Ai meu Deus ! O japonês da Federal pode aparecer no Itaquerão pra pegar laranja
Jornalão de São Paulo abriu manchete para contar que Luis Claudio da Silva, o filho de Lula, recebeu (disseram que foram 500 mil)
Antes, Luis Claudio trabalhou como auxiliar de preparação física, tarefa que também cumpriu no São Paulo, Palmeiras e Santos
”Ai, meu Deus. Eu me dei mal porque o japonês bateu de madrugada na minha porta. Prá Curitiba, só vou de busão. É muito ruim, ir de camburão”.
Essa marchinha foi muito cantada no carnaval. Até aí, tudo bem. O problema é que no domingo da folia, um jornalão de São Paulo abriu manchete para contar que Luis Claudio da Silva, o filho de Lula, recebeu (disseram que foram 500 mil) 300 mil por serviços entre 2011 e 2013. Antes, Luis Claudio trabalhou como auxiliar de preparação física, tarefa que também cumpriu no São Paulo, Palmeiras e Santos, jogada ridícula para uma aproximação de seus cartolas para abrir as portas do poder e, por que não, de bancos oficiais.
Ocorre que o próprio vice-presidente de Marketing, Luis Paulo Rosenberg, disse que não conhece nenhum trabalho que Luis Claudio tenha feito na área de sua vice-presidência. Isto é, o prestador de serviços não trabalhou, mas, segundo um jornalão e duas revistas de circulação nacional, recebeu 500 mil.
Os sátrapas do futebol gostam de adular os que têm a caneta e o diário oficial para distribuir benesses em detrimento do povo e do país.
O pior é que o jornalão se limitou a reproduzir alguns opiniões frágeis e navegou nas agruras da superficialidade, sem ir ao fulcro da questão: ora, o Corinthians recebeu dinheiro de um banco público para construir seu estádio e desviou ou não esse dinheiro para terceiro que prestou serviços de araque ?
O assunto, pelo jeito, morreu, mas a opinião pública tem o direito de saber a verdade, até porque um dos idealizadores e executores da construção do estádio é hoje deputado federal, sua excelência, Andrés Sanches. Claro que qualquer rábula de porta de cadeia sabe que se pode procurar reparar um erro através da Justiça, quando existe o Fumus boni juris (fumaça do bom direito).
E também não se pode condenar ninguém, sem uma investigação – que se espera que seja feita pela Operação Zelotes ou mesmo através de determinação do juiz Sergio Moro, respeitando-se a presunção da inocência e todo o direito de defesa. E até prova em contrário, todos são inocentes perante a lei.
Na verdade, o caso ainda é nebuloso e só nos cabe fazer algumas perguntas:
1. Se Luis Paulo Rosenberg disse que não existem contratos de prestação de serviços e Luis Claudio nunca trabalhou, houve desvio de dinheiro. Pior ainda, se isso for verdade – recebeu sem trabalhar – quem pagou ? O Corinthians virou laranja ? Por que o jornalão e as revistas não perguntaram isso a Mario Gobbi, presidente da época; Andrés Sanches, que trabalhou na operação e construção do estádio ? Por que não perguntaram a Roberto Andrade, o cítrico presidente, que na época fazia parte da diretoria ou do comando do clube ?
2. Aonde está o vice-presidente de Finanças, Raul Correa da Silva, presidente de uma empresa de auditores independentes ? No clube, o vice de Finanças, assina os cheques junto com o presidente: Você pagou ou não o Luis Claudio, meu prezado Raul ? Se ele recebeu, um cheque foi emitido, o documento deve estar registrado na contabilidade. Ou será que usaram o Corinthians para pagar uma conta de empresa-laranja da construtora ?Isso não seria lavagem de dinheiro ?
3. Sua excelência, o deputado Andrés Sanches, disse que a documentação do estádio está em ordem, tudo certo. E ser for preciso mostra à Polícia Federal. Ótimo. Passe na sede da PF lá na Lapa e abra as contas e o Corinthians fica livre de especulações e críticas. Outra coisa é chamar a Comissão de Fiscalização da Câmara Federal – o estádio foi construído com dinheiro público e o procedimento fiscalizatório pode ser feito. E assim, com transparência, o clube pode se jactar de que não fez nada de errado.
4. Outra coisa é a omissão do Conselho Deliberativo. Todo mundo está na moita, embora se diga que na próxima reunião a diretoria e os envolvidos nessa história serão questionados.
5. Se o Corinthians foi usado está aí um bom motivo para limpar a barra. O resto é nhenhenhem e aquela coisa que gato enterra para não poluir o ambiente e incomodar os outros com mau cheiro do ato fisiológico.
6. Outra coisa lamentável é o silêncio da mídia, principalmente dos catões que andam por aí. Alguns sairam pela porta do ridículo ao afirmarem que Luis Claudio , o Lulinha, só entrou na linha de tiro da mídia porque é filho de um ex-presidente. E mais ainda: ah, os outros clubes também o contrataram. Muito bem, mas o trabalho, até prova em contrário, não foi prestado. O Corinthians pagou ? Pelo jeito, não. O Corinthians acabou sendo usado como laranja de alguma empresa ? Se o dinheiro foi lavado, aí é caso para a Zelotes e o dr. Sergio Moro.
7. Não se sabe o que pode acontecer. Os catões midiáticos, que passaram longe da história, sabem que, de repente, o japonês da Federal – Newton Ishii, pode aparecer no Itaquerão. Ai, meu Deus !





































































































































