Chega de Mediocridade: Deixem mãe Diná em paz

O jeito é ter paciência e ligar o rádio, o companheiro de todos nós nesta cidade sem eira, nem beira.

Hoje o torcedor não ouve, nem lê uma análise técnica e tática de um jogo. E tome um poup-porri de besteiras, repetindo o que os boleiros falam na saída dos jogos:

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Trânsito complicado, corredores de ônibus, ciclovias sem bicicleta e os motoristas com adrenalina lá em cima e uma certa dose contra a campanha que se faz ao dono de automóvel, que paga impostos – Cide, ICMS, seguro DPVAT, IPVA, seguro geral e multas quando há desrespeito por parte do motorista. O jeito é ter paciência e ligar o rádio, o companheiro de todos nós nesta cidade sem eira, nem beira.

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Você pensa que isso resolve? Não. E, às vezes, o rádio aumenta nossa agonia. Outro dia, estavam entrevistando o ex-deputado Moreira Franco, atual presidente da Fundação Ulisses Guimarães. Para quem não sabe, Moreira é do PMDB que, parece ter chegado ao Brasil em 1500 nos porões das caravelas de Cabral, como bom governista que é.

Mas o que tem isso a ver com o futebol? Nada e tudo. Na reunião de Moreira Franco na FIESP, os barões da indústria lhe perguntaram sua opinião sobre o impeachment de Dilma. Moreira nem precisou de escada para subir na parte mais alta da muralha da China. E ele escorregou na própria desculpa:

“Não sei quando a Dilma cai. Até porque não sou Mãe Diná para adivinhar”.

Aí, já foi demais. O que é que Mãe Diná tem a ver nessa história? Nada. Aliás, lá do céu ela deve estar na bronca com o uso de seu nome, que serve de escudo àqueles que não assumem suas responsabilidades. Usar o nome de Mãe Diná na política, por parte de político mureteiro, é o fim da picada. Já não chega os coleguinhas da bola que falam em Mãe Diná?

O pessoal exagera porque hoje até hoje estamos na UTI com a goleada de 7×1 da Alemanha. Não é complexo de vira-lata, mas sim uma realidade triste, nua e crua. Alar o que companheiro? Meter o pau, não dá. Se o produto futebol está ruim, criticar não ajuda. Pelo contrário, complica ainda mais.

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Mas que culpa tem nessa história Mãe Diná? Nenhuma. O pessoal esconde-se na coxia das baboseiras e fala coisas óbvias. Algumas delas são ridículas. É aquela mania dos estatisqueiros, aqueles que analisam futebol com números. Claro que número é importante como um indicativo, mas não é a verdade, nem a competência que se leva para o campo de Jogo.

Hoje o torcedor não ouve, nem lê uma análise técnica e tática de um jogo. E tome um poup-porri de besteiras, repetindo o que os boleiros falam na saída dos jogos:

1 – A bola não quis entrar, como se a bola fosse dona de tudo e é mais inteligente do que o burro que a chutou, dentro da área pequena.

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2 – O Palmeiras, no seu segundo jogo de Cuca, perdeu porque não preencheu o meio de campo. Ficaram espaços enormes entre o ataque e o meio de campo. Ora, por que não botam controle remoto nos jogadores, quem sabe eles aprendem que o futebol também é engenharia de espaços, como bem dizia José Silveira; o time está cansado e alguns se pouparam. Ora, esse pessoal tem tudo do bom e do melhor. Bola não mata ninguém e, como dizia Vampeta, jogador quer é jogar, treinar não. Pois bem, eles são poupados de maiores esforços nos treinos e os resultados em campo são pífios, caso do Palmeiras e do São Paulo.

3 – Outra desculpa é de se jogar muito – o maldito calendário. Dá para contar nos dedos aqueles que disputam 70 partidas por ano. Com o excesso de cartões, mais contusões, são poucos os que jogam 50 partidas por ano.

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4 – A mídia, por sua vez, tem que ser equilibrista. Não pode criticar duramente porque o futebol está ruim e pode ficar pior. Existem os problemas financeiros. Alguém combate pra valer os jogos às 10 horas da noite? Depois que venderam os jogos para a televisão – sem ela o futebol vai à falência – quem vai enfrentar a Deusa Platinada e o novo canal que assusta a Globo que agora acena com mais dinheiro? Romper com a Globo, Deus me livre. Só falta a cartolagem, confessor.

Enquanto isso, vamos tocando a vidinha acreditando num milagre. Talvez por isso, um pessoal aí, na véspera dos jogos, põe o som de uma bacia com água e pergunta ao outro, invocando um pai de santo para indicar o vencedor entre dois times desconhecidos.

Esse é o padrão de que tanto gostavam Boni e Roberto Marinho?

O futebol não é concurso de palpites. Se palpite desse certo, um monte de jornalistas estariam ricos hoje. Achar que pai de santo pode favorecer este ou aquele é a mesma coisa que bater palmas para louco dançar. Futebol não é isso. É hora de melhorar o nível DAS ANÁLISES. E, POR FAVOR, DEIXE Mãe Diná em paz.

Respeitem-na. Essa história de botar pai de santo na hora de palpitar é prova de ignorância e de incompetência. O futebol precisa melhorar, mas não será com insanidade, muito menos com pajelanças e esse festival de besteiras que assola todos nós.