Pequeno merece respeito e elitização tem limite no futebol paulista e brasileiro

Campeonato Paulista para nós, deixou algumas lições e devemos fazer nossas reflexões

É bom que surjam esses cometas no futebol, principalmente aqueles que procuram jogar com qualidade como Audax e Ferroviária (no começo do campeonato);

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“O Audax ganhou o campeonato e o Santos ficou com a taça”, esta frase foi cunhada por um companheiro – se não me engano, Flávio Prado é o autor. Na verdade, o Paulistinha para outros, e Campeonato Paulista para nós, deixou algumas lições e devemos fazer nossas reflexões.

Na definição acima, um pouco de saudade e a revitalização do conceito que ficou depois da Copa de 82, quando a seleção brasileira jogou muito futebol e no fim, a Itália levou a taça. Guardadas

Audax mostrou um futebol bonito, eficiente, diferente, de toque de bola e conjunto. Merecia ser o campeão paulista

Audax mostrou um futebol bonito, eficiente, diferente, de toque de bola e conjunto. Merecia ser o campeão paulista

as proporções, podemos invocar o Audax, até a própria Ferroviária, que sinalizou que poderia ser uma sensação, com o futebol mais solto, agressivo; e o time de Osasco e outros cometas que surgem aqui e ali no mundo da bola.

De certo modo, o feito de Leicester na Inglaterra se encaixa no rol dos times surpreendentes. Afinal, um time com uma folha de 350 mil libras – é o 17º orçamento dos times de lá, e deixou para trás um Manchester United, até o Manchester City, Arsenal, etc.

Esses fatos nos remetem a uma reflexão: por que os pequenos são tratados como exceções e logo são relegados a um plano secundário? Algumas razões:

1 – Futebol é negócio. Times de estrelas dão audiência, os patrocínios são maiores e a mídia precisa de celebridades para vender seus espaços, garantindo também a audiência.

Isso, com o tratamento diferenciado que os craques recebem, estimula negócios e contratos de televisão também são valorizados. Só que tem o outro lado. Geralmente, time pequeno tem menos chance, por diferença de nível em relação a um grande que fica com os melhores contratos de tevê e de publicidade.

2 – Só que isso, de certo modo, vai elitizando cada vez mais o futebol e mesmo os grandes campeonatos da Europa são conquistados por aqueles que têm mais recursos e investimentos. Até que ponto essa elitização é boa para o futebol?

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3 – Na Espanha, por exemplo, Barcelona e Real são campeões sempre. De vez em quando, o Atlético de Madri ponteia, idem um Valencia, e nada mais. Não seria bom um segundo grupo de times com potencial para encarar e quebrar essa rotina do Barça, Real ou Atlético? Na Itália, só de vez em quando o Napoli aparece, às vezes o Roma quebra essa corrente. Esporadicamente, um time de menor potencial financeiro se atreve a quebrar essa escrita, como, por exemplo, a Fiorentina.

4 – Em Portugal, é Benfica ou Porto, excepcionalmente o Sporting. Na França, a exemplo da Inglaterra, um dono de petróleo comprou o PSG, enfiou milhões, montou um super time, e sua mulher botou o time à venda porque o PSG é muito superior e, às vezes, perde a graça. No Reino Unido os russos que fugiram de Putin investiram milhões no futebol.

No plano interno, já tivemos times pequenos que contestaram os grandes e, alguns deles, perderam títulos no apito. Quem não se lembra do timaço da Ponte em 1977? Ela disputou outros títulos com São Paulo e Santos. A Inter de Limeira ganhou um título do Palmeiras dentro do Morumbi em 1986. O Botafogo de Ribeirão Preto ganhou um meio título (primeiro turno) do São Paulo e o Guarani tem um titulo brasileiro em 1978.

É bom que surjam esses cometas no futebol, principalmente aqueles que procuram jogar com qualidade como Audax e Ferroviária (no começo do campeonato); Guarani com aquele campeão brasileiro, e a Ponte de 77. Nessa lista, inclua-se o Bragantino.

A mídia precisa estimular esses times. Nada de reduzir campeonato. Até porque time bom, do interior, revela jogadores e se estimulam para fazer mais trabalho de base. Afinal, time pequeno dá emprego, beneficia gente, cidades e estimula rivalidade no futebol. A elitização deve ter um limite.

EXTRA PAUTA

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1 – Outro dia, Tite buscou no fundo da mala um argumento para explicar a eliminação do Corinthians da Libertadores. Disse que vantagem de gols feitos em casa pelo mandante é prejudicial. E quando beneficia o Corinthians é bom ou é ruim? Tite esqueceu da fábula da raposa: as uvas estavam verdes para seu time na Libertadores.

2 – Pois é, agora já acham que será difícil o Corinthians pagar seu estádio. Se não fecharem o contrato de naming rigts logo, o pepino será grande. Depois de tudo só pagaram 6% da conta em dois anos? Esta coluna alertou para o problema inúmeras vezes.

3 – Olho nessa história do naming rigts do Corinthians. Tem jabuti na árvore. É um jabutizão. Como o Conselho é omisso, o jabuti vai sentar na praça.

4 – Paulo Nobre consertou a besteira que fizeram na história do patrocinador. Resolveram com a ajuda de Mustafá Contursi. Por pouco não houve rompimento entre Nobre e Lamacchia. Isso lembra aqueles casais que têm péssimo relacionamento amoroso e não dividem o mesmo edredon.