Da crise ao acesso: Fortaleza acaba com calvário de 8 anos na Série C

Tricolor amargou eliminações na Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Cearense, viu a diretoria renunciar, mas se reergueu na Série C

Da crise ao acesso: Veja como o Fortaleza acabou com calvário na Série C

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Fortaleza, CE, 24 (AFI) – Foram oito anos de martírio na Série C do Campeonato Brasileiro. Em vários deles, o acesso bateu na trave. E, em alguns, até com requintes de crueldade. Só o torcedor do Fortaleza sabe o que foi este calvário que começou com o rebaixamento na Série B de 2009 até este sábado, dia 24 de setembro de 2017. A vitória no placar agregado contra o Tupi pôde, enfim, acabar com o pesadelo dos tricolores, que poderão comemorar o centenário em 2018 em uma divisão menos humilhante.

Foram oito anos com o grito entalado na garganta. Quase uma década. Os heróis do acesso sequer imaginavam que escreveriam esta página na história do Leão. Em 2009, os laterais Felipe e Bruno Melo, o zagueiro Ligger e o atacante Hiago sequer eram profissionais da bola. O técnico Antônio Carlos Zago ainda estava na transição entre a carreira como diretor-técnico do Corinthians e treinador do São Caetano.

Para que o acesso amadurecesse, antes, o Tricolor de Aço teve de superar muitas provações. Afinal, a temporada que precedia a Série C não era nada animadora. A primeira decepção foi a trágica eliminação na Copa do Brasil diante do modesto São Raimundo-PA, em 15 de fevereiro.

O poço, entretanto, era mais fundo. No mês de março, veio a eliminação na primeira fase da Copa do Nordeste. Isso em um grupo que contava com Bahia e outros dois adversários mais frágeis: Moto Club-MA e Altos-PI. Os sete pontos somados não foram suficientes para garantir a vaga às quartas.

Por fim, não conseguiu sequer chegar à final do Cearense para enfrentar a rival Ceará. A eliminação na semifinal para o Ferroviário foi o estopim para uma grave crise política no clube. Fato que acabou com a renúncia do então presidente Jorge Mota e toda sua diretoria executiva.

Fortaleza eliminado pelo Ferroviário: Vexames na Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Cearense derrubaram a diretoria do Fortaleza

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RECOMEÇO…
O Fortaleza teve apenas um mês para se reorganizar e, praticamente do zero, começar o planejamento da Série C. E tudo isso debaixo de muitos protestos de torcedores, que exigiram o acesso como uma obrigação, após tantos vexames no primeiro semestre.

Além da diretoria, a troca da comissão técnica foi outro desafio para o início da competição. Saiu Marquinhos Santos e entrou Paulo Bonamigo. Missão dada e missão não cumprida, já que o treinador ficou apenas três meses no cargo e foi desligado, após 15 jogos, com um aproveitamento de 51%. O trabalho não foi tão ruim como do antecessor, mas a pressão pelo acesso pesou.

A chegada de Antônio Carlos Zago renovou os ânimos do Leão. Afinal, o treinador vinha com um acesso recente na Série C na bagagem. Ele foi carrasco do próprio Fortaleza ao levar o Juventude à Série B, em 2016.

Antônio Carlos Zago chegou em momento de pressão: Carrasco em 2016, herói em 2017

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AOS TRANCOS!
Apesar disso, nos três jogos em que comandou o time na primeira fase, o treinador também não empolgou. A começar pelo empate na estreia contra o CSA, por 1 a 1, em casa. Logo depois, veio a derrota para o Confiança, por 2 a 0, que ligou todos os sinais de alerta no Pici.

Mesmo contando com mais de 30 mil torcedores no Castelão, a vaga saiu com sofrimento. Foram mais de 70 minutos de angústia até o gol do atacante Ronny, aos 29 minutos do segundo tempo. Explosão nas arquibancadas e alívio geral de diretoria, comissão técnica e jogadores.

DESFECHO DE OURO!
Foi tanto sofrimento, desde os primeiros jogos do Cearense até as últimas partidas da primeira fase da Série C, que o elenco tricolor parece ter ficado calejado. No duelo de ida das quartas contra o Tupi, as mais de 40 mil pessoas no Castelão, viram o Fortaleza amassar os mineiros, sobretudo, no segundo tempo.

O meia Leandro Lima e o lateral Bruno Melo marcaram os gols da vitória por 2 a 0, mas o placar poderia ter sido mais elástico. O time cearense perdeu inúmeros gols, sobretudo, por conta da falta de pontaria do atacante Hiago, que perdeu ao menos duas chances claras.

O confronto de volta em Juiz de Fora não poderia ser menos dramático que toda a trajetória tricolor. O goleiro Marcelo Boeck – que fazia parte do elenco da Chapecoense, em 2016, e escapou da morte por não ter sido relacionado – salvou o Fortaleza e garantiu o acesso.

Fim do calvário. Fim do martírio. Enfim, o torcedor tricolor poderá comemorar o centenário almejando, quem sabe, o acesso para a elite nacional depois de 12 anos.

Torcida do Fortaleza tomou as ruas da cidade e o aeroporto para receber a delegação

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