ESPECIAL: Conheça os treinadores que conquistaram o acesso na Série D
Waguinho Dias, Vinícius Bergantin, Wellington Fajardo e Jonilson Veloso são os técnicos que estão nas semifinais
ESPECIAL TÉCNICOS SÉRIE D - NÃO MEXER
Campinas, SP, 24 (AFI) – Apesar de estarem focados nas semifinais e sonhando com o título do Campeonato Brasileiro da Série D, Ituano-SP, Brusque-SC, Manaus-AM e Jacuipense-BA já atingiram o grande objetivo: conquistaram o acesso e estão garantidos na Série C de 2020. Pensando nisso, o Portal Futebol Interior preparou um ESPECIAL sobre os quatro treinadores que subiram de divisão.
Vinícius Bergantin, do Galo de Itu; Waguinho Dias, do Bruscão; Wellington Fajardo, do Gavião do Norte; e Jonilson Veloso, do Leão do Sisal; se abriram. Eles contaram detalhes da montagem do elenco, comentaram dificuldades da campanha, garantiram que estão focados em ser campeão e revelaram como está a situação de cada um deles para a próxima temporada. Confira!

VINÍCIUS BERGANTIN – ITUANO
Vinícius Bergantin, de apenas 38 anos, comanda o clube rubro-negro desde junho de 2017. Antes disso, foi auxiliar técnico de Tarcísio Pugliesi e Roque Júnior e dirigiu equipes de base do time paulista. Como atleta profissional, também começou no Galo de Itu, em 2001. Ainda foi zagueiro de São Caetano, Gama, Hannover, da Alemanha; e Guaratinguetá.
“Foi uma campanha bem sólida. Desde o fim do Paulistão, separamos por etapas. Primeiro, buscamos fazer uma boa preparação. Depois, focamos na primeira fase, queríamos classificar em primeiro.
Infelizmente, perdemos para a URT-MG na última rodada e caímos com a Caldense-MG, que teve a melhor campanha da Fase de Grupos. Deu uma certa apreensão por ter perdido a liderança. Conversamos e percebemos que não podíamos escolher adversário.
Entramos focados em fazer um jogo intenso e técnico em casa. Por isso, conseguimos ótimos resultados como mandantes. Fora, procuramos ser inteligentes, com maior atenção defensiva. Soubemos jogar o campeonato, mas o maior mérito é dos jogadores.
É claro que a gente ficou contente pela ida do Juninho Paulista para a CBF, mas ele era uma referência de gestão, no pensamento do clube, que passa muito por ele, que indicava atletas e a forma de o time jogar. Mas o clube é muito bem estruturado. O Paulo Silvestre assumiu, uma outra coisa muda, mas ele deu andamento.
A gente sabia que ia perder alguns jogadores depois do Paulistão, mas montamos o elenco do Estadual buscando manter o maior número de atletas possíveis para a Série D até para ganharmos em entrosamento.
Acredito que o meu maior desafio é a gestão de grupos. As experiências com o Tarcísio Pugliesi e o Roque Júnior e a passagem pela base foram boas, me ajudaram a tomar decisões, apesar de eu ainda ser novo. É um privilégio estar há tanto tempo em um clube da grandeza do Ituano, conhecendo o elenco.
Tenho contrato até dezembro, não conversamos sobre renovação ainda. Queremos o título. Pretendo permanecer. O Ituano está há muito tempo na A1, então, é tentar manter essa solidez no Paulistão e, depois, tentar aproveitar essa boa onda de resultados, tentar manter o grupo do Estadual para a Série C. Precisamos ter ambição, sabemos que a Série C será difícil, mas é tentar subir”.

WAGUINHO DIAS – BRUSQUE
Paulista de Sumaré, Wagner Santos de Souza Dias, de 56 anos, começou a carreira de meio-campista na Ponte Preta, no início dos anos 1980. Ainda passou por XV de Piracicaba, Bragantino, Mogi Mirim, Esportivo de Passos (MG) e Hercílio Luz até chegar ao Rio Branco-SP, onde encerrou a carreira em 1991, por conta de dores na região do púbis. Nos últimos anos, tem feito grandes campanhas como treinador em Santa Catarina, mas a carreira de técnico começou em São Paulo, tendo passado, entre outros, por União Barbarense, Velo Clube e Guarani.
“Quando fui contratado, me contaram quem havia permanecido, e vimos que tinha uma base muito forte, principalmente defensivamente. O Ruan, volante, também permaneceu. Então, precisamos montar do meio pra frente. O Fio e o Romarinho chegaram, já tinham trabalhado comigo no Tubarão. Também conseguimos trazer o Jefferson Renan. Queríamos, então, um matador. O Júnior Pirambu foi o alvo e conseguimos trazê-lo. O Magrão, que eu já conhecia, também ficou no elenco. O Thiago Alagoano, um cara que dá muita profundidade ao elenco, conseguimos trazer. Então, ficou um grupo muito consistente.
Eu vim com experiência de duas disputas de Série D. Então, focamos em fazer uma pontuação alta na primeira fase para decidir o mata-mata em casa. Conseguimos essa boa pontuação, ao lado do Boavista, de 15 pontos. A chave era equilibrada, mas fomos melhores nos detalhes para encaminhar a vaga.
Depois, pegamos o Hercílio Luz, e eu acho que é ruim esse duelo local. Os torcedores ficam nervosos por ter que passar por uma equipe do Estado, fica muito tenso. Jogamos lá e foi muito difícil, mas conseguimos fazer o dever de casa. Nas oitavas, achei que viria o Novorizontino, mas acabou vindo o Boavista, o que também complica, por já nos conhecermos de dois confrontos recentes.
Na semana que