Técnico do América, Enderson questiona rodada em momento crítico do país: 'sem clima'

Treinador mostrou incômodo com o fato de ter que disputar uma partida enquanto o Brasil está parado pela paralisação dos caminhoneiros

Treinador mostrou incômodo com o fato de ter que disputar uma partida enquanto o Brasil está parado pela paralisação dos caminhoneiros

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Belo Horizonte, MG 28 (AFI) – A paralisação dos caminhoneiros deixou o Brasil com falta de gasolina, alimentos e até água, mas a rodada do Brasileirão foi realizada normalmente. Dentro do próprio futebol, alguns profissionais discordaram da decisão da CBF, como é o caso do técnico Enderson Moreira, do América-MG.

Endossando as palavras ditas por Eduardo Baptista, que fez críticas pesadas aos políticos brasileiro, o treinador do Coelho disse que o futebol precisa ficar de lado diante de um momento crítico do país.

”Estamos num dia muito diferente daquilo que a gente espera. O país passa por um processo terrível. Estamos falando de futebol com tantas outras dificuldades. O Eduardo Baptista deu um desabafo e, vocês vão me desculpar, mas eu não consigo entender como a gente tem que continuar servindo, às vezes, de diversão para um país que está chorando e lamentando, infelizmente, coisas muito mais graves. Isso, para mim principalmente, mas acho que para todos que participaram, é a força do dever”, desabafou.

“Tem que vir, porque não é o sentimento que a gente tem. Vendo tantas pessoas com dificuldades, tantas pessoas com tantas preocupações e a gente tendo que desempenhar o nosso papel. Somos profissionais e precisamos fazer, mas o clima deste fim de semana é muito ruim para quem é brasileiro e não vê nenhum tipo de respeito dos nossos governantes com quem realmente merece que é esse povo sofrido. É difícil ser profissional vendo tanta gente passando dificuldade”, completou.

Foto: Divulgação/América-MG

Foto: Divulgação/América-MG

INDIGNADO
Ele também aproveitou para criticar a administração pública e falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros mais pobres.

“Vieram quatro mil pessoas que saíram de casa. Temos limitação de combustível. Não é só de isso, mas é alimentação que não chega, hospitais que têm dificuldades. Imagina uma pessoa que mora na periferia. Eu nasci e cresci na periferia. Às vezes você não tem como chegar nos lugares. É uma série de coisas que nos fazem ficar muito triste, porque o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes. Temos que entender que não é a coisa mais importante do país”, avaliou Enderson.

“Temos outras muito mais graves que estamos passando por isso, e nem vou falar se a paralisação é política ou se não é, não me interessa, o que me interessa é que somos um povo que, infelizmente, sofre constantemente aos desmandos. Pagamos a conta daquilo que não temos culpa. Da corrupção absurda, da falta de responsabilidade dos governantes que matam muitas pessoas, milhares, quando começam a desviar esse dinheiro das pessoas que precisam”, finalizou.