Série B: Meia inglês critica Paysandu e diz que tinha medo de viver no Brasil

Em entrevista ao portal espanhol Marca, Ryan Williams falou sobre a insegurança que sentia durante experiência em Belém

Em entrevista ao portal espanhol Marca, Ryan Williams falou sobre a insegurança que sentia durante experiência em Belém

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Campinas, SP, 24 (AFI) – O meia Ryan Williams deu uma entrevista ao portal do jornal espanhol Marca e falou sobre a experiência que teve atuando no Paysandu, onde fez apenas um jogo na atual temporada, antes de rescindir o contrato. Ele criticou bastante o clube por falta de organização e ainda falou sobre a sensação de insegurança que sentiu vivendo em Belém. A matéria é leva o título “Ryan Williams, o inglês que jogou em uma das cidades mais perigosas do mundo”.

Segundo o relato, o jogador já teve motivos para reclamar logo em seus primeiros dias no Brasil. Ele esperava estrear logo, mas demorou quase um mês para conseguir o visto de trabalho.

“O que me incomodou foi o aspecto organizacional. Eu cheguei e achei que ia jogar no sábado, mas aí eles perceberam que eu precisava de um visto para trabalhar no Brasil. Por que eles não me disseram antes de chegar?”, afirmou.

“Eu tive que ir para a Argentina para deixar o país e voltar a entrar pela fronteira. Naquele dia, seis semanas se passaram e eu estava começando a ficar com raiva. Tudo o que poderia dar errado estava errado. O plano era jogar de fevereiro a abril, mas já estávamos em abril. Então mudamos o contrato até junho”, completou.

INSATISFAÇÃO
Williams entrou em campo pelo Paysandu apenas uma vez, quando participou do lance do gol bicolor no empate por 1 a 1 com o São Bento, no dia 19 de maio.

“Semanas depois (da estreia), tomei a decisão: se eu não jogasse no próximo jogo, eu ia dizer a eles que queria ir embora, e não joguei. Mas no dia anterior ao que fui falar com o diretor esportivo, comecei a receber mensagens nas minhas redes sociais dizendo ‘parabéns, Ryan’. Eles estavam me parabenizando, mas por quê? Tinham renovado meu contrato sem me contar! Imagine como seria a conversa com o clube”, explicou o inglês ao Marca.

Ryan Williams jogou apenas um jogo no Paysandu. (Foto: Divulgação)

Ryan Williams jogou apenas um jogo no Paysandu. (Foto: Divulgação)

“Eles queriam me oferecer mais dinheiro e levei duas semanas para sair. Eu me lembro do dia exato, foi no dia do jogo entre Espanha e Portugal da Copa do Mundo, e fui ao escritório. Disse a eles que não sairia até que eu tivesse uma passagem de volta para a Inglaterra, mas eles me disseram que teriam que dizer que foi por motivos pessoais, já que os torcedores não entenderiam que eu sairia assim, de repente. E foi assim, colocamos razões pessoais nos motivos do meu adeus”, concluiu.

INSEGURANÇA
Ryan Williams também falou sobre a vida que levava em Belém. Ele revelou que se sentida muito inseguro com a situação vista nas ruas e mostrou-se espantado ao descrever suas experiências na capital paranaense.

“Eles me aconselharam a não sair de casa depois do Sol se pôr. Com os meus olhos, vi várias tentativas de roubo. Havia pessoas com muitas deficiências na rua, com braços quebrados, por exemplo, pedindo ajuda porque não tinham acesso a serviços médicos. Uma vez que eu estava no carro com um parceiro, um cara veio até a janela para tentar nos vender frutas, e meu amigo lhe deu dois ingressos para ver o Paysandu. O menino começou a chorar. Uma entrada custa cerca de seis euros”, lembrou.

“Teria sido muito difícil morar sozinho. Se já é complicado organizar as coisas no Brasil, foi ainda mais sem conhecer português. Eu nunca teria dirigido por lá, era tudo maluco, não sei como não tivemos um acidente. Todas as ruas são de sentido único, mas às vezes, mesmo que houvesse duas pistas, você via quatro carros andando em linha. Em duas ocasiões o Wi-Fi parou de funcionar por três dias, e não é como na Inglaterra, que se você pode ir ao café abaixo e já tem”, finalizou.