Na morte de Zé do Pito a constatação: um líder que ficou esquecido
José Bertazoli morre aos 80 anos de idade
Na morte de Zé do Pito a constatação: um líder que ficou esquecido
Evite tentar entender esse troço chamado vida. Ela reserva contrastes inexplicáveis. De repente a pessoa é cercada de infinidade de amigos e conhecidos. Depois, dá pra contar nos dedos quem foi ao velório dela.
Pois a história do pontepretano octogenário José Bertazoli, o Zé do Pito, morto nesta segunda-feira, foi feita dos tais contrastes.

Atuais dirigentes da Ponte Preta que sequer lembraram de cobrir o caixão dele com o manto sagrado do clube – pelo menos até às 21h desta segunda -, no Cemitério da Saudade, provavelmente não se deram conta que na década de 60 Zé do Pito incendiava a torcida pontepretana com singulares caravanas ao interior paulista, para jogos contra equipes da divisão intermediária.
De certo dirigentes pontepretanos na faixa etária dos 40 anos desconhecem que no final da década de 60 – provavelmente em 1968 – Zé do Pito não se curvou à negativa de empresários do transporte para ceder ônibus à caravana para Bragança Paulista, com receio de depredações.
Igualmente não foi possível organizar caravana de trem por causa de divergências de horários
Aí, o enraivecido Zé do Pito requisitou caminhões e bradou: “Quem for pontepretano que me siga”.
E nas carrocerias abertas de caminhões torcedores pontepretanos se espremeram e enfrentaram a poeirenta estada de terra que ligava Itatiba a Bragança Paulista, rumo ao Estádio Marcelo Stefani, que o atual presidente do Bragantino, Marco Chedid, prestou o desserviço de trocar de nome para homenagear o seu pai, o saudoso Nabi Abi Chedid.
ORADOR OFICIAL
Enquanto diretor social, Zé do Pito foi ousado com aplaudidas promoções, uma delas o show da cantora Rita Lee, no auge da carreira.
Ele também foi orador oficial de solenidades promovidas pelo clube, e líder em processos eleitorais para renovação de diretoria.
Claro que os atuais diretores, que até as 21h desta segunda-feira também não se lembraram de enviar uma coroa de flores ao velório, de certo desconhecem que foi Zé do Pito quem provocou defeito propositalmente em torres de iluminação do Estádio Moisés Lucarelli, para interromper a partida em que a Ponte Preta perdia para o Botafogo de Ribeirão Preto por 1 a 0 – gol de Sócrates -, no dia 17 de agosto de 1977.
O jogo foi anulado e ambos voltaram a se enfrentar seis dias depois, com vitória pontepretana por 2 a 0, começando ali a arrancada da Ponte à final do Paulistão daquela temporada.
Zé do Pito teve notoriedade na vida esportiva e cultural de Campinas. Foi carnavalesco de destaque da Escola de Samba Acadêmicos do Ubirajara e até coordenador de desfile de carnavais pela Prefeitura de Campinas.
FABRICANTE DE CAIXÕES
Nos contrastes da vida, Zé do Pito, fabricante de caixões de defunto no passado, acaba enterrado por madeira trabalhada pelas mãos dos outros.
Sua oficina ficava no início da Rua Barão de Jaguara, cujo espaço atualmente é usado como escola de teatro.
Ele foi proprietário da então empresa funerária Pax Domini, desativada quando a Prefeitura de Campinas municipalizou os serviços funerários.
Quem diria que um líder nato como Zé do Pito fosse viver depressivamente nos últimos anos, em decorrência de problemas familiares?
Seus últimos três anos foram de internação em clínica para idosos, até que na sexta-feira passada sofreu queda, houve fratura de fêmur, e se submeteu à cirurgia no Hospital Ouro Verde, em Campinas.
Aí, durante banho na manhã desta segunda-feira, sofreu infarto e morreu.





































































































































