Público aumenta nas novas arenas, mas operação ainda é deficitária
Dos 12 estádios da Copa do Mundo no Brasil, apenas quatro não ficaram no vermelho, em 2015. Fora da lista, Arena do Palmeiras é sucesso
Dos 12 estádios da Copa do Mundo no Brasil, apenas quatro não ficaram no vermelho, em 2015. Fora da lista, Arena do Palmeiras é sucesso
Campinas, SP, 25 (AFI) – Dois anos após a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, já é possível traçar um panorama com relação ao aproveitamento das arenas construídas e reformadas para o Mundial – ao todo, 12 estádios foram utilizados na competição. Apesar do aumento da arrecadação com ingressos e outros serviços, em dias de jogos, a maior parte dos equipamentos registrou prejuízo em 2015. Os números mostram que os gestores das arenas e os clubes precisam aprimorar as estratégias de exploração.
Ao mesmo tempo, o país contou com a inauguração de dois grandes estádios privados, a Arena do Grêmio e o Allianz Parque (propriedade do Palmeiras), em 2012 e 2014, respectivamente, que têm apresentado resultados satisfatórios.
No caso do Engenhão, construído pela Prefeitura do Rio de Janeiro para o Pan de 2007 e ampliado para os Jogos Olímpicos deste ano, os problemas com as interdições, tanto para a reforma da cobertura (entre 2013 e 2015) quanto para as Olimpíadas, causaram impacto negativo na arrecadação do Botafogo, que arrendou o estádio em 2007.

INGRESSOS
De acordo com um estudo divulgado no fim do ano passado (feito pela empresa de auditoria BDO em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo), as entradas para os jogos do Campeonato Brasileiro, em 2015, foram os mais caros da história da competição.
No Allianz Parque e Arena Corinthians (Itaquerão), os preços foram 67% mais altos do que em espaços tradicionais, como o Morumbi. A média é de R$ 42,98, nas arenas modernas, enquanto que nos estádios mais antigos, o valor é de R$ 25,71.
Mas a pesquisa revelou que as “as novas casas” dos clubes tiveram resultados positivos com relação à renda. Foi registrada a média de 24.505 torcedores contra 10.447, dos locais de jogo que não foram modernizados. Segundo a BDO, o estádio com melhor média foi o Itaquerão, que recebeu, no ano passado, 35.484 pessoas por jogo, seguido do Allianz Parque e Mineirão.
O estudo apontou, como fator conclusivo, que os clubes ainda carecem de programas de sócio-torcedor com maior eficiência, tanto no que diz respeito à arrecadação como no atendimento aos associados. Apenas dois clubes são tratados como exceções: Corinthians e Palmeiras. O que mais chamou atenção foi que os arquirrivais tiverem bons públicos na maioria das partidas porque muitos torcedores iam só para manter a fidelização e reservarem entradas em jogos futuros de maior interesse.
Outra ação tida como positiva foram os duelos marcados às 11h da manhã dos domingos, já que os torcedores lotaram os estádios na maioria das partidas, tanto nas arenas novas quanto nas antigas.
VALORES ARRECADADOS COM JOGOS E SÓCIOS NAS NOVAS ARENAS EM 2015
1º) Palmeiras – R$ 119,6 milhões
2º) Corinthians – R$ 90 milhões*
3º) Internacional – R$ 82,5 milhões
4º) Flamengo – R$ 73,2 milhões
5º) Grêmio – R$ 67,3 milhões**
6º) Cruzeiro – R$ 43,3 milhões***
7º) São Paulo – R$ 41,1 milhões
8º) Atlético-MG – R$ 37,9 milhões
9º) Santos – R$ 37,9 milhões
10º) Fluminense – R$ 21,6 milhões
11º) Botafogo – R$ 17 milhões
12º) Vasco – R$ 10,6 milhões
* Corinthians não contabiliza renda da Arena no balanço 2015
** Grêmio também ‘perde’ bilheteria: mais de R$ 20 milhões da Arena não entram no balanço divulgado pelo clube
*** Cruzeiro não detalha arrecadação de bilheteria e sócios, colocando tais receitas no mesmo montante que conta premiações
Levando em consideração a crescente popularização de jogos on-line em apostas em times, como mostrados no site www.oddsshark.com/br, os valores parecem andar parelhos com os clubes de maior arrecadação – ao menos com os primeiros colocados da lista. Em seus últimos jogos, o Palmeiras, líder do Brasileirão há algumas rodadas, estava quase sempre melhor cotado para vencer: R$ 2,40 para cada 1 contra o Sport (que pagava R$ 2,79, mesmo jogando em casa); R$ 2,13 para cada 1 contra o Santos (R$ 3,29 para 1 para ganhar do Palmeiras). Não muito diferente, o Corinthians também pode se gabar de favoritismo: jogando fora de casa contra o América-MG, eram R$ 2,06 para cada real (vs. R$ 3,56 para o time de Minas); contra o Flamengo, R$ 2,01 (vs. $ 3,65 para cada 1 caso a vitória fosse rubro-negra).
LEGADO DA COPA
Em compensação, a realidade é que a conta não fecha – mesmo com a melhora do faturamento com a renda dos jogos – na grande maioria dos estádios do Mundial de 2014. Oito das 12 arenas construídas ou reformadas para a Copa são deficitárias. Um ano após a realização do evento, o prejuízo calculado foi superior a R$ 126 milhões. Apenas Itaquerão, Mineirão, Beira-Rio e Arena das Dunas tiveram superávit. A Arena Corinthians, porém, ainda não começou a ser paga.
A situação mais grave é, justamente, do estádio mais famoso do Brasil: O Novo Maracanã apresentou prejuízos astronômicos desde o ano em que foi reaberto, após longa e onerosa reforma: R$ 48,3 milhões (2013); R$ 77,2 milhões (2014); e R$ 47,9 milhões (2015); no que representa um déficit total de R$ 173,4 milhões.
ELEFANTES BRANCOS
Entre todos os equipamentos erguidos ou reformados para a Copa do Mundo do Brasil, três estão em Estados sem tradição no futebol nacional. São eles: Mané Garrincha (Brasília), Arena Amazônia (Manaus) e Arena Pantanal (Cuiabá).
O trio, que é público, deu prejuízo: gerou, em 2015, despesas R$ 17,6 milhões superiores à arrecadação.
Fora o custo operacional, ambos serão quitados, conforme o previsto, somente daqui a dez anos. Em nenhuma das arenas o futebol sozinho é capaz de garantir uma rentabilidade mínima.





































































































































