ESPECIAL FI: Sampaio supera desconfiança e salários atrasados para retornar à Série B

O time maranhense enfrentou alguns problemas ao longo da temporada, mas conseguiu sair da Série C com grande campanha

O time maranhense enfrentou alguns problemas ao longo da temporada, mas conseguiu sair da Série C com grande campanha

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São Luís, MA, 24 (AFI) – Depois de um rebaixamento com a pior campanha da Série B do ano passado, o Sampaio Corrêa iniciou o ano de 2017 cercado de desconfiança, mas a temporada reservou uma boa surpresa. No último sábado, o time cravou o retorno à segunda divisão com um empate por 1 a 1 com o Volta Redonda, no Castelão, após vitória por 1 a 0 na casa dos adversários, pelas quartas de final da Série C. Mas a conquista só veio depois de muita superação.

Lanterna da Série B em 2016, com apenas cinco vitórias e 27 pontos somados, a Bolívia Querida voltou para a Série C, competição que havia deixado três anos antes, ao superar o Macaé nas quartas de final. A decepção foi grande, até porque nos anos anteriores as campanhas haviam sido satisfatórias para o time recém-promovido, com a décima colocação em 2014 e a oitava em 2015.

DESCONFIANÇA
Com esse clima, 2017 começou e os primeiros passos do Sampaio deixaram o torcedor ainda mais preocupado. O time passou boa parte do primeiro turno do Campeonato Maranhense na lanterna do Grupo A e não conseguiu a classificam para as semifinais. Isso mesmo depois da chegada do técnico Francisco Diá, que foi contratado faltando duas rodadas para o fim da primeira fase.

No entanto, antes de perder um jogo e empatar outro no estadual, o treinador deu motivos para o torcedor acreditar, estreando com a classificação inédita à terceira fase da Copa do Brasil, após superar o Guarani de Juazeiro. Depois disso, teve os tropeços no estadual, mas foram seguidos da classificação e então pelo título do segundo turno e da final geral do Campeonato Maranhense.

“Esse grupo mereceu. Reverteu uma situação no Estadual, onde era lanterna e levou o título. Jogadores desconhecidos, mas conhecidos por mim. Parabéns ao presidente Sérgio Frota e a esse grupo de jogadores maravilhoso”, disse Diá após a conquista do acesso no último sábado.

Sampaio Corrêa comemorou muito o acesso à Série B. (Foto: Elias Auê / Sampaio Corrêa)

Sampaio Corrêa comemorou muito o acesso à Série B. (Foto: Elias Auê / Sampaio Corrêa)

SALÁRIOS ATRASADOS E CLASSIFICAÇÃO
Após o alívio com a conquista do estadual, chegou o mês de maio e o Sampaio começou a disputa da Série C da melhor maneira possível, com uma vitória por 2 a 1 sobre o rival Moto Club. Depois, oscilou bastante na sequência das primeiras rodadas, mas cresceu no decorrer da competição e passou a brigar sempre dentro da zona de classificação.

Quando o time começava a entrar na sua melhor fase, também começavam a se intensificar os problemas financeiros do clube. Neste ponto, a diretoria admitiu que os jogadores estavam com dois meses de salários atrasdos. No entanto, diferente de muitos clubes que passam por esse tipo de situação, a crise pareceu não interferir no desempenho dos jogadores, que conseguiam manter a Bolívia Querida nas primeiras posições da tabela.

Com salários atrasados, a equipe vinha de uma sequência de quatro jogos sem perder, com um empate e três vitórias seguidas, na vice-liderança do Grupo B. Neste momento, o presidente Sérgio Frota conseguiu um adiantamento de cota da Copa do Brasil e pagou um dos meses devidos.

“Conseguimos pagar os salários, mas ficaram pendentes alguns encargos e despesas operacionais. A luta é imensa, as despesas são altas, diárias, mas a vontade de colocar o Sampaio de volta na Série B é maior”, disse o presidente na ocasião.

No jogo seguinte, o Sampaio venceu o Fortaleza por 2 a 0, assumiu a liderança e ainda foi o primeiro time a garantir classificação para as quartas de final. Isso com três rodadas de antecedência.

Foto: Elias Auê / Sampaio Corrêa

Foto: Elias Auê / Sampaio Corrêa

LIDERANÇA E RIVAL REBAIXADO
Na rodada final da primeira fase, garantiu a liderança e ainda viu o Moto Club ser rebaixado. Aliás, o rebaixamento do rival causou polêmica, já que o Botafogo-PB, time para o qual a Bolívia Querida perdeu por 3 a 2 na última rodada, era adversário do Papão na briga contra o rebaixamento.

O Moto Club entrou em campo contra o Fortaleza dependendo apenas de suas forças para se livrar do rebaixamento, mas acabou perdendo por 1 a 0. Com isso precisava contar que o Botafogo-PB, até então vice-lanterna, ao menos empatasse com o Sampaio Corrêa. Na semana que antecedeu o jogo, o Sampaio usou as redes sociais para ironizar o fato do Moto depender de uma vitória sua.

ACESSO E NOVO OBJETIVO
Então, finalmente chegara a hora de decidir o acesso. Quis o destino que o confronto das quartas de final da Série C reeditasse um duelo dos tempos de ouro da Bolívia Querida.

O Volta Redonda, adversário da decisão, havia cruzado o caminho do time maranhense apenas duas vezes na história, quando ambos disputaram a elite do Brasileirão, em 1976 – goleada por 5 a 1 do Voltaço no primeira fase, e vitória por 3 a 1 do Sampaio na fase de repescagem.

No reencontro, os resultados foram bem diferentes. A Bolívia Querida surpreendeu o Volta Redonda, em pleno Raulino de Oliveira, e venceu o jogo de ida das quartas por 1 a 0, com gol de Zaquel. Com a boa vantagem construída fora de casa, fez um segundo jogo duro no Castelão e conquistou o acesso com o empate por 1 a 1.

Mas a temporada ainda não acabou e o time tem um novo objetivo: o título da Série C. Já está definido que o adversário das semifinais será o Fortaleza e os ´Castelões´ prometem pegar fogo.

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