Após boa temporada, Paulo Roberto projeta futuro no São Bento

O técnico, um dos mais vitoriosos na história centenária do clube de Sorocaba, completou em 2016, a marca inédita de 3 anos no comando

O técnico, um dos mais vitoriosos na história centenária do clube de Sorocaba, completou em 2016, a marca inédita de três anos no comando

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Sorocaba, SP, 26 (AFI) – O treinador do Esporte Clube São Bento, Paulo Roberto Santos, descansa e aproveita a folga de fim de ano para curtir a família no Rio de Janeiro, em sua casa no Recreio dos Bandeirantes, durante as festas natalinas, já se preparando para a passagem de ano novo, em Búzios.

O técnico, um dos mais vitoriosos na história centenária do clube de Sorocaba, completou em 2016, a marca inédita de três anos no comando do Azulão de Sorocaba. Um recorde.
O técnico teve um ótimo aproveitamento no clube, em competições de alto nível, de 59,8%. – foram 115 pontos ganhos, em 64 partidas, média de 1,79 pontos por jogo, comandando o São Bento.

Foram 31 vitórias, média de 10 por ano, 22 empates, média de 7 por ano, e 11 derrotas, média de pouco mais de 3 por ano. Sob seu comando, o clube de Sorocaba marcou 79 gols nas três temporadas, média de 26,3 por ano, e 47 gols sofridos, média de 15,6 gols por ano,

Mas números à parte, o treinador concedeu entrevista ao Futebol Interior, onde “abriu o jogo”. Falou da temporada de 2016, das dificuldades, das conquistas, do quinto lugar no Paulistão, do terceiro lugar no Brasileiro da Série D, do acesso para Série C, avaliou o elenco, o planejamento para 2017. Paulo Roberto comentou ainda as propostas que teve para deixar o clube, se está se preparando para esse dia quando pode deixar o Azulão, como fez um dia no Rio Claro, depois vários sucessos e acessos. Confira:

FI – Avalie a participação do clube no Paulistão de 2016?
Paulo Roberto –Em 2016 tivemos um planejamento bem executado pelos atletas, onde obtivemos sucesso, tanto que no Paulistão os resultados foram de acordo com o que se planejou. Passo a passo os objetivos foram sendo alcançados, livrando o clube da degola (rebaixamento), onde seis equipes eram fadadas ao rebaixamento; depois brigamos por uma situação de passar para a fase seguinte, e posteriormente para passar e buscar a vaga no nacional da Serie D, na vitória contra o São Paulo em Sorocaba. Isso Foi obtido somente graças ao entendimento dos atletas e ao apoio da diretoria.

FI – E na Serie D do Brasileiro, surpreendeu?
Paulo Roberto –
Sabíamos (no Brasileiro), que poderíamos brigar pela vaga na Serie C. Como ocorreu, mas sabemos que não foi o planejamento ideal; alcançamos nossos objetivos e tivemos bons resultados. Mas foi um planejamento que eu não repetiria numa equipe onde visássemos um acesso. Por isso acho que neste ano (2017), na Série C, precisamos de um planejamento totalmente diferente da Serie D. No futebol acho muito difícil um milagre, dois eu acho impossível.

FI – E as propostas para sair do clube em 2016?
Paulo Roberto –
Na realidade as propostas para eu sair aconteceram e, em todas as vezes, minha primeira atitude foi procurar a diretoria do clube e colocar o que estavam ocorrendo isso em todas situações. Em todas as conversas com a diretoria, achamos por bem dar sequencia ao trabalho. Em momento nenhum minha permanência foi definida por questões financeiras, até pelo contrário, porque as propostas que me chegaram eram superiores ao clube, mas mesmo assim sempre achávamos que o importante era dar sequencia ao nosso trabalho.

FI – Mas e o futuro ? Paulo Roberto fica no clube?
Paulo Roberto –
Sabemos que uma hora as coisas podem acontecer de forma diferente (sua saída do clube). Eu tenho essa consciência, os dirigentes também tem. Mas até a gora nossa preocupação é dar sequencia a esse trabalho. Por enquanto, temos um compromisso apenas verbal com o clube até o final da Série C. Esse compromisso não se tornou uma realidade em termos de documentos a renovação de contrato, vamos aguardar mas deveremos definir isso para não termos problemas nas sequencia. Pelo lado profissional esperamos surgir alguma situação que seja boa para nós e a diretoria vai saber entende isso no momento.

