Felipão rebuscou no passado o jeito acertado de levar o Palmeiras ao título
Time palmeirense praticou o genuíno futebol brasileiro na conquista
Felipão rebuscou no passado o jeito acertado de levar o Palmeiras ao título
No futebol, nada como um dia após o outro. Se o treinador Luiz Felipe Scolari, o Felipão, foi até esculachado após aquela vexatória goleada da Seleção Brasileira por 7 a 1 para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, quis o destino que agora ele desse a volta por cima.
Pois aprumou o então instável time do Palmeiras e conseguiu levá-lo à conquista do título brasileiro desta temporada, após vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, na tarde deste domingo, no Rio de Janeiro.
Estudiosos de tática de futebol esqueceram ou não observaram que Felipão moldou esse time do Palmeiras ao velho estilo praticado pela Ponte Preta no final da década de 70, e do São Paulo nos anos 80, comandado pelo treinador Cilinho, com algumas adaptações.
PICERNI E ODIRLEI
Naqueles tempos de Ponte, os laterais Jair Picerni e Odirlei jogavam basicamente do meio de campo pra frente, assim como faziam Zé Teodoro e Nelsinho no time são-paulino.
Isso era permitido porque os zagueiros Oscar e Polozi, na Ponte Preta, ficavam de mano com atacantes adversários e ganhavam a maioria das jogadas, o mesmo ocorrendo com Oscar e Dario Pereira, no São Paulo.
Pois Felipão apostou que os zagueiros Luan e Gustavo Gómez poderiam ficar de mano com adversários, e ambos foram soberanos no chão e principalmente pelo alto, quando o Vasco abusou de levantar bola.
Assim, soltou os laterais Mayke e Diogo Barbosa, como fossem alas para as devidas triangulações com atacantes que caíam pela beirada do campo, para fluxo das jogadas.
O tido como superado Felipão praticamente optou por um volante fixo – caso de Felipe Melo – e soltou Bruno Henrique, teoricamente outro volante, mas na prática se transformou num meia, naturalmente recuando quando seu time ficava sem a bola.
VOLUME DE JOGO
Tudo isso resultou em volume de jogo, e aí a individualidade de jogadores do meio de campo pra frente fez a diferença, principalmente Dudu, que Felipão deu liberdade pra jogar solto, ora buscando a bola e sendo organizador, ora carregando-a em velocidade, ou ainda explorando os lados do campo em que tinha percepção de vulnerabilidade do adversário.
Como nos tempos antigos, Felipão não abriu mão do centroavante de área, prevendo que o volume de jogo resultaria em chance, e aí o homem com faro de gol faria a diferença.
O título do Palmeiras é a mais clara lição de que a treinadorzada tem mais é que buscar no passado o melhor caminho para a prática de futebol convincente e com plástica.
Melhor assim de que as compensações de quem opta por se defender e joga apenas nos contra-ataques.
O título do Palmeiras é uma vitória do genuíno futebol brasileiro.





































































































































