Não fosse o juizão ignorar pênalti claro, seriam quatro na sacola do Palmeiras
Foi seguramente a melhor atuação da Ponte Preta nos últimos dois anos
Não fosse o juizão ignorar pênalti claro, seriam quatro na sacola do Palmeiras
Passei parte da semana propondo discussão sobre aquilo que a Ponte Preta precisaria fazer para inicialmente neutralizar o time do Palmeiras, e depois ainda buscar alternativas para a vitória, visto que o foco de parte significativa dos parceiros pontepretano era trocar insultos com bugrinos, desconsiderando que o seu clube é semifinalista do Campeonato Paulista.
Pois o treinador pontepretano Gilson Kleina queimou fosfato diuturnamente nos últimos dias. Pensou e colocou em prática com extrema sabedoria aquilo que deveria ser feito. Assim, deu uma ‘sova’ em seu adversário Eduardo Baptista, que caiu numa armadilha e saiu do Estádio Moisés Lucarelli, neste domingo, com derrota por 3 a 0.

E mais: considerando-se o alto índice de aproveitamento do atacante Potkker em cobranças de pênaltis, se o juizão Marcelo Aparecido de Souza não fizesse vista grossa em pênalti claríssimo do goleiro palmeirense Fernando Prass sobre o pontepretano, o chocolate seria de 4 a 0, e a fatura estaria praticamente liquidada, com a Ponte na final.
O que fez Kleina? Como recomendável, fixou Potkker pelo lado direito do ataque sobre o veterano Zé Roberto.
CLAYSON
O surpreendente é que Kleina deixou Clayson solto em campo, ora com papel de organizador, ora como condutor de bola por dentro.
Como a malha de marcação da Ponte funcionou conforme foi treinado, Clayson se incumbiu de desorganizar defensivamente o time palmeirense, ao explorar claros buracos na meiúca. Isso porque tanto Tchê Tchê como Guerra se preocuparam mais em atacar, sobrecarregando Felipe Melo.
Como o lateral-direito Jefferson se encarregou de neutralizar as infiltrações de Dudu pelo lado esquerdo, restou ao Palmeiras a tentativa de repetir a manjada jogada de quem recebe a bola no ataque faz a parede e a devolve ao homem que vem de trás.
ANTECIPAÇÃO
Pois Kleina também marcou essa jogada, como de certo condicionou seu time para antecipação.
Ao longo desta temporada, jamais a Ponte Preta alcançou índice tão alto de antecipação de jogadas.
E após a antecipação, a Ponte soube fazer a transição em velocidade, levando seguidamente a bola até as imediações da área palmeirense.
Agregando esses valores, clara está que a Ponte realizou sua melhor partida nos últimos dois anos. Jamais nas mãos de Eduardo Baptista, ano passado, o time pontepretano teve atuação tão soberba como neste domingo.
COMO REPETIR?
Difícil será a Ponte repetir uma atuação de gala como esta. Se repetir, passa pelo Palmeiras e só um desastre tira-lhe o título da competição, quer seja contra o Corinthians, quer seja contra o São Paulo numa eventual finalíssima.
Evidente que é preciso ir devagar com o andor porque o santo é de barro.
A instabilidade da Ponte Preta ao longo do Campeonato Paulista não assegura afirmar sequer que a vantagem de três gols lhe dá todas as credenciais para eliminar o Palmeiras no jogo de volta, em São Paulo.
Enquanto isso não acontece, cabe ao torcedor pontepretano passar a semana saboreando a goleada, a começar pela segurança do miolo de zaga que ganhou quase todos os chuveirinhos do Palmeiras, visto que não havia brecha para penetração.
A valorização de saída de bola da Ponte começou com o volante Fernando Bob, que, enfim, reeditou memoráveis atuações da última passagem por Campinas.
FELIPE MELO
Propositalmente, jogadores da Ponte deixaram o volante palmeirense Felipe Melo livre para receber a bola, convictos que ele a alongaria. E nessas bolas alongadas, o time campineiro se sobressaía.
Tudo foi bem planejado e executado com extrema obediência pela boleirada pontepretana, a começar pela marcação alta e dois gols nos primeiros dez minutos de jogo – através de Potkker e Luca -, que anestesiaram o adversário.
Aí, os jogadores se revestiram da necessária confiança, tocaram a bola com sabedoria, e,em falha gritante de Zé Roberto, Jefferson fez o pontepretano explodir de alegria com o terceiro gol, ainda durante o primeiro tempo.
Pra arrematar, nunca é demais repetir: não fosse o juizão, seriam quatro na sacola palmeirense.





































































































































