É a globalização, seo estupido! A Copa com 48 é cópia do Paulistinha
– “É a economia, seo estúpido”, disse James Carville, marqueteiro de Bil Clinton em sua campanha eleitoral. Esta definição nos permite recorrer a outro mote – é a globalização, companheiro – quando a FIFA anuncia que a Copa de 2026 será disputada com 48 seleções em três países.
Isso tudo nos remete à campanha que uma elitizinha rastaquera fez contra os campeonatos regionais, especialmente o paulista. O mote era sempre o mesmo: “campeonato paulista é um atraso. Muitos clubes, e os pequenos vivem dos grandes”.
De certo modo sim, mas o fato é que o nosso futebol era mais forte, tanto é verdade que sempre tínhamos mais jogadores na seleção e os paulistas ganhavam títulos, revelavam jogadores, vendiam o que podiam vender, mantinham certa hegemonia no cenário nacional. E hoje o que acontece? Deixamos de ocupar espaços na Libertadores e a maioria dos nossos times está com enormes déficits e se reforçam com os jogadores que foram ganhar dinheiro lá fora e depois fecham suas aposentadorias aqui.
Com a Lei Pelé, a coisa ficou pior. Nossas comodities – jogadores – vão embora, os empresários lucram milhões, montam-se lavanderias de dinheiro e qualquer moleque só fala em jogar lá fora.
Pois bem, mas voltemos à Copa de Infantino: 48 clubes em três países? Por quê? E os críticos do paulistinha, por exemplo, não falam nada? Pouca gente tomou posição contra isso. Sinal de que a maioria dos críticos pratica desonestidade cultural. Não custa pesquisar as razões, sem culpar ninguém, porque cada um deve prestar contas ao tribunal de sua própria consciência. Mas pode-se observar o seguinte:
1- A globalização do futebol nos fez súditos e serviçais do futebol internacional. Para entender isso basta sintonizar as tevês: passa mais futebol de fora do que o nosso futebol cabloco.
2- As televisões pertencem a grupos internacionais, com poucas exceções, mas mesmo esses canais são generosos com o futebol de fora, ainda que o preço dos direitos de transmissão seja caro.
3- Temos aqui várias mídias de grupos internacionais. Até inventam competições para preencher suas grades de programação. A Copa Sul americana é um exemplo disso. E tome Libertadores, com timecos por essa América espanhola e tudo baixo.
4- A Copa do Brasil foi uma saída – o aumento de clubes – para completar a grade de programação com times de nível muito baixo.
5- Assim, ocorre uma overdose de futebol. Jogos bons e jogos ruins. Aqui, nosso futebol se enfraquece porque nossa mão de obra – jogadores – vai embora mais cedo para a Europa. Reforçam os times de lá – até Ronaldo Gorducho resolveu investir no mercado da China – montam suas grades televisivas, vendem produtos feitos na Ásia, com custos de produção mais baratos – e nossos jovens compram e usam por força da maciça propaganda.
6- A mídia por sua vez, principalmente, aqueles críticos dos nossos regionais, ficam na muda. Afinal, trabalhar para o capital internacional, mesmo sendo esquerdista de carteirinha – faz parte da vida, mas não deixa de ser uma contradição.
7- o pior é que vivem defendendo a adaptação aos calendários europeus numa incansável sabujice e servilismo à globalização que aí está. Como dizia o sociólogo polonês Zygman Baumann, recentemente falecido, que “a modernidade se faz no ritmo rápido das mudanças, e, assim, sob a égide do estado líquido, tudo se explica. Afinal, tudo é movimento”. Modernidade, sim. Sabujismo, não.
8- E assim caminha o nosso futebol. Vítimas da Lei Pelé, vítima dos empresários e no fim todos passam o chapéu nos cofres públicos. Lembram-se do Bom-Senso: criou algumas garantias à elite do futebol e deu azas a mais um Refis – o da Copa. O FGTS dos trabalhadores também foi para o saco sem fundo (parcelamento) dos clubes. E esquerda de salão, dos coquetéis, e pregações pela inclusão social não estão nem aí.
9- Cadê aqueles que criticavam o inchaço dos campeonatos? A FIFA não merece nenhuma crítica, só de Tostão? Sejam coerentes. Copa com 48 seleções é uma cópia piorada do nosso paulistinha, tão criticado por uma elitizinha rastaquera. Como dizia um pressuposto marxista “tudo que é sólido desmancha no ar”. Os críticos do Paulistinha desmancharam-se no ar de suas falsas convicções. Afinal, são serviçais do futebol internacional e rezam na cartilha da globalização.





































































































































