Paulista Feminino: Autora de gol na decisão, volante do Rio Preto cogitou deixar futebol

Segundo a volante, a postura das rio-pretenses foi determinante para vencer o duelo, mesmo longe de casa

Segundo a volante, a postura das rio-pretenses foi determinante para vencer o duelo, mesmo longe de casa

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Santos, SP, 09 (AFI) – O placar na Vila Belmiro marcava 1 a 0 para o Santos ainda aos quatro minutos do primeiro tempo do confronto com o Rio Preto, que definiria o título do Campeonato Paulista Feminino 2017. Foi quando a volante Jéssica acertou uma finalização por cobertura que não só igualou o marcador, mas abriu o caminho para a virada do time do interior pelo bicampeonato estadual.

“Tem coisas que a gente faz sem pensar, é natural, inconsciente. Do jeito que a bola veio ali eu só olhei para a goleira, vi que ela deu um passo à frente e eu pensei: ‘é agora a hora!’, não pensei nem em dominar. São coisas que a gente tira da cartola e que se for tentar treinar para fazer igual de novo, não sai”, comentou a jogadora, após o confronto.

Jéssica acertou uma finalização por cobertura que não só igualou o marcador, mas abriu o caminho para a virada do time do interior

Jéssica acertou uma finalização por cobertura que não só igualou o marcador, mas abriu o caminho para a virada do time do interior

Segundo a volante, a postura das rio-pretenses foi determinante para vencer o duelo, mesmo longe de casa. “A gente respeita muito a equipe do Santos, sabe da qualidade das jogadoras, mas isso não pode atrapalhar em campo. Dentro de campo são 11 mulheres contra 11 mulheres, com lealdade e ganha quem tem o melhor futebol e a melhor disposição. Foi o que aconteceu aqui. Costumo dizer para as meninas que se a gente entrar com o pensamento de que será difícil demais por jogar fora de casa, já perdemos”, disse.

RECOMEÇO
Se o gol de Jéssica na decisão deste sábado abriu o caminho para a virada do Rio Preto, a própria carreira da jogadora precisou passar por reviravoltas até vivenciar o bicampeonato paulista. Hoje, aos 36 anos e com a medalha de campeã no peito, a jogadora relembra o caminho que trilhou no clube desde 2009 e o momento que quase abandonou os gramados.

“Tivemos fases muito difíceis, a gente sempre batia na trave, chegava em semifinal, mas não passava, fazia tempo que não chegava um título de expressão… Ficava aquela frustração por nunca chegar”, conta a jogadora.

Em 2015, Jéssica chegou a passar um período sem jogar e atuar no Rio Preto apenas como preparadora física, função que equilibra até hoje, mesmo como atleta. Decidida a retornar aos gramados, a volante viveu uma sequência vitoriosa com o time que a revelou: vieram o título brasileiro em 2015, além das duas conquistas estaduais em 2016 e 2017.

“A minha vida é muito engraçada, porque quando eu comecei a pensar em sair do futebol e encaminhar outras coisas, comecei a ganhar”, declarou Jéssica, acrescentando que sempre pode haver espaço para surpresas. “As coisas vão acontecendo, a história acaba virando e fica sempre essa dúvida no final do ano”, concluiu.

Beatriz Pinheiro, especial para a FPF