Chega, Américo Pisca-Pisca: nosso futebol está cansado
Esse pretenso reformador do mundo julga-se latifundiário da verdade, quase um Steve Jobs do mundo louco da bola.
Esse pretenso reformador do mundo julga-se latifundiário da verdade, quase um Steve Jobs do mundo louco da bola.
A chanchada do TSE – Tribunal Superior Eleitoral – apesar de resgatar o personagem de Monteiro Lobato – o Américo Pisca-Pisca – com todo aquele contorcionismo verbal de Gilmar Mendes, o jurista de Diamantino, lá do alto do Estado de Mato Grosso, provou também que certos processos judiciais têm capa e uma couraça de titânio, que represam as provas contundentes e sepulta-as no cemitério dos interesses inconfessáveis, além de envergonhar as carpideiras que, falsamente, choram com a morte da democracia.
O autor final dessa chanchada pisoteou a lógica jurídica, revoltou a sociedade, mas nos trouxe de volta um personagem perdido nas brumas da história e pedimos licença para transportar para este espaço o Américo Pisca-Pisca para o nosso futebol. Sempre vítima de chanchadas, de oportunistas, vigaristas e falsos renovadores.
BOTA DEFEITO EM TUDO
O clã do Américo Pisca-Pisca bota defeito em tudo e acha que a natureza só fez besteiras. Esse pretenso reformador do mundo julga-se latifundiário da verdade, quase um Steve Jobs do mundo louco da bola.
Existe algo errado? Lá vem o nosso Américo Pisca-Pisca. Dá a fórmula e ai de quem discordar. Logo leva no meio das fuças o rótulo de atrasado, conservador e sabotador da evolução e do progresso.
Só que o clã do Américo Pisca-Pisca é indutor, a pretexto de inovações, produziu alguns atrasos e outros problemas mais sérios que atrasaram o nosso futebol.
Querem exemplos? Vamos enumerá-los – e não será uma lista enorme. Só os fatos que merecem ser registrados agora. Vamos lá:
A Constituição Cidadã, Américo Pisca-Pisca, botou lá o artigo 217 – item 1 – que é livre a organização de entidades de dirigentes (CBF e federações) e associações (clubes). Isso foi capitaneado por Márcio Braga e seus bajuladores de sempre e alguns expoentes da mídia.
DAR TAPA E ESCONDER A MÃO
Ora, se deram liberdade prá cartolagem, combater os caras hoje está certo, mas exige-se uma autocrítica dos autores que apoiaram o crime da organização e funcionamento do futebol sem controle algum de um poder maior.
Por isso, xingar cartola agora é a mesma coisa que dar uma tapa e esconder a mão. O clã dos Américos Pisca-Piscas errou e não assume seu erro. Isso chama-se desonestidade intelectual.
O clã dos Américos Pisca-Piscas sempre pregou campeonatos regionais mais enxutos. Claro que tem campeonato por aí que não vale nada, mas não se pode generalizar. Hoje, o campeonato Paulista virou Paulistinha, mas quando ganha um time do coração de um Américo Pisca-Pisca, o campeonato é bom e ponto final.
Se pregaram campeonatos regionais mais enxutos, quando se formavam bons times no interior e revelavam-se muitos jogadores, abriram espaço para competições ridículas como a Copa Sulamericana – fruto de um compromisso de uma rede poderosa de televisão brasileira para quitar uma dívida com Rupert Murdoch (dono da Fox). Copa Sulamericana vale o quê?
JOGO DE INTERESSES
Ah, dá vaga para a Libertadores. Ora, Libertadores era ótima quando tínhamos times do nível do Boca, River, Penãrol, Nacional e etc. Hoje o que não falta é timeco do Cone-Sul e assim mesmo nós apanhamos deles. Uma vergonha.
A Copa do Brasil, apêndice com a história de uma vaga na Libertadores, é disputada por times sem expressão. No tempo da ditadura, a CBD botava um time na Nacional onde estava mal o partideco da Arena. Lembram-se do slogan? Aonde a Arena vai mal, um time no Nacional.

A Copa do Brasil, além de preencher a grade de programação da tevê genérica da ex-poderosa Plim-Plim (ela só entra na fase com boa audiência) quebra o galho, reforçando a imagem esportiva de sua holding.
Não está fácil garantir audiência, não só porque o nível do nosso futebol está ruim, mas porque a concorrência virou canibalismo midiático. A Plim-Plim, então dona do futebol, agora tem uma forte concorrência de pesados grupos econômicos de fora como a ESPN (EUA), Fox (grupo Murdoch) e Esporte Interativo (EUA).
Como não tem espaço para todo mundo, cada um se mexe como pode. Isto sem falar nos campeonatos europeus, que criaram novas torcidas em nossas televisões. É a globalização, seu estúpido! – dizia James Carville numa campanha eleitoral nos EUA. Américo Pisca-Pisca está na sua. Afinal, pouco peixe, meu pirão primeiro! E o mercado de trabalho da mídia está cada vez mais restrito.
CALENDÁRIO IGUAL EUROPEU É PIADA
Os Américos Pisca-Piscas ainda querem adaptar o calendário brasileiro ao calendário europeu. Ah é, babaquaras? Vocês vão trabalhar no exterior?
A Lei Pelé, outra grande conquista dos Américos Pisca-Piscas, matou a base de formação nos clubes. E quem tem potencial vai embora logo e os clubes recebem um pedaço de pizza. Os empresários deitam e rolam. Estão cada vez mais ricos, graças à Lei Pelé.
Claro que, às vezes, dá zebra. Tem empresário condenado pela Justiça e muita gente ainda vai ver o sol nascer quadrado. Afinal, o crime de lavagem de dinheiro hoje dá cadeia. Quem viver, verá.
Paro por aqui. Nosso futebol está cansado desses reformadores de araque. O assunto é extenso. Isto sem falar na roubança das Arenas; nos clubes questão quebrados e também no Refis da Copa, onde enterraram milhões e milhões do FGTS – dinheiro da classe trabalhadora.
O silêncio também é crime. Acorda, Américo Pisca-Pisca!
P.S. Américo Pisca-Pisca ainda tem muito o que falar. Voltaremos ao assunto. E obrigado, Monteiro Lobato.





































































































































