A propina de ouro e diamante no estádio da Copa do Mundo
Odebrecht sai fora do Maracanã. E o Itaquerão como é que fica? É a festança das propinas na Copa do Mundo
Odebrecht sai fora do Maracanã. E o Itaquerão como é que fica? É a festança das propinas na Copa do Mundo
“O anel que você me deu era de vidro e se quebrou. E por isso nosso amor acabou”.
Essa parte de uma música de sucesso tem alguma coisa a ver com o anel de ouro e diamante que Fernando Cavandish deu para a mulher do ex-governador Sergio Cabral do Rio? Cabral reformou o Maracanã por mais de um bilhão de reais, mas não pegou só a joia como propina, pois cobrou também 5% no caixa-2 da Andrade Gutierrez porque o governador entrou na gaveta da empreiteira Delta e não podia romper com a Odebrecht.
Pois bem, a poderosa Odebrecht, além dos escândalos em que se envolveu por subornar muitos ladrões de colarinho branco, quer devolver o Maracanã ao governo do Estado do Rio. Ainda que o estádio possa lotar, o custo de manutenção é muito alto e a TR – taxa de retorno de investimentos, não compensa.
Ora, se a poderosa Odebrecht, que deve mais de 100 bilhões no mercado e pode explodir toda a súcia de corruptos e seus apaniguados, poderia dizer o que poderá ocorrer com o Itaquerão? Claro que, por enquanto, o problema está na engenharia financeira mequetrefe, armada por Luis Paulo Rosenberg, e que gerou uma divida difícil de ser paga.
Dissemos aqui, outro dia, que a Odebrecht queria pelo menos salvar sua joia, que se chama Brasken, se isso realmente acontecesse, Marcelo Bahia Odebrecht pouparia o Itaquerão em sua delação premiada. Ocorre que a Brasken foi vendida e as dívidas do clã Odebrecht já somam 100 bilhões de reais.
Nem se cogita, por exemplo, que em função dos créditos que a empreiteira ainda tem em alguns estádios, os valores possam ser bloqueados para ressarcimento e devoluções de obras superfaturadas, além da multa de 6 bilhões que Sergio Moro quer aplicar ao grupo.
Do Maracanã, a Odebrecht não vê a hora de se livrar. Até chamou a fundação Getúlio Vargas para uma arbitragem, coisa que o Palmeiras fez com a W.Torre, outra pipa que, mais dia, menos dia também estoura.
Essa loucura lula-petista de construir estádios para a Copa e obras suntuosas para a olimpíada deixou uma herança maldita. Os puxa-sacos aceitaram tudo, fizeram críticas pontuais, e ninguém bateu forte nessa loucura de estádios, porque é mais fácil remar a favor.

O Ministério do Esporte, do ministro Aldo Rebelo, fez um balanço do custo dessa loucura dos estádios em fevereiro passado. Foram mais de 7 bilhões de reais. Vamos dar só alguns valores arredondados: Mané Garrincha -1.400 bilhão; Arena Corinthians – 1.080 bi (no cálculo de Andrés Sanchez o Itaquerão custaria 350 milhões); Maracanã – 1.080 bi (custou bem mais). Paremos por aqui.
Voltemos à Odebrecht: ela rompeu com a AEG – empresa que tinha a permissão de exploração de eventos no Maracanã e só contabilizou prejuízos.
Agora perguntamos – a Odebrecht, Delta, cujo presidente é bonzinho porque paga propina a governador com anel de ouro e diamante, quanto recebeu por seus serviços até hoje? Quanto recebeu a Andrade Gutierrez por seu trabalho? Ela fez delação premiada e puxou a careca de muita gente.
O próprio governador Sergio Cabral tentou fazer cara de paisagem quando o governo da União decretou a idoneidade da Delta, mas depois devolveu o anel de ouro e brilhante, que custou 800 mil reais. Claro que a joia da primeira dama carioca (será que é isso mesmo) foi posta na conta das obras do Maracanã. Cavandish, apesar do ato corrupto que praticou, fez bem em denunciar essa propina.
Por sua vez, a Odebrecht não tem outra saída, se não denunciar tudo. Quem levou propina precisa ser desmascarado e o dinheiro devolvido, era da estatal ou dinheiro subsidiado pelo BNDES. Era dinheiro público e, mais do que isso, pertencia ao patrimônio de todos os trabalhadores, pois em todos os estádios tem dinheiro do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – e outros recursos daquele fundo, além do PIS.
Pior é que no FAT – uma parte da representação com direito a voto na aprovação dessa bolsa empresário – era composto por líderes sindicais, indicados pelas centrais com maior densidade e força política na bajulação dos poderosos.
A pipa da Odebrecht é grande. Suas empresas – Jequitibá, OPI – Odebrecht Participações e Investimentos e a empresa-mãe – Odebrecht. Estão atoladas até o pescoço nessa aventura do Itaquerão.
Claro que a OPI ainda pode se safar porque vendeu 350 milhões de reais em debêntures, tendo o Corinthians como cedente. O contrato vai de 2014 a 2021. São sete anos de remuneração pelo CDI, hoje em torno de 14% ao ano. Se a OPI é credora, é sinal de que a conta irá para o Corinthians pagar.
Até lá, muita água suja pode correr por baixo do mármore grego lá do Itaquerão. O que resta saber é se os gênios do Corinthians cobrarão uma posição da Odebrecht. Ora será que vão fazer como fizeram no Maracanã?





































































































































