Que resgatemos um pouco do futebol do passado!
O Dia Nacional do Futebol é comemorado neste 19 de julho e o que fica é a saudade
O Dia Nacional do Futebol é comemorado neste 19 de julho e o que fica é a saudade
ESPECIAL – Ariovaldo Izac
O editor Kim Belluco, do Futebol Interior, sugere que eu escreva sobre o Dia Nacional do Futebol, comemorado neste 19 de julho.
Futebol já não é mais o mesmo por ‘ene’ razões, ou ‘centas’ razões, um neologismo criado pelo diretor Élcio Paiola, que eu tenho roubado frequentemente.
Por que o futebol não é mais o mesmo? Porque antigamente o bebê, vocacionado pelo chute, já cutucava a barriga da mãe cobrando pressa pra vir ao mundo.
Tudo isso porque queria chutar uma bola. E com sete anos de idade já havia se desgarrado dos pais censores e se misturava aos ‘mais crescidinhos’ nos campinhos de bairros, de matagais desbravados por corajosos adolescentes, com enxadas nas mãos.
DÁ SAUDADE
Futebol foi um colírio aos olhos porque dele via-se dribles estonteantes, lançamentos de 40 jardas, tabelinhas entre ponta-de-lança e centroavante, gols em abundância em cobranças de faltas, e beques que sabiam jogar. Se optassem pela funções de meias ou atacantes não haveria mal algum, tal a familiaridade com a bola.
Sei que vão lascar na minha cara que os tempos de saudosismo ficaram pra trás, que a realidade hoje é outra.

BONS EXEMPLOS
Vamos e venhamos: de quantos adversários Pelé se desvencilhava em suas arrancadas? Montão. E num curto espaço entre um e outro.
Pelé é incomparável? Sim.
Então quem conseguiu copiar o drible elástico pra clarear jogadas como Roberto Rivellino?
Quem tinha olhos na nuca como Sócrates, com seus enfeitados cancanhares? Quando vão nascer outros Ronaldinhos Gaúcho e Romários?
Pois aqueles campinhos de terra batida perderam espaço para o concreto, os meninos outrora malabaristas com a bola deixaram que as pernas endurecessem e provocassem perda no manejo com a bola.
Infelizmente esta geração dos trinta e poucos anos de idade não saboreia 20% da delícia que foi o futebol do passado, e contenta-se com vitórias de seu clube predileto independentemente da forma como foram construídas.
QUANTA MUDANÇA!
Quase tudo mudou no futebol. Das traves roliças de madeira àquelas de ferro. Das camisas elegantemente colocadas dentro do calção, hoje soltas. Dos goleiros obrigatoriamente com fardamento de camisas mangas compridas, cotoveleira e joelheira, ao uniforme comum dos chamados jogadores de linha.
Calção? Na década de 70 era bem curtinho e apertado, de forma até a provocar incômodo pra correr, contrastando com os bermudões largos de hoje, se bem que uns e outros fazem questão de levantá-los pra exibir os músculos das coxas.
BONS TEMPOS
Foi-se o tempo em que era permitido ao atleta abusar de meias arriadas, e ficar desprovido de caneleiras. De certo o Casagrande, comentarista da Rede Globo, está com canelas riscadas pelos beques botinudos, porque nos tempos de centroavante as suas meias ficavam no tornozelos.

No futebol até a arbitragem é um capítulo a parte. Dos árbitros safados e desmascarados que fabricavam resultados à evolução do polêmico VAR, um ‘senhor’ justiceiro, embora ainda a passos de tartaruga.
TREINADORES E TORCEDORES
Os treineiros também são outros. Em vez da precisão técnica cobrada dos jogadores, o lema hoje é observância tática.
O saudoso e execrado Milton Buzzeto, treinador do Juventus dos anos 60, que inventou a retranca no Brasil, hoje seria saudado, visto que a maioria de profissionais da classe optou por copiá-lo.
Por fim, já não se produz dirigente como antigamente. Se antes o amadorismo servia de alicerce pra que aprendesse a construção, hoje inadvertidamente começa na função pelo telhado, se escorrega e tomba.
ZOADINHA AOS RIVAIS
Até o torcedor já não se dá conta que a outrora ‘zoadinha’ suave ao rival era bem-vinda. A intolerância dos tempos modernos o transformou em ser selvagem, com dentes afiados para bater e apanhar.
Se o Dia Nacional do Futebol está aí para reflexão, reflitamos então sobre o quão saudável ele já foi, e por isso pede passagem para resgate, mesmo que parcial.





































































































































