ESPECIAL DA FIFA: Escândalo desmorona principal entidade do futebol
Desvelada em maio, a operação comandada pela Justiça dos Estados Unidos já prendeu grandes autoridades do esporte
Com o término do ano de 2015, também é possível fazer um balanço sobre as mudanças que estão em pauta no futebol mundial, também apelidada como “Escândalo na FIFA”
São Paulo, SP, 01 (AFI) – Com o término do ano de 2015, também é possível fazer um balanço sobre as mudanças que estão em pauta no futebol mundial, também apelidada como “Escândalo na FIFA”. Desvelada em maio, a operação comandada pela Justiça dos Estados Unidos já prendeu grandes autoridades do esporte e vem abalando o dia a dia das Confederações Mundiais.
E tudo começou graças a um pedido da própria FIFA, que contratou Michael Garcia, ex-procurador de justiça norte-americano, para investigar as escolhas das sedes da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar. Com isso, ele produziu um relatório que não foi aceito pela entidade máxima do futebol, mas que chamou a atenção dos Estados Unidos.

Diante dos fatos, a justiça ordenou a prisão de seis dirigentes durante uma reunião da FIFA, na Suíça. Entre eles, José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e que chegou a ser acusado de receber R$ 20 milhões em propinas, o que levou outro brasileiro a prisão: José Hawilla, presidente da empresa Traffic, com quem negociava os direitos de transmissão.
Considerado apenas a ponta do iceberg, J. Hawilla se confessou culpado e prometeu devolver R$ 473 milhões para fazer um acordo com a Justiça Norte-Americana. Na delação premiada, o empresário entregou informações sobre contratos fraudulentos, principalmente sobre a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e com a fornecedora de material esportivo Nike, que patrocina a Seleção Brasileira.

Já eleito “democraticamente”, o antipático Marco Polo Del Nero tomou posse da CBF com a prisão de Marin. Mas o cenário era o mesmo, já que também estava envolvido nas investigações, o ex-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) viu Jack Warner, ex-mandatário da Concacaf, também se entregar a Polícia Norte-Americana se declarando culpado.
E o cerco fechou para cima de Del Nero desde o primeiro dia. Em reunião também em Zurique, na Suíça, o então presidente da CBF fugiu sem nenhuma explicação e voltou para o Brasil às pressas, com medo de também ser preso. Apurando as investigações, descobriram-se também diversos casos de suborno na Copa do Mundo de 2010.

Seguindo a lógica para se tornar um ditador, Joseph Blatter foi reeleito presidente da FIFA poucos dias depois que o escândalo tomou proporções mundiais. Além disso, em meio aos tramites legais, mais um brasileiro foi envolvido no “escândalo”: Ricardo Teixeira, também ex-presidente da CBF, acabou indiciado, o que deixou a entidade frágil e sem nenhum prestígio.
Diante da repercussão, Blatter se sentiu pressionado pelo cargo e convocou novas eleições presidenciais, prometendo deixar o cargo caso perdesse “democraticamente”. Com o abalo, a Polícia aproveitou para fechar o cerco em cima do cartola, em busca de irregularidades, mas, quem caiu foi Gerome Valcke, acusado de pagar propinas para a Concacaf em 2010, na África do Sul.
Até que no dia 10 de junho de 2010, o FBI (Polícia Federal dos Estados Unidos) voltou à sede da FIFA e apreende documentos de alto escalão da entidade. A partir daí, vários membros da entidade foram deixando seus cargos, até que Michel Platini deixou de ser mero expectador e lançou sua candidatura a presidente.
Mas nem mesmo os grandes mandatários do futebol conseguiram passar ileso deste processo. Valcke acabou afastado da entidade, quando ficou comprovado que ele vendia irregularmente os ingressos para a Copa do Mundo. Além dele, a Justiça Suíça abriu um processo para julgar Blatter e Platini por apropriação indébita e má gestão.

Com todos os indícios, a FIFA finalmente se mobilizou internamente e o Comitê de Ética suspendeu todos os envolvidos. Blatter e Platini sofreram as punições mais rígidas e terão que cumprir oito anos longe de qualquer atividade que envolva o futebol. O próximo da lista é Marco Polo Del Nero, que pediu para se afastar da CBF e responder as acusações.
Famoso no estado de São Paulo, o ex-presidente da FPF já tem em seu currículo outros escândalos. De acordo com um jornal Folha de SP, ele chegou a doar mais de um milhão de reais para uma das suas ex-namoradas, além de gastar dinheiro com festas e iates. Ele foi responsável por uma das piores administrações do futebol paulista, deteriorando completamente os clubes do interior.





































































































































