ESPECIAL SÉRIE B: América-MG desbanca Inter, 'campeão de tudo', e conquista título
Ceará e Paraná também garantiram seu retorno à elite nacional, enquanto Luverdense, Santa Cruz, ABC e Naútico foram rebaixados
Ceará e Paraná também garantiram seu retorno a elite naciona, enquanto Luverdense, Santa Cruz, ABC e Naútico foram rebaixados
Campinas, SP, 24 (AFI) – Rebaixado em 2016, com a pior campanha dentre os times que disputaram aquela edição do Brasileirão, o América-MG ‘sacudiu a poeira’ e deu a volta por cima logo no ano seguinte. Em comum, além de alguns atletas que permaneceram no clube, foi o comando de Enderson Moreira, técnico de 46 anos que recebeu respaldo da diretoria do Coelho. O feito se torna ainda mais relevante, uma vez que antes da competição todos apontavam – naturalmente – o Internacional, até então, ‘campeão de tudo’, com favorito ao título da Série B do Campeonato Brasileiro.
CAMPANHA HISTÓRICA
Sem a badalação, as estrelas, a estruta e o poderia financeiro, do poderoso Internacional, o América-MG mostrou garra e um futebol efetivo para triunfar em uma competição extremamente acirrada. O gol de Rafael Lima aos 20 minutos do segundo tempo, diante do CRB-AL, no Independência, na 38ª rodada do campeonato, consagrou o Coelho bicampeão da Série B – 20 anos depois da primeira conquista, em 1997.
Ao todo, o elenco comandado por Enderson Moreira acumulou 20 vitórias, 11 empates e apenas cinco derrotas, tendo anotado 46 gols e sofrido 25, resultando em um saldo positivo de 21 gols. Esse desempenho rendeu ao clube 73 pontos, consequentemente 64% do total disputado ao longo dos 38 jogos.
EMBLEMÁTICO
Além de coroar o Coelho como melhor time, o duelo final contra os alagoanos rendeu ao América-MG outro feito histórico: O maior público da história do Independência, com 22.481 torcedores.
Obviamente, a renda de R$ 98.353,00 não se equipara as obtidas pelo Atlético-MG que, comumente, manda jogos no estádio. Porém, superar duelos de Série A, Libertadores, além do maior clássico de Minas Gerais (Atlético-MG e Cruzeiro), certamente é digno de aplausos.
ALICERCES DO CAMPEÃO
Responsável técnico pelo time, Enderson Moreira elegeu a alegria, o respeito e a unidade, como os principais condicionamentes para a conquistado do título, consequentemente do acesso.
“É difícil definir o grupo em uma palavra. Eles têm muitas qualidades. Eu poderia falar em alegria, pois todos são muito alegres e para cima. Outra palavra muito forte é respeito, pois esse grupo se respeita muito. Eles são competitivos, mas são extremamente leais. Existe um cuidado quando alguém passa um pouco e sempre pede desculpas. Alegria, respeito e unidade são as três palavras importantes para esse grupo”, disse o treinador, em entrevista ao site oficial do clube.
INTERNACIONAL: RETORNO CONTURBADO
O drama do Colorado na Série B do Brasileiro foi pior do que a torcida gaúcha esperava. Acostumado a disputar títulos e sempre lutar pelas primeiras posições na tabela, a massa vermelha esperava uma competição tranquila e o Inter em primeiro. Entretanto, não foi o que aconteceu. Instável dentro e fora das quatro linhas, o Internacional teve três técnicos ao longo do campeonato: Antônio Carlos Zago, Guto Ferreira e Odair Hellmann.
As sete derrotas e 11 empates somados fizeram a torcida e a imprensa duvidarem do retorno do clube, em determinados momentos. A oscilação e sequência de jogos sem vitória – a exemplo dos quatro que provocaram a demissão de Guto Ferreira – refleteriam de forma ruim nos aficionados pelo Inter. Em 11 de novembro, dia da queda de referente treinador, houve, inclusive, confronto entre torcida e polícia, após o empate por 1 a 1, com, o Vila Nova-GO, em pleno Beira-Rio.

ESCUDO
O clima pesou tanto no Internacional ao longo do ano, que até D’Alessandro, ídolo incontestável do clube nos último anos, chegou a se posicionar contrário a torcida. Após a derrota para o Ceará, por 1 a 0, dentro de casa, o Beira-Rio ecoou sonoras vaias.
Indignado, o meia argentino saiu esbravejando do campo em direção as arquibancadas: “Aqui tem que ser fiel”. Porém, tudo isso quase foi apagado, pois, na última rodada, o Inter quase foi campeão, não fosse a vitória do América-MG em Minas Gerais.
CEARÁ: TERCEIRO ACESSO NA HISTÓRIA
Dono de uma torcida apaixonada, o Vozão está de volta a elite nacional após oito anos. E, pela terceira vez em sua história gloriosa. Comandados por Marcelo Chamusca, os cearenses repetiram o feito de 1992 e 2009. O retorno foi selado na penúltima rodada da competição, quando o time empatou com o Criciúma fora de casa, por 1 a 1.
Contudo, tudo ocorreu de forma tranquila, pois, os jogadores já entraram em campo com o acesso garantido, uma vez que os adversários diretos tropeçaram – o Oeste perdeu e o Londrina empatou.

