Botafogo, que já tinha conquistado o acesso e buscava o título para coroar a campanha vitoriosa. Sem problemas para o Tricolor. Em sua melhor apresentação que fez na temporada, o Santa Cruz venceu por 3 a 0 e ficou a uma vitória da Série A, que veio com um atropelo diante do já rebaixado Mogi Mirim. De volta à elite depois de 10 anos e festa nas ruas da capital pernambucana da torcida Coral, que ainda viu o time assegura o vice-campeonato, ao vencer o Vitória na última rodada.
COMEÇO CONTURBADO, VAGNER MANCINI ASSUME A BRONCA E ACESSO
O péssimo início de temporada do Vitória fez com que aumentasse a crise no clube e indicasse que a trajetória na Série B não seria das melhores, já que foi eliminado da Copa do Brasil ao empatar em 2 a 2 com o ASA de Arapiraca, novamente no Barradão – a terceira desclassificação com mando de campo no ano, o que levou motivou a demissão do técnico Claudinei Oliveira após 11 partidas disputadas, com cinco derrotas e quatro triunfos. A eliminação, no entanto, serviu de ponto de partida para mudanças, que vieram na hora certa.
Na sexta colocação da Série B, o Vitória anunciou no dia 4 de junho Vagner Mancini como o novo técnico do Leão. Na sua terceira passagem pelo rubro-negro (outras em 2008 e 2009), Mancini chegou na Toca do Leão com a missão de garantir o acesso à elite do futebol brasileiro. Ao final do primeiro turno, no dia 17 de agosto, o Vitória liderava a Série B 2015 e o próprio Mancini admitia que o desempenho dos jogadores era acima do esperado desde que chegou.
A boa fase dentro de campo foi confirmada com o triunfo no segundo Ba-Vi da Série B. Após sair perdendo com um gol relâmpago de Kieza, o Vitória virou o placar com Elton, Vander e Diego Renan e garantiu o triunfo por 3 a 1 com o mando de campo Tricolor. No dia 21 de novembro, mais de 40 mil torcedores lotaram a Arena Fonte Nova para assistir o triunfo do Vitória por 3 a 0 sobre o Luverdense, que garantiu o acesso à Série A do Futebol Brasileiro em 2016.
Na última rodada, o Leão ainda foi derrotado para o Santa Cruz e, assim, perdeu a segunda colocação. Mas não importava, já que, depois de um ano tão turbulento, o clube baiano de volta à elite do futebol brasileiro.
VERGONHA DO INTERIOR
Depois de subir à Série B com muito esforço em 2014, o Mogi Mirim fez feio em 2015 e foi o primeiro clube a ser rebaixado à Série C. O Sapão fez a pior campanha dentre os 20 clubes da Série B, e terminou na lanterna, com apenas 23 pontos. Foram 4 vitórias, 11 empates e incríveis 23 derrotas, o que rendeu um aproveitamento pífio de 20,2%.
A campanha vexatória dentro de campo foi reflexo da péssimo planejamento que a diretoria do Sapão traçou desde o começo do ano. Com uma campanha cheio de erros, os dirigentes apostaram em um ex-jogador que nunca havia treinado um time antes – Edinho, filho de Pelé – não evitaram o desmanche da base que conquistou o acesso em 2014, mexeram demais no elenco, de modo que o time não conseguiu ter o mínimo de entrosamento dentro de campo já que apenas os goleiros permaneceram até o fim, e pouco se esforçaram para trazer o torcedor ao estádio.
Pentacampeão do mundo, Rivaldo, ex-presidente e jogador do clube, também tem muita culpa na fraca campanha do Sapão. Como presidente, montou um elenco fraco, que carecia de peças de qualidades, contratou três técnicos – Edinho, Ailton Silva e Sérgio Guedes. Vendo a tragédia que se desenhava, deixou a aposentadoria de lado e voltou a jogar para tentar evitar a queda do clube do coração. Fez quatro jogos, marcou um gol ao lado do filho, fato histórico que não havia acontecido antes no futebol brasileiro, mas as dores o impediram de continuar e, fora de campo, ele viu o time naufragar.
Anteriormente, o Mogi Mirim tinha chegado à Série C dois anos antes com o acesso na Série D ao lado de Sampaio Correa-MA, Crac-GO e Baraúnas-RN. Nos últimos quatro anos, o Mogi Mirim completa agora um total de cinco equipes paulistas rebaixadas na Série B, inicialmente em 2012, Guarani e Grêmio Barueri, em 2013, Guaratinguetá e São Caetano e no passado, a Portuguesa, sendo que Grêmio Barueri em 2012 e a Portuguesa no ano passado como lanternas.





































































































































