ESPECIAL PAULISTÃO: Invasão canina, "tiki taka" e Santos campeão

O Audax foi a grande surpresa do campeonato ao chegar na final e quase tirar o título da Vila Belmiro

O Audax foi a grande surpresa do campeonato ao chegar na final e quase tirar o título da Vila Belmiro

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Campinas, SP, 25 (AFI) – Assim como na maioria das vezes, o troféu do Campeonato Paulista de 2016 ficou com um dos quatro grandes, mas por muito pouco ele não foi parar na cidade de Osasco. Apresentando um futebol semelhante ao do Barcelona – na forma de jogar -, o Audax esteve próximo de evitar o bi do Santos, que faturou seu quinto título nas últimas sete edições. Nesta temporada também chamou a atenção o número de times rebaixados: seis.

Sob a batuta de Dorival Júnior e apostando no trio formado por Gabigol, Ricardo Oliveira e Lucas Lima, o Santos teve um desempenho praticamente impecável na competição e fez por merecer seu 22º título estadual. Na primeira fase, terminou na liderança isolada do Grupo A com 32 pontos e depois passou pelo São Bento nas quartas. A partir daí começou a encontrar mais dificuldades.

O Santos sofreu, mas faturou o bi do Paulistão ao bater o Audax na final depois de dois jogos emocionantes

O Santos sofreu, mas faturou o bi do Paulistão ao bater o Audax na final depois de dois jogos emocionantes

Na semifinal, em partida única realizada na Vila Belmiro, Santos e Palmeiras reeditaram a decisão do ano passado e os alvinegros levaram mais uma vez a melhor: 2 a 2 no tempo normal e 3 a 2 nos pênaltis. O adversário da final foi o Audax, mas se engana quem pensa que o Peixe encontrou facilidades. Empate de 1 a 1 no José Liberatti e uma vitória magra por 1 a 0 na Baixada Santista, para festa dos mais de dez mil torcedores presentes no “Alçapão”.

Apontado como um dos favoritos ao título depois de fazer a melhor campanha na fase de grupos – 35 pontos em 15 jogos -, o Corinthians aplicou 4 a 0 no Red Bull Brasil nas quartas de final, mas acabou sendo surpreendido na semi pelo Audax em pleno Itaquerão. No tempo normal, os times empataram em 2 a 2 e nas penalidades o Timão foi derrotado por 4 a 1, dando adeus a chance de faturar o Paulistão depois de três anos.

DECEPÇÕES E SURPRESAS

O Paulistão deste ano foi marcado também por muitas surpresas e decepções. Inconstantes, os poderosos São Paulo e Palmeiras quase conseguiram ficar fora das quartas de final. Apesar de ter passado em primeiro no Grupo B, o Verdão somou apenas dois pontos a mais que os eliminados Ponte Preta e Ituano. Já o Tricolor foi o vice-líder do Grupo C, atrás do Audax. A decepção seria ainda maior na fase seguinte, mas isso será falado daqui a pouco.

Outra decepção, se não a maior, vem de Campinas. Após os dirigentes falarem que o elenco havia ser montado para brigar pelo título, a Ponte Preta fez uma campanha muito aquém do esperado e conseguiu ficar de fora das quartas de final, algo que não acontecia desde 2010. Pior… A Macaca, em certos momentos do campeonato, figurou na zona de rebaixamento e só foi conseguir respirar na penúltima rodada.

Sem chutões e apostando na posse de bola, o Audax foi a grande surpresa do campeonato

Sem chutões e apostando na posse de bola, o Audax foi a grande surpresa do campeonato

Mas não só de decepções viveu o Paulistão 2016. Teve também coisa boa… Com uma forma de jogar inovadora para o futebol brasileiro – baseado no toque de bola e sem dar chutão, fazendo lembrar o “tiki taka” do Barcelona -, o Audax foi a sensação do campeonato. Líder do Grupo C, o time comandado por Fernando Diniz aplicou 4 a 1 no São Paulo nas quartas de final e depois eliminou o Corinthians nos pênaltis em plena Arena Corinthians. Na final, como foi falado anteriormente, jogou de igual para o Santos, mas acabou ficando com o vice.

Outros times modestos também merecem destaque pelo que fizeram no Paulistão. Em um grupo bastante equilibrado, o São Bernardo conseguiu deixar para trás a tradicional Ponte Preta e avançou às quartas de final, sendo eliminado pelo Palmeiras. Já o São Bento, que também caiu nas quartas, diante do campeão Santos, conquistou o Título do Interior por ter feito a melhor campanha entre os clubes com exceção dos quatro grandes.

LUTA CONTRA O REBAIXAMENTO

Para deixar o Paulistão com apenas 16 clubes em 2017, a Federação Paulista de Futebol (FPF) alterou a fórmula e decidiu que os seis clubes com as piores campanhas na primeira fase seriam rebaixados à Série A2. A decisão acabou deixando muitos dirigentes irritados, mas todos concordaram e depois não puderam mais voltar atrás.

Assim como a briga pela classificação, a luta contra o rebaixamento foi emocionante do começo ao fim e teve time tradicional escapando apenas nas últimas rodadas, casos de Ponte Preta. Já outros, como o XV de Piracicaba, não tiveram a mesma sorte e vão disputar a Série A2 do ano que vem. Ao lado do Nhô Quim, caíram Oeste, Capivariano, Água Santa, Mogi Mirim e Rio Claro. Desses, os três últimos eram integrantes do Grupo D, que tinha ainda Corinthians e Red Bull Brasil.

CURIOSIDADES!

Alguns fatos curiosos aconteceram durante o Paulistão, principalmente na fase de grupos. Em partida válida pela 11ª rodada, entre Oeste e Capivariano, um cachorro entrou no gramado durante o jogo e por muito pouco não mordeu o atacante Ricardo Bueno, que tentou pegá-lo no colo. O fato gerou muitas risadas e o “invasor” foi tirado pelo gandula na sequência, voltando para as arquibancadas do Estádio dos Amaros.

Wellington Paulista comemora um dos sete gols marcados pela Ponte sobre o Água Santa na maior goleada do Paulistão

Wellington Paulista comemora um dos sete gols marcados pela Ponte sobre o Água Santa na maior goleada do Paulistão

A média de gols do campeonato foi de 2,58 por partida – 387 em 150 jogos realizados – e quem contribuiu bastante para isso foi a Ponte Preta, que aplicou 7 a 2 no Água Santa em confronto válido pela 14ª rodada, no Moisés Lucarelli. Neste duelo, o atacante Wellington Paulista balançou as redes quatro vezes e quase brigou pela artilharia, que terminou ficando nas mãos de Roger. Com a camisa do Red Bull Brasil, o experiente jogador marcou 11 gols, três a mais que Alecsandro (Palmeiras) e Rodrigo Andrade (Audax).

Outro fato curioso é que na quarta rodada houve quatro mudanças de treinadores – Evaristo Piza, Vinícius Eutrópio, Luis dos Reis e Marcelo Veiga foram demitidos de Capivariano, Ponte Preta, Rio Claro e Botafogo, respectivamente. Depois, aconteceram mais três quedas – Marcelo Oliveira no Palmeiras, Toninho Cecílio no Mogi Mirim e Márcio Ribeiro no Água Santa.