PARANÁ: TRICOLOR DA VILA VOLTA APÓS 10 ANOS
A exemplo do Ceará, o Paraná também se beneficiou dos tropeços de Londrina e Oeste para confirmar o acesso na 37ª rodada, mediante vitória, por 1 a 0, contra o CRB-AL, fora de casa. Matheus Costa foi o responsável por reconduzir o Tricolor da Vila a elite nacional.
A campanha do clube surpreendeu, tendo em vista que poucos apostavam no time no início da competição. Com 64 pontos, o Paraná terminou o campeonato na 4ª posição.
Referência da equipe, o atacante Alemão, revelado na base do Santos e que já vestiu a camisa de Ponte Preta e Portuguesa, entre outros, evidenciou o tamanho do feito:
“É uma sensação indescritível. Estou muito emocionado e dedico esse acesso para a torcida” disse, em entrevista a SporTV, na saída de campo, no duelo derradeiro do acesso.
GUARANI: UM CASO À PARTE
Tradicional e único campeão brasileiro do interior, o Guarani viveu grandes emoções no seu retorno a Série B. A diretoria do clube não prometeu nada à sua torcida, mas, surpreendentemente, o time brigou pela liderança no primeiro turno da competição.
Sempre tendo em Fumagali seu representante dentro de campo, o torcedor bugrino chegou a acreditar que, sim, era possível ser campeão. Ainda mais, devido a Vadão estar no banco de reservas. Porém a queda de rendimento do clube no início do returno fez o Bugre seguir a cartilha de como não se faz futebol: culpar o treinador pelos resultados ruins.
Após a demissão do consagrado Vadão, Marcelo Cabo, campeão com o Atlético-GO em 2016, foi contratado. Os resultados não vieram e nova troca. Dessa vez o irreverente Lisca, apelidado de Doido, foi o escolhido. A vibração do frenético treinador até deu um ânimo novo aos jogadores, mas a permanência na divisão, garantida na 37ª rodada, com um empate em casa, por 1 a 1, com a Luverdense, se deve mais a incompetência dos concorrentes.
UMA VITÓRIA SALVOU O BUGRE
O Guarani terminou na 16ª posição (primeira fora da zona do rebaixamento) com os mesmos 44 pontos da Luverdense, mas levando vitória nos critérios de desempate por ter uma vitória a mais (11 contra 10).
LUVERDENSE: “UM ANO NEGRO”, SEGUNDO O PRESIDENTE
Rebaixada no empate citado acima com o Guarani, a Luverdense manteve o promissor Júnior Rocha à frente do time durante toda a competição.
Presidente do clube, Helmute Lawisch definiu bem a campnha do time, que terminou em 17º com 44 pontos.
“Namoramos o rebaixamento durante quase toda a competição. Não iniciamos bem, nos quatro primeiros jogos somamos somente dois pontos e isso fez falta lá na frente. […] Os nossos atletas erraram muito, erros infantis e bizonhos. Tivemos problemas com a arbitragem, no Beira-Rio, naquele lance com o bandeirinha. Logo na estreia contra o Juventude, um gol em claro impedimento, perdemos outro ponto. Tiveram também as lesões. Meia dúzia de atletas que pagamos o ano inteiro e nunca deram um chute. Foi um ano negro”, disse o dirigente à TV Centro América.
SANTA CRUZ: APÓS 10 ANOS, CLUBE VOLTA À SÉRIE C
Décimo oitavo colocado, com 32 pontos, tendo somado apenas oito vitórias, o Santa Cruz não conseguiu cumprir como o dito ao final de 2017: voltar imediatamente a elite. O rebaixamento começou a ser decretado ainda no início da competição, quando a diretoria manteve o então contestado Vinicius Eutrópio no comando.
UMA COMPETIÇÃO, QUATRO TREINADORES!
O treinador não tinha chegado sequer às finais do estadual e perdurou até a sexta rodada. Passando por uma imensa crise financeira, o Santa chegou a ser recusado por alguns técnicos, que tinham receio de não serem pagos. Com a fama de ‘Rei do Acesso’, Givanildo Oliveira foi contratado. Mas, também não conseguiu resolver os problemas do time. Ainda comandariam o clube na competição Marcelo Martelotte e Adriano Teixeira.
ABC: MAIS UM PRA CONTA
Com o rebaixamento na atual temporada, o ABC igualou o Vila Nova, totalizando três quedas para a Série C. Os clubes são os que mais caíram desde que o sistema de pontos corridos foi implementado. As 22 derrotas e o saldo de menos 21 gols define bem o motivo de mais este fracasso na Série B. O Mais Querido terminou o campeonato na 19ª e penúltima posição, com 34 pontos.
NÁUTICO: ERA UMA VEZ O TIMBU…
Em um passado não tão distante, encarrar o Náutico nos Aflitos era uma das missões mais ingratas do Brasileirão. Agora, a realidade do clube é a Série C de 2018. Dono da pior campanha e tendo sido rebaixado como ‘lanterna’, o Timbu foi àquem da sua tradição. Com 32 pontos, o time conquistou apenas 28,1% dos 114 possíveis.





































































































































