Ex-técnico acusa presidente do Guarani de ter tumultuado ambiente para boicotar acesso

Umberto Louzer deu coletiva de imprensa nesta sexta-feira e revelou toda a interferência política no clube

Umberto Louzer deu coletiva de imprensa nesta sexta-feira e revelou toda a interferência política no clube

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Campinas, SP, 16 (AFI) – Umberto Louzer, ex-técnico do Guarani, concedeu uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira, no hotel Nacional Inn, em Campinas, para explicar as situações que levaram o Guarani a ter uma queda de rendimento na parte final do Campeonato Brasileiro da Série B, após ficar muito próximo de conquistar o acesso à elite do futebol nacional. Ele acusou o presidente Palmeron Mendes Filho de ter boicotado a campanha da equipe bugrina durante o torneio.

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“A maneira que foi conduzida essas parcerias atrapalharam, sim! Os jogadores se sentiram inseguros, pois não sabiam como seria o panorama do ano seguinte dentro do clube. A parte política interferiu e o presidente sabe que esse foi um dos fatores que resultaram na baixa produtividade do time nesta reta final”, afirmou o treinador.

Era evidente ao longo da competição o interesse do presidente Palmeron Mendes Filho e do seu vice Assis Eurípedes que o Guarani não conquistasse o acesso. Comprometidos com o Grupo Magnum, os mandatários acreditavam que uma possível ida do time campineiro à Série A iria atrapalhar a terceirização que querem impor ao clube.

Caso o Guarani conquistasse o acesso, a Magnum não teria motivo para assumir o controle do futebol bugrino. Diferente da declaração do presidente à TV Bandeirantes, quando diz que esse assunto foi positivo para o clube, Umberto deixou claro que essa discussão atrapalhou a campanha do Guarani.

Tudo isso seria facilmente resolvido caso a terceirização para Magnum ou cogestão para a Elenko/Traffic acontecesse após o fim do campeonato. No entanto, a discussão acabou acontecendo antes por exigência do próprio presidente bugrino.

A montagem do time será comandada por Lucas Andrino, que já trabalhou no guarani como superintendente e saiu desgastado com a torcida em razão de se trabalho negativo, conforme revelou o treinador.

“Sentei no escritório do Nenê (Zini) e falamos sobre algumas carências do elenco, visando preparar o time para 2019. Lá estavam Lucas Andrino, Roberto Graziano, o vice-presidente Assis”, falou.

Umberto Louzer, em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira
Umberto Louzer, em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira

INTEREFERÊNCIA DENTRO DE CAMPO
Umberto Louzer revelou também que recebeu um pedido para levar um determinado jogador, a fim de agradar partes ligadas ao clube, para o duelo diante do Avaí. Na ocasião, a partida era essencial para entrar no G4 e o Bugre acabou perdendo por 2 a 1. O treinador garantiu que não cedeu à pressão da diretoria.

“Antes do jogo contra o Avaí, vieram até mim e pediram para que eu levasse um atleta. Foi totalmente negado, pois trabalho com merecimento e lealdade aos jogadores. Em um encontro na sede da Magnum, me questionaram os motivos sobre os motivos que me levaram a escolher determinados atletas. Expliquei e deixe claro que trabalho em cima das minhas convicções e que me responsabilizo pelas minhas escolhas”, falou.

OBJETIVOS
Umberto Louzer revelou ainda os objetivos traçados pelo clube ainda no início do ano, entre eles, o acesso à Série A1 do Paulista e a permanência da Série B. E ainda afirmou que sua demissão o pegou totalmente de surpresa.

“O trabalho foi muito bem desenvolvido. Tínhamos a missão de subir no Paulista, conquistamos o título e o direito de disputar a Copa do Brasil, algo muito importante para a saúde financeira do clube. E o outro objetivo era a manutenção da Série B. A boa campanha gerou expectativa e não conseguimos atingi-la, o que seria um ano mágico, mas fizemos o que foi solicitado. Acabei sendo pego de surpresa, faltando apenas duas rodadas, da maneira que aconteceu. Me ofereceram um trabalho como auxiliar, caso eu comandasse o time nas duas últimas rodadas, mas tenho outros sonhos. Não seria justo com o Guarani, pois não poderia me dedicar 100%. Mas tenho certeza que saio com as portas abertas e que voltarei ainda melhor. Estou muito honrado por trabalhar no Guarani e ter entrado para galeria dos técnicos aqui campeões”, falou.

QUEDA DE PRODUÇÃO
O treinador assumiu parte da responsabilidade pela queda de produção do time, mas novamente foi enfático ao afirmar que a turbulência política deixou a desejar durante a Série B do Brasileiro, fator evidente na atuação dos jogadores nas últimas rodadas.

“Teve vários fatores que desencadearam a queda de rendimento. Algumas coisas foram faladas (por parte do presidente). Atletas têm acesso mais fácil às informações. O momento político interferiu em uma fase que a competição estava afunilando e precisava dar uma arrancada final. Insegurança é passada ao atleta, que vem a cair de produção. Precisávamos estar em sintonia e as parcerias desfocaram o trabalho”, concluiu.