O técnico, um dos mais vitoriosos na história centenária do clube de Sorocaba, completou em 2016, a marca inédita de três anos no comando do Azulão

O técnico, um dos mais vitoriosos na história centenária do clube de Sorocaba, completou em 2016, a marca inédita de três anos no comando do Azulão

FI – Você tem uma carreira de conquistas como treinador e sempre buscou espaço num clube médio ou grande, como você vê esse mercado?
Paulo Roberto –
Quanto ao espaço e oportunidades em times maiores, para treinadores de times menores que fazem grande trabalhos, não somente no meu caso, mas como de outros treinadores, vejo uma incoerência no momento das escolhas muito grande que faz parte no futebol brasileiro. São vários exemplos em clubes e em até na Seleção Brasileira.

Temos trabalhado sempre sonhando e pensando numa chance numa equipe maior, sem desmerecer o São Bento que é uma grande agremiação. Mas todo profissional trabalha pensando em progredir mais. Hoje essa incoerência faz parte do futebol. Há fatores obscuros que em alguns momentos que determina a escolha de um determinado profissional para uma determinada agremiação. Todos nós sabemos disso e não falo só por mim mesmo.

Vejo outros grandes treinadores fazendo grandes trabalhos em equipes menores há algum tempo e que não tiveram oportunidades em equipes maiores, e profissionais com menos resultados no trabalho já tendo essa oportunidade o que é incoerente para nós que estamos no futebol há muito tempo.

FI – Sobre o elenco de 2017, avalie gol, os definidores…
Paulo Roberto –
No gol estamos bem servidos. Além de dois ótimos goleiros, Jeferson e Rodrigo Viana, trouxemos o Andrey que defendeu a seleção brasileira no Panamericano, time comandado pelo Galo, e foi reserva do Jefferson no Botafogo-RJ e chegou a jogar no Brasileiro contra o Santos. Em relação ao homem-gol, contratamos o Ricardo Bueno,um artilheiro que dispensa comentários e se apresenta dia 3 (de janeiro) já fez todas avaliações, entre outros bons nomes como o próprio Jobinho que é outro goleador que veio para somar.

FI – E quando à zaga do São Bento, mantida para 2017 e esse ano e que foi um dos destaques em 2016?
Paulo Roberto –
Em relação à defesa volto a dizer, que não é a defesa do São Bento que é forte, mas a entrega e e aplicação do time quando perde a bola, que faz com que a defesa nossa, que é de qualidade, seja menos exigida.mais protegida quando o adversário está com a posse de bola.

Na minha visão, osegredo de uma boa defesa, não é os atletas mas o comprometimento dos atletas com o coletivo quando não tem a bola. Em analiso essa situação (defesa de um time de forma diferente) e vejo um time com sistema defensivo equilibrado se o coletivos estiver voltado para a parte defensiva sem a posse de bola.

FI – O Corinthians viveu há pouco tempo, o que a imprensa chamou de “Tite-dependência”, e depois da sua saída o clubenão mais se encontrou. Você está há três anos no clube de Sorocaba. O São Bento teria hoje uma “Paulo Roberto-dependência” e está preparado para uma saída sua hoje?

Paulo Roberto – Vamos para a quarta temporada no clube em 2017, e no momento que tivermos que sair, por qualquer situação que seja, acredito que poderá parecer que as coisas não sejam tão normais. Mas por outro lado, é um fato comum no futebol, a entrada e saída de um treinador.

O que não é comum no futebol brasileiro, é um treinador dirigir uma equipe por três, quatro cinco competições seguidas. Não é a realidade. Mas todas equipes no futebol brasileiro aprenderam a conviver com isso (entra e sai de treinadores).

É lógico que o clube (São Bento), está acostumado com nossa filosofia de trabalho e às vezes é difícil, e demora para as duas partes se entenderem. Um entenda a parte profissional da outro. Mas com o passar do tempo as coisas vão se encaixando.

FI – Mas você está se preparando para esse dia (saída do clube) ?
Paulo Roberto –
Hoje, não me passa pela cabeça esse tipo de situação. Porém, o importante nos clubes que você passa, é você não somente passar, mas acrescentar e deixar algo de positivo ali. Eu tenho certeza que quando ocorrer nossa saída do São Bento, vamos deixar amigos, principalmente na diretoria, e algo de positivo na história do clube.

O importante é plantar algo para que num futuro próximo, aquela planta se torne uma colheita positiva e é o que estamos tentando fazer em todos os clubes que passamos e principalmente nos que nos dão condições de trabalhar e sequencia da trabalho, deixando algo de positivo quando sair.