Dinamarca: em férias, foi Campeã da Europa

Liga das Nações vai com toda a certeza ficar nos anais do futebol nem que seja pelo fato de ser a primeira edição

Liga das Nações vai com toda a certeza ficar nos anais do futebol nem que seja pelo fato de ser a primeira edição

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Campinas, SP, 18 (AFI) – Estava Peter Schmeichel de férias no início de Junho de 1992 quando no hotel o informaram que tem que abandonar a família e rumar à Suécia. Nesse instante Schmeichel ainda não sabia que iria participar no Europeu de Futebol, competição para a qual a Dinamarca não tinha conseguido a qualificação, acabando por se sagrar Campeão da Europa e uma das equipas que disputam a Liga das Nações – uma espécie de Liga dos Campeões para seleções de toda a Europa – que pode acompanhar e ganhar com a super aposta código de bônus.

Curiosamente a seleção de futebol da Dinamarca está neste momento numa situação caricata em que os seus principais jogadores se recusaram a representar o seu país, tendo a federação dinamarquesa recorrido a jogadores dos campeonatos regionais e até a jogadores de futsal.

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A Liga das Nações é a mais recente competição de seleções organizada pela UEFA. A Dinamarca parte mais uma vez como a selecção menos favorita mas que, à semelhança do que aconteceu no campeonato da Europa em 1992, pode vir a surpreender o mundo.

A história da participação histórica da Dinamarca no europeu de 1992, que teve lugar na Suécia, fica para sempre como um dos momentos eternos do futebol mundial. Jamais alguém acreditaria que um grupo de jogadores – alguns amadores – em plenas férias fossem chamados para representar o seu país e se sagrassem campeões da Europa.

Num campeonato europeu sem treinos, sem preparação ou estágio, atletas como Mogens Krogh, Kent Nielsen e Brian Laudrup liderados pelo guarda-redes do colosso Inglês Manchester United, Peter Schmeichel, acabassem por levar o troféu de Campeões da Europa para Copenhaga.

Dinamarca: em férias, foi Campeã da Europa
Dinamarca: em férias, foi Campeã da Europa

A guerra que transformou as férias em título de campeão
No apuramento para o Euro 92, a Dinamarca não alcançou a qualificação ficando- se pelo segundo lugar do grupo de classificação, perdendo o lugar para a extinta Iugoslávia.

Após o ocorrido, o astro da equipa, Michel Laudrup, abandonou a seleção em discordância com as opções do selecionador Richard Nielsen, garantindo que jamais representaria o seu país enquanto o treinador fosse Nielsen.

Devido à guerra na Iugoslávia, poucos dias antes do início do europeu de futebol foram definidas sanções internacionais que impediram a seleção de futebol da Iugoslávia de participar na competição e, por essa razão, a UEFA viu-se obrigada a chamar a Dinamarca para ocupar o lugar disponibilizado pela equipa da região dos Balcãs. O resto fica para a história!

Graças ao carismático Peter Schmeichel e ao gênio de Brian Laudrup, a Dinamarca é ainda hoje considerada a mais incrível surpresa em competições internacionais de futebol.

A seleção Dinamarquesa de futebol que na Liga das Nações conta com jogadores de campeonatos de terceiras divisões, quartas divisões, divisões de futebol regionais e até com atletas de futsal, pode voltar a espantar o mundo do futebol.

No percurso histórico rumo ao título de Campeão Europeu de Futebol, teve início na fase de grupos onde a Dinamarca defrontou a seleção anfitriã (Suécia) e as gigantes Inglaterra e França. Seguiram-se as meias-finais em que venceu a “Laranja Mecânica” de Ronald Koeman, Rudd Gullit, Frank Rijkaard e Dennis Berkamp, entre muitos outras estrelas do futebol holandês e mundial, na decisão por grandes penalidades.

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O plano estratégico considerado, por alguns, demasiado defensivo que Richard Nielsen implementou em campo, estava a dar resultados e os dinamarqueses começaram a acreditar que era possível vencer a Die Deutche Mannschaft na final da Copa Europeia.

No dia 26 de Junho de 1992 a história começou a escrever-se a partir do momento em que o árbitro da final do Europeu de Futebol apitou para o início do confronto entre a Alemanha e a Dinamarca.

Enfrentava-se o futebol rigoroso, tático, calculista, disciplinado, físico e forte dos germânicos e um grupo de jogadores com uma tez de pele muito avermelhada causada pela excessiva exposição solar causada pelas férias que desfrutavam antes de serem repentinamente chamados para participar numa das mais importantes competições internacionais de futebol.

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Nos livros sobre futebol ficará também escrito que Michael Landrup, a principal estrela da seleção dinamarquesa com uma vasta e digna carreira futebolística, manteve a sua promessa de não representar a seleção do seu país sob o comando do selecionador Richard Nielsen e assim abdicou do privilégio de acrescentar ao seu currículo um título de campeão europeu de futebol.

Na Dinamarca, alguns especialistas e comentadores desportivos mais otimistas alimentam a esperança de voltar a surpreender na Liga das Nações, sendo mais uma vez a equipa com menor índice de favoritismo devido à “greve” dos seus melhores jogadores.

A Liga das Nações vai com toda a certeza ficar nos anais do futebol nem que seja pelo fato de ser a primeira edição desta competição que coloca em campo alguns dos melhores jogadores do mundo.