Corinthians acerta refinanciamento de dívida e Itaquerão vai custar R$ 2 bilhões
Apesar do estádio ter ficado mais caro, os dirigentes comemoram, pois, entendem que poderão administrar as finanças mais facilmente
Apesar do estádio ter ficado mais caro, os dirigentes comemoram, pois, entendem que poderão administrar as finanças mais facilmente
São Paulo, SP, 13 – Sem pagar o financiamento do Itaquerão desde maio do ano passado, o Corinthians, enfim, chegou a um acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF) para retomar o pagamento das mensalidades da arena cujo custo, agora, será de cerca de R$ 2 bilhões. Com o novo contrato, a ser sacramentado nos próximos dias, o clube vai demorar mais tempo para quitar o estádio. No entanto, arcará com um valor mensal menor.
O Corinthians pagava R$ 5 milhões por mês e passará a despender pouco mais de R$ 3 milhões. O prazo do financiamento sobe de 12 para 20 anos e o valor total vai aumentar, em decorrência dos juros. Antes do novo acordo, a dívida estava na casa dos R$ 1,6 bilhão.
Além da alteração no valor da parcela e do prazo de pagamento, o clube também tentou mudar o item contratual pelo qual toda a renda obtida em jogos do Corinthians na arena tem de ser revertida para o fundo que administra as contas do Itaquerão. Não conseguiu. Assim, continua sem poder utilizar o dinheiro da bilheteria.
PARA CELEBRAR
Os dirigentes comemoraram o acerto. O estádio ficará ainda mais caro, entretanto eles entendem que ganharão fôlego para administrar as finanças do clube e conseguir honrar os pagamentos em dia.
No ano passado, ocorreram atrasos na quitação de salários, pagamento de transferências e do próprio financiamento da arena. Em maio, o Corinthians suspendeu os pagamentos, entrou em contato com a Caixa e solicitou novo acordo.
Os atuais dirigentes alegam que a dificuldade em honrar todos os compromissos se deve em grande parte a dívidas antigas, deixadas pelos últimos presidentes, que eram da mesma chapa do atual mandatário, Roberto de Andrade – a crise política fez com que se afastassem. Só a contratação do atacante Alexandre Pato obrigou a atual diretoria a pagar R$ 5 milhões.
Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, revelou no ano passado que o clube chegou a se ver obrigado a tirar dinheiro do futebol para pagar o estádio, o que não deveria ocorrer.
Uma auditoria independente está sendo realizada para o clube saber exatamente o que foi feito pela Odebrecht e o que resta para a arena ser concluída. A construtora admite que não entregou 100% da obra e alega ter usado parte do dinheiro então disponível para outras intervenções no local que custaram mais do que o esperado.
REJEIÇÃO
A dificuldade em conseguir pagar a arena passa pelo fracasso nas negociações do “naming rights” do estádio. Os dirigentes disseram diversas vezes, ainda enquanto o Itaquerão estava sendo construído, que venderiam o nome rapidamente, mas as diversas notícias negativas sobre a obra – acidentes, alguns com mortes, possível envolvimento na Operação Lava Jato, etc – afastaram o interesse de várias empresas em ligar a sua marca ao estádio.
Em 2016, o Corinthians ficou muito próximo de fechar o “naming rights”, mas não conseguiu obter garantias financeiras da empresa com a qual negociava. No momento, não existe nenhuma negociação.
Em 25 de outubro passado, o jornal O Estado de S.Paulo publicou uma entrevista com Andrés Sanchez em que ele admitia estar disposto a aceitar um valor bem menor do que o esperado para poder fechar o “naming rights”. “Se chegarem com uns R$ 300 milhões ou R$ 200 milhões, eu aceito. O que pagarem a gente fecha (o Corinthians insistiu por muito tempo em R$ 400 milhões)”, disse.





































































































































