Clássico entre Palmeiras e São Paulo retrata frustrações da temporada
Equívocos no planejamento não são problemas somente dos rivais paulistas, como aconteceu nesse ano
Equívocos no planejamento não são problemas somente dos rivais paulistas, como aconteceu nesse ano
São Paulo, SP, 27 – Quando as diretorias de Palmeiras e São Paulo começaram a planejar a temporada, nem os mais pessimistas dos torcedores rascunharam a situação atual dos times na temporada. Os dois clubes fazem clássico neste domingo, às 16 horas, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro, na esperança de aliviar um pouco a pressão sobre as respectivas cúpulas pelos fracassos seguidos ao longo do ano. Nada ainda deu certo para Palmeiras e São Paulo em 2017.
Equívocos no planejamento não são problemas somente dos rivais paulistas. Os problemas estão espalhados pelo futebol brasileiro. De norte a sul do País, há clubes nas mesmas condições , que fazem apostas erradas, gastam o que não têm e colhem bem pouco dentro de campo.
O Palmeiras investiu mais de R$ 100 milhões em contratações de 15 reforços e tenta reagir depois de três rodadas sem ganhar e eliminações traumáticas consecutivas, a principal delas há cerca de 20 dias, na Copa Libertadores, ainda nas oitavas de final.
Resultados abaixo das expectativas para quem é o atual campeão brasileiro culminaram com acusações da torcida sobre o comando do clube. O diretor de futebol Alexandre Mattos recebeu ameaças de morte na última semana, o técnico Cuca teve a demissão pedida e o presidente Mauricio Galiotte ouviu questionamentos nos bastidores.
O Palmeiras tentou evoluir o planejamento em relação ao ano passado, mas a guinada não deu resultado. A diretoria manteve a base do elenco campeão nacional e, após a eliminação no Campeonato Paulista, demitiu o técnico Eduardo Baptista para trazer de volta o aclamado e festejado Cuca.
Sem resultados, a pressão surgiu. O próprio treinador admite a dificuldade de conseguir achar um time ideal e passar confiança aos jogadores. Nas mãos de Cuca, a equipe ainda não conseguiu uma boa sequência de resultados.
Os planos de 2017 para o São Paulo também eram ambiciosos. A eventual conquista de vaga na Libertadores do próximo ano era o mínimo nos discursos do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.
A aposta no ex-goleiro Rogério Ceni para treinar a equipe, contudo, se tornou um pesadelo para a torcida e para a própria diretoria. Sob o comando do ídolo, no primeiro semestre, o time foi eliminado do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.
Ceni foi criticado por insistir em uma formação e um elenco que não rendia em campo. Inexperiente na função de treinador, o ex-goleiro rapidamente passou a ser pressionado por vários integrantes da cúpula são-paulina.
A saída de jogadores importantes também prejudicou o time. Só em junho, o clube perdeu três atletas. A diretoria vendeu o atacante Luiz Araújo e o volante Thiago Mendes para o Lille, e perdeu o zagueiro Maicon para o Galatasaray. Isso tudo depois de já ter negociado David Neres, para o Ajax, e o zagueiro Lyanco para o Torino.
Outro aspecto que prejudicou o São Paulo foram as mudanças no departamento de futebol. A aposta do presidente em Vinicius Pinotti, ex-diretor de marketing, trouxe desconfianças pela falta de experiência dele na área. Desde maio na nova função, Pinotti passou a ser visto como um dos principais culpados pela má fase do time no Campeonato Brasileiro.
ATLÉTICO-MG E VASCO TAMBÉM PATINAM
Assim como Palmeiras e São Paulo, outros clubes também erraram no planejamento nesta temporada. Alguns ainda tentam acertar. Outros já jogaram a toalha. O último mês, por exemplo, foi melancólico para as pretensões do Atlético-MG. O time dono de um elenco formado por jogadores como Fred e Robinho passou por roteiro parecido ao do Palmeiras. Caiu nas quartas de final da Copa do Brasil e passou pelo vexame de ser eliminado na Copa Libertadores dentro do Mineirão frente ao Jorge Wilstermann, rival da Bolívia.
Apesar do título estadual, o clube admite ter se frustrado com as falhas no planejamento da temporada. A principal delas foi a demissão do técnico Roger Machado, em julho. Rogério Micale assumiu o posto e nada mudou. Experiente em categorias de base, o comandante do ouro olímpico da seleção no Rio-2016 ganhou a primeira chance de dirigir uma grande equipe profissional.
O Atlético-MG ainda sofreu com a chefia do futebol. Após a morte de Eduardo Maluf, a diretoria promoveu o responsável pela base, André Figueiredo. Mas sua gestão durou pouco. Na sexta, Domenico Behring, ex-diretor de comunicação, assumiu a pasta interinamente até o fim do ano.
De volta à elite do futebol nacional, o Vasco é outra clube que se perdeu na temporada. O presidente Eurico Miranda foi o responsável por ter criado grandes expectativas no torcedor, ao prometer brigar por títulos e formar um time eficiente. Errou em tudo. O Vasco ronda a zona da degola e luta contra a interdição de São Januário. No primeiro semestre, a equipe ficou fora da final do Estadual e foi eliminado pelo Vitória na terceira fase da Copa do Brasil. Zé Ricardo é o novo técnico.





































































































































