Série D: Ex-São Paulo, morre Bazaninho, ídolo do São Bento no acesso de 1963

Presidente do time sorocabano, Márcio Rogério Dias lamentou o falecimento e decretou luto oficial no clube

Presidente do time sorocabano, Márcio Rogério Dias lamentou o falecimento e decretou luto oficial no clube

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Sorocaba, SP, 23 (AFI) – O futebol de Sorocaba e São Bento estão de luto! Faleceu na madrugada desta quinta, na Manchester Paulista, aos 74 anos, outro grande nome do esquadrão do primeiro acesso para o Campeonato Paulista de 1963, e do título do Azulão da Divisão Especial de 1962: Roberto Oliver Bazani, o Bazaninho. Segundo informações do jornalista esportivo sorocabano, Doraci Sola Galera (Dorinha) o velório de Bazani está sendo realizado na Igreja Agnus, na Avendia Carlos Reinaldo Mendes n° 775, em Sorocaba e seu sepultamento está previsto para 16h , no Cemitério Pax, em Sorocaba.

De acordo com o jornalista, do time do acesso de 1962, nas históricas finais contra o América de Rio Preto – 0 a 0 em Rio Preto, 1 a 1 em Sorocaba e 2 a 1 na finalíssima do Pacaembu, estão vivos, Paraná, Cabralzinho, Mickey e Biter. Na segunda partida, coube a Bazani marcar o tento de empate, aos 38 do primeiro tempo, depois que Sapucaia abriu o placar aos dois minutos para os riopretenses.

Roberto Oliver Bazani faleceu na madrugada desta quinta (Foto: Doraci Sola Galera/Arquivo)

Roberto Oliver Bazani faleceu na madrugada desta quinta (Foto: Doraci Sola Galera/Arquivo)

Na grande final, dia 22 de fevereiro de 1963, Dirceu marcou para o América, e Nestor e Picolé deram o título e o acesso ao São Bento, comandado por Wilson Francisco Alves, o Capão. A base tinha essa formação: Julião; Odorico, Nestor, Paulinho, Ceci e Salvador; Afonsinho, Cabralzinho, Picolé; Bazaninho e Paraná.

GANHAVA 20 CRUZEIROS
Segundo descreveu o repórter Edwellington Villa , em 2009, para o site Futebol Barretos, , a carreira de Bazaninho começou em outubro de 1958, quando o São Paulo foi enfrentar o América, em Rio Preto. O técnico Vicente Feola – que comandou a Seleção Brasileira campeã mundial naquele ano – e o diretor Raimundo Paes de Almeida resolveram ir a Mirassol e viram Bazani atuar. Não tiveram dúvidas em acertar a contratação do promissor meia-esquerda, de apenas 17 anos.

“Meu pai (Olivério Bazani) ganhava 20 cruzeiros por semana como sapateiro e o São Paulo deu 12 mil cruzeiros a ele para me levar”, disse Bazani, que na época jogava pelo Remo de Mirassol. Em sua estreia, contra o Corinthians nos aspirantes, Bazani já deixou sua marca nos 3 a 1 para o São Paulo, no Pacaembú. A linha ofensiva tricolor da época tinha Juraci, Salvador, Olímpio, Paulinho e Bazaninho.

INAGURAÇÃO DO ESTÁDIO JALISCO
Segundo Bazani na mesma entrevista, ele e Peixinho, ainda nos aspirantes jogaram em 1960, no profissional do São Paulo num torneio no México, de inauguração do Estádio Jalisco, em Guadalajara, onde o time paulista foi campeão. Em 1961 foi emprestado ao Batatais e em 1962 transferiu-se para o São Bento, de Sorocaba, formando a “Máquina Azul”, que conquistou o título e o acesso, marcando seu nome na história do Azulão. O meia se notabilizava e se valorizava a cada ano.

MAGOA COM DIRIGENTES DO TRICOLOR
Bazani voltou ao São Paulo, onde jogou nos anos 1964 e 1965, temporadas em que foi um dos destaques da excursão em terras italianas. Na época, o Milan tentou contratá-lo, mas, segundo o jogador, o presidente tricolor Laudo Natel pediu um valor alto e o meia não saiu.

“O presidente (do São Paulo), justificou que não arrumaria outro meia como eu”, disse Bazani na mesma reportagem. E contou que ficou muito magoado por não ter ido para o rubro-negro italiano, em 1964.

Bazaninho com a camisa do São Paulo (Foto: Doraci Sola Galera/Arquivo)

Bazaninho com a camisa do São Paulo (Foto: Doraci Sola Galera/Arquivo)

“Eles (Milan) ofereceram 150 milhões de cruzeiros ao São Paulo e 40 milhões pra mim”, relata na reportagem. Segundo Bazani, os dirigentes do tricolor lhe deram um carro Volkswagem e um milhão (de cruzeiros) por mês, mas ficou desiludido.
“O cavalo passou arreado e não me deixaram montar”, disse o atleta, que também quase foi para o Grêmio-RS, mas não teve acordo.

DE VOLTA AO BENTÃO
O meia voltou ao São Bento por onde jogou entre 1965 a 1970. Em 1971 passou pela Ponte Preta e de lá para o América, sendo um dos destaques no acesso para a primeira divisão. No ano de 1972 o meia jogou no XV de Piracicaba; em 1973 foi para o Vila Nova-GO e foi vice-campeão goiano, onde encerrou a carreira. Até tentou voltar ao futebol, com 38 anos no Mirassol, onde começou, mas não deu certo e parou de vez.

FORA DE CAMPO
Depois de parar de jogar, Bazani se formou em químico metalográfico e passou a trabalhar na Companhia Brasileira de Alumínio, do Grupo Votorantim e atualmente morava na Vila Haro em Sorocaba. Um dos grandes amigos E admiradores de Bazani, depois que voltou e se estabeleceu em Sorocaba foi o ex-jogador de basquete de Sorocaba, Antonio Tabajara Dias.

“Bazaninho foi um gênio que nasceu precocemente ! Hoje jogaria num Barça ou Real Madrid. Tinha uma perna esquerda mágica. Botava a bola onde queria”, explica.

“Certa vez perguntaram à ele porque não aperfeiçoava da perna direita. E ele respondeu que seupé esquerdo tem dois lados e quandoprecisava lançar a bola pra linha de fundo à esquerda, já usava a parte externa da sua”surda ” (sua a perna esquerda )”, recorda.

“Uma grande pessoa, amigo, alegre, de sorriso fácil. Uma grande perda. Eu o tietava no São Bento, e ele ia me ver no basquete, na Seleção de de Sorocaba”, relata sobre o jogador fora das quatro linhas.

Bazaninho era era irmão de Bazani, ex-Ferroviária de Araraquara e Corinthians e irmão da Nadir Bazani ex-Seleção Brasileira de basquete nos anos 60. De acordo com o amigo, Bazani estava se dedicando como diácono na Igreja Agnus, em Sorocaba. De acordo com Tabajara, o amigo, Bazaninho teve vários problemas de saúde, depois de uma queda em sua residência onde fraturou a bacia; depois teve teve problemas nos rins; entre outros.

“Ele nos deixou com muitas saudades”, finaliza.

LUTO NO BENTÃO
O presidente em exercício do São Bento, Márcio Rogério Dias lamentou a morte do ídolo Bazaninho e decretou luto oficial no clube.

“Bazaninho foi um dos pilares do São Bento. Tinha genialidade como poucos e representava a nação beneditina. Estamos todos tristes por essa grande perda”, disse Dias