ESPECIAL: Com Audax, Diniz pode reescrever história de Muricy e Doriva

Essa não é a primeira vez que um clube do interior ou um técnico ‘desconhecido’ surpreendem no estadual

Após a classificação para a final do Campeonato Paulista, as especulações com o técnico Fernando Diniz não param de aparecer no mercado brasileiro

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Osasco, SP, 26 (AFI) – Após a classificação para a final do Campeonato Paulista, as especulações com o técnico Fernando Diniz não param de aparecer no mercado brasileiro. Mostrando um futebol ‘envolvente’, o professor do Audax eliminou São Paulo e Corinthians nas fases de mata-mata. Mas essa não é a primeira vez que um clube do interior ou um técnico ‘desconhecido’ surpreendem no estadual .

Independente do escudo, a lição é sempre a mesma: técnico campeão paulista ganha uma oportunidade em ‘grandes’ clubes do futebol brasileiro. O exemplo mais recente é de Doriva com o Ituano. Mostrando um futebol compacto e inteligente, o treinador levou o Galo de Itu ao título de 2014 justamente em cima do Santos – eliminou Botafogo nas quartas e Palmeiras na semifinal.

Mesmo muito jovem, com 37 anos, Doriva chegou ao interior de São Paulo para ser auxiliar técnico, mas acabou efetivado na reta final do Paulistão de 2013. Com um ano para trabalhar, ele montou um elenco competitivo para a edição seguinte e, apesar da surpresa, levantou a taça. Com a primeira faixa de campeão, o treinador já recebeu uma oportunidade no Atlético-PR, depois Vasco da Gama, Ponte Preta, São Paulo e mais recentemente no Bahia.

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E o exemplo não para por aí. A história mostra que outro nome que também chamou muito a atenção em 2004: Muricy Ramalho. Com o surpreendente São Caetano, o ainda jovem treinador fez uma campanha regular na primeira fase, eliminou o São Paulo dentro do Morumbi – onde viraria ídolo mais tarde – nas quartas e bateu o Santos na semifinal. A decisão foi contra o Paulista de Jundiaí.

Mesmo com um elenco que tinha o goleiro Sílvio Luís, os volantes Mineiro e Marcelo Mattos, além do atacante Fabrício Carvalho, Muricy preferiu seguir novos caminhos após o estadual. Valorizado, ele assumiu o comando do Internacional para o Brasileirão, onde demorou para ajustar o time. De lá acertou no São Paulo em 2006, onde foi tricampeão brasileiro e entrou na galeria de grandes nomes do futebol brasileiro.

E agora é a vez de Fernando Diniz, que também quer escrever a sua história e marcar seu nome no Campeonato Paulista. Ainda assim, vale a pena lembrar de outros times que também brigaram pela taça, mas caíram justamente na decisão. O mesmo São Caetano, em 2007, perdeu para o Santos na grande final e acabou com o vice-campeonato comandado por Dorival Júnior.

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Na temporada seguinte, com o técnico Sérgio Guedes, a Ponte Preta até tentou o primeiro título da história, mas acabou freado pelo Palmeiras de Valdívia no antigo e saudoso Palestra Itália, com uma goleada por 5 a 0. Em 2010, mais uma vez com Sérgio, foi a vez do Santo André cair para o Santos, mesmo com uma vitória por 3 a 2 dentro do Pacaembu.

Por fim, mas não menos importante, fica o Guarani de 2012. Diante do Santos de Neymar e com uma campanha entre os quatro melhores da primeira fase, o elenco de Vadão deixou o Palmeiras para trás nas quartas de final e ainda bateu a rival Ponte Preta na semi. Mas, na grande decisão, acabou sucumbindo para o alvinegro praiano, com dois gols do camisa 10 da Seleção.

ATUALIDADE

Em meio a tudo isso, o cenário do Audax não é tão diferente de todos os outros exemplos. Apesar de ter um adversário superior tecnicamente, com jogadores de Seleção Brasileira, o time de Osasco terá que usar o padrão de jogo para ditar o andamento da partida. E a filosofia de Fernando Diniz não é mais nenhuma novidade para os amantes da bola.

Baseado no Carrossel da Seleção Holandesa na Copa do Mundo de 1974, o time prende bastante a bola e prioriza sempre o passe. Sem posicionamento fixo em campo, os jogadores tem liberdade para se movimentar bastante e explorar principalmente as bolas nas costas da defesa. Além disso, Diniz trabalha bastante os fundamentos de finalização e triangulação.

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Tanto que, nos dois gols que eliminaram o Corinthians dentro da Arena Itaquera, o goleiro Cássio até se esticou todo, mas a bola já tinha endereço certo desde que saiu dos pés de Bruno Paulo e Tchê Tchê. Nas quartas, em meio a goleada por 4 a 1 contra o São Paulo, o Audax abusou das bolas nas costas da zaga, principalmente no segundo gol de Ytalo.

PROPOSTAS PARA O FUTURO

Fernando Diniz chegou ao Audax em 2013, ainda na Série A2 do Campeonato Paulista, com a mesma filosofia que trabalha atualmente. No começo o treinador sofreu uma série de quatro jogos sem vencer, até que, na quinta rodada, bateu o Santo André por 2 a 0 dentro de casa. De lá pra cá, o time até sofreu algumas irregularidades, mas encontrou o caminho das vitórias.

Diante desse projeto, o treinador já é pretendido por alguns clubes do futebol brasileiro. Sem comandante desde que dispensou Deivid após o Campeonato Mineiro, o Cruzeiro é o principal interessado um técnico no ‘perfil Fernando Diniz’, ou seja, ainda jovem, com novas idéias. Se vencer o Santos neste domingo, às 16 horas, no primeiro jogo da final do Campeonato Paulista, o professor do Audax já começa a dar os primeiros passos para se firmar no cenário nacional.