Conmebol enrola, não decide sobre Sánchez e deixa Santos ‘na espera’

A entidade deixou para tomar uma decisão na terça-feira, dia do duelo de volta contra o Independiente

A entidade deixou para tomar uma decisão na terça-feira, dia do duelo de volta contra o Independiente

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Santos, SP, 27 (AFI) – Após quase três horas e meia de audiência e praticamente meio dia para tomar uma decisão, os juízes não conseguiram chegar a um consenso e adiaram a decisão sobre o ‘Caso Sanchez’. A Conmebol avisou na noite desta segunda-feira que irá se pronunciar apenas na terça – dia do jogo de volta entre Santos e Independiente.

Com essa indefinição, o Santos segue sem saber por qual placar lutar no duelo frente ao clube argentino. O jogo de ida terminou em 0 a 0. Caso ganhe a causa, precisará vencer pelo placar mínimo. Se a decisão for para o Independiente, o Peixe precisará reverter uma derrota no ‘tapetão’ por 3 a 0.

Vale lembrar que a CBF está sem moral na Conmebol após o papelão do atual presidente Coronel Nunes na votação para a Copa do Mundo de 2026. Na ocasião, os países da América combinaram em votar no grupo formado por EUA, México e Canadá, mas o mandatário, por algum motivo desconhecido, escolheu o Marrocos.

O CASO
A partida, realizada em Avellandeda, terminou empatada em 0 a 0, mas a Conmebol abriu ação disciplinar para investigar o caso de Sánchez, recém-contratado pelo Santos e que havia sido expulso em sua última partida em um torneio sul-americano de clubes antes do confronto de terça, ainda pelo River Plate, em 2015.

Ele teria jogos de suspensão a cumprir, mesmo após a anistia promovida pela Conmebol em 2016, quando reduziu pela metade a pena em vigor aos jogadores em competições continentais.

Santos segue sem saber o placar do jogo de ida contra Independiente - Ivan Storti/SFC

Santos segue sem saber o placar do jogo de ida contra Independiente

A suspeita é de que Sánchez havia sido punido com três jogos de suspensão, o que o impossibilitaria de encarar o Independiente. O Santos, por sua vez, garante que o sistema eletrônico da Conmebol classificava o uruguaio como apto a entrar em campo na terça.

DEFESA
O Santos, que contratou o advogado Mário Bittencourt para defendê-lo, pede que o jogador cumpra o suposto jogo restante de suspensão no confronto de volta diante do Independiente pelas oitavas de final da Libertadores e cita um precedente envolvendo o River Plate.

O volante Bruno Zuculini atuou de forma irregular em todas as sete partidas do clube argentino nesta Libertadores, graças a uma punição sofrida ainda em 2013, quando atuava pelo Racing, da qual sobravam dois jogos restantes a serem cumpridos no torneio deste ano.

Sem ter conhecimento da situação de seu jogador, o River consultou a Conmebol e ouviu que Zuculini estava apto a jogar. A entidade alegou “erro administrativo”, liberou o clube argentino de qualquer punição e ordenou que o atleta cumpra as partidas restantes na sequência do torneio. E é exatamente este tratamento que o Santos espera da confederação em seu caso.

Apesar desse argumento, o Santos defende que escalou Sánchez de forma regular. O clube alega que o sistema eletrônico da Conmebol, bem como as informações passadas pela Fifa e pelo Monterrey, time anterior do volante, davam conta de que o jogador poderia estar em campo.

O que também pode atrapalhar o Santos nesse julgamento desta segunda-feira é o fator político, pois a CBF ficou com a imagem arranhada na Conmebol após Coronel Nunes romper acordo envolvendo as confederações nacionais e votar no Marrocos no processo de escolha da sede da Copa do Mundo de 2026 – Estados Unidos, Canadá e México foram eleitos para receber o evento com apoio dos outros países sul-americanos.