Balanço não é todo verde e contas vermelhas preocupam no Palmeiras

A administração de Paulo Nobre tem números bons a mostrar, mas alguns não escapam à análise de quem quer ver o Palmeiras mais forte

Mas, de qualquer forma, é importante o equilíbrio orçamentário e financeiro, principalmente porque a crise do país não tem data para terminar

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Lá pelos lados do Palestra Itália, o pessoal soltou rojões com a renovação do patrocínio de seu uniforme e com o balanço superavitário, aprovado no COF e no Conselho Deliberativo. Claro que é preciso cautela na análise dos números. Mas, de qualquer forma, é importante o equilíbrio orçamentário e financeiro, principalmente porque a crise do país não tem data para terminar. A administração de Paulo Nobre tem números bons a mostrar, mas alguns não escapam à análise de quem quer ver o Palmeiras cada vez mais forte.

Exageros à parte, renovar o patrocínio foi bom, embora não seja a salvação da lavoura.

Paulo Nobre evitou o Profut que é questionado por vários clubes

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O futebol, embora com escassez de craques, assim mesmo custa muito caro para nossa realidade. Nobre conseguiu fechar o balanço com resultado operacional de R$ 10.907 milhões de reais. Só que as contas são altas e somam no balanço 254 milhões de reais. É preciso fazer renda para enfrentar a situação.

O importante é que a parceria, que esteve ameaçada por divergências dos patrocinados com Nobre, foi ampliada. Perdeu-se o patrocínio do plano de saúde, mas os outros espaços foram ocupados por quem já estava lá.

Alguns números do balanço mostram os pontos positivos e, ao mesmo tempo, certas rubricas são verdadeiros sinais vermelhos para a gestão neste ano de incertezas econômico-financeiras. Lá vão os números:

1 – As receitas do futebol chegaram a 301.049.289 reais enquanto as despesas do futebol profissional e o não profissional bateram em 278.654 mil reais (em dezembro a folha custou mais de 32 milhões) gerando um superávit de mais de 28 milhões. O resultado operacional final do balanço foi demais de 10 milhões de reais. E por que isto aconteceu?

Porque o Palmeiras recebeu o prêmio do título da Copa do Brasil e somou também os 17 milhões da FPF pelo campeonato paulista deste ano. Esses valores passam de 20 milhões, mesmo descontando-se a premiação do título e os impostos que incidem sobre todas as verbas.

Mustafá Contursi contesta Profut, que põe clubes na parece

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2 – A arena, que muita gente achava que seria a mina de ouro do Salomão W. Torre trouxe um resultado pífio ao balanço (esta conta é dos eventos na arena) com receita de pouco mais de 3 milhões de reais, sendo que o clube injetou mais de um milhão e cem mil na manutenção.

3 – Nobre, com o FIDIC – Fundo de Investimentos e Direitos Creditórios, alongou o perfil da dívida, o que desafogou um pouco o caixa, e ele mesmo é credor do clube nos 100 milhões que bancou e já recebeu uma parte, mais ou menos, 10 milhões.

4 – As contas no balanço de dezembro estão assim discriminadas (só registramos as mais importantes e as maiores): títulos a pagar – 43 milhões; instituições financeiras – 50 milhões (sempre números arredondados); direitos de imagem aparecem com duas rubricas no valor aproximado de 82 milhões: rubrica de instituições financeiras (devem ser empréstimos bancários e o FIDIC) – 58 milhões.

Além disso, contas a pagar, obrigações trabalhistas, obrigações tributárias, eternos palestrinos(emprestaram ao clube) perfazem, mais ou menos 20 milhões de reais. O total das contas vermelhas chega a 254 milhões.

O Palmeiras tem dívidas tributárias, mas não fez acordo com Profut. Aliás, esta coluna adiantou bem antes que o Palmeiras não iria aderir àquele parcelamento, até porque o Sindafebol, presidido por Mustafá Contursi, questionou a lei, através de uma ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal.

Paulo Nobre preferiu fazer o FIDIC, cujos juros são lastreados no CDI – Certificados de Depósitos Interbancários, sem mamar nas tetas do governo como preferiu a maioria dos cartolas, com apoio do tal Bom-Senso.

Para fechar é importante ressaltar que o futebol precisa mudar a Lei Pelé, garantir seus ativos – jogadores – e não ficar passando o chapéu com o dinheiro que é do povo. O balanço do Palmeiras está meio azul, mas as contas vermelhas preocupam. E muito.

P I X U L E C O S

1 – Agora, não dá para entender mais nada. O TST, através de seu ministro Ives Gandra Martins Filho – próximo presidente daquela corte – acordou com o Santos e o advogado de Leandro Damião o seguinte: o clube pagará ao jogador 4 milhões de reais em 40 parcelas e o Santos pode recontratar o jogador, depois que terminar seu contrato com o time da Espanha. Vamos ver: Leandro Damião vai honrar esse acordo?

2 – A coisa no São Paulo continua feia. O pessoal vai ao Ministério Público por causa do caso – Carlos Miguel Aidar. Outra coisa é aquela história dos diretores que advogam para um empresário, que faturou7 milhões no clube, e depois foram trabalhar no São Paulo. E a ética, pessoal?