Livro relembra título e racismo enfrentado pelo Brasil na Copa de 1958
“Campeões da Raça” traz detalhes da conquista do primeiro título mundial do Brasil, que completa 60 anos
“Campeões da Raça” traz detalhes da conquista do primeiro título mundial do Brasil, que completa 60 anos
Campinas, SP, 29 (AFI) – Hoje, 29 de junho, é o aniversário de 60 anos do primeiro título mundial de futebol do Brasil. Uma geração de jogadores excepcionais como Pelé, Garrincha, Didi e Djalma Santos deu show nos campos da Suécia e conquistou a Copa do Mundo de 1958. No entanto, para chegar à glória, esses jogadores tiveram de enfrentar não apenas as adversidades comuns ao esporte, mas também o intenso preconceito racial que vigorava no futebol brasileiro de então. Esta é a história retratada no livro “Campeões da Raça – Os Heróis Negros da Copa de 1958”, do jornalista Fábio Mendes.
O livro foi lançado oficialmente em junho deste ano, como forma de celebrar os 60 anos da conquista. O prefácio do livro foi escrito por Mauro Beting, um dos mais respeitados jornalistas esportivos do país.
Para produzir o livro, Mendes entrevistou jogadores, dirigentes e jornalistas que viveram a saga da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1958. O trabalho traz relatos exclusivos e também fotos e reportagens do período.
“Estamos acostumados a ler e ouvir as histórias de 1958 sob uma visão mais lúdica, de grandes malabaristas da bola que foram à Suécia, deram um show em campo e conquistaram o título. Mas os jogadores tiveram de lutar muito contra o preconceito racial para chegarem à glória”, explica o autor.
Hoje, os atletas que disputaram o torneio são vistos como heróis, mas Mendes frisa que nem sempre foi assim.
“Até 1958, era comum se disseminar a ideia de que jogadores negros e mestiços não tinham condições psicológicas de disputar jogos decisivos. Essa tese era reforçada cada vez que a seleção era eliminada em uma Copa do Mundo ou outra competição importante”.
O autor lembra que, mesmo em 1958, a seleção brasileira estreou na Copa do Mundo com um time quase que inteiramente branco. “Apenas do decorrer do campeonato os principais jogadores ganharam a titularidade. Hoje, é impensável uma situação em que jogadores como Pelé e Garrincha ficassem no banco de reservas.”

O livro
“Campeões da Raça” aborda o rico e conturbado cenário do futebol brasileiro na década de 1950. Além de uma contextualização sobre a inserção do negro nos primórdios do futebol, o livro relembra passagens marcantes da seleção brasileira desde o Mundial realizado no Brasil até a conquista definitiva do mundo nos gramados da Suécia, oito anos depois.
Em toda essa trajetória, vários craques despontaram para o futebol mundial, mas também foram violentamente arrancados do cenário esportivo. Não raro, vítimas do racismo.
“Quando começou a ser montada a delegação que viajaria para a Suécia, o preconceito racial mostrou a sua cara de forma terrível”, explica Mendes. “Por isso, não é exagero chamar os jogadores de 1958 de ‘heróis’. Eles realmente tiveram de superar obstáculos nos quais muitos sucumbiram”.
Financiamento
Para viabilizar o lançamento do livro, o jornalista criou uma campanha de financiamento coletivo, pelo site Catarse, especializado em ajudar autores a viabilizarem financeiramente seus projetos.
“Sempre fui fascinado por essa história de superação. Ela revela muito de nossas riquezas e mazelas e, por isso, precisa ser contada para as novas gerações. Lançar esse livro é um sonho antigo e o financiamento coletivo foi a oportunidade que encontrei para realizá-lo”, completa o autor.
Para obter mais informações ou adquirir o livro, basta acessar o site: https://www.copade58.com.br





































































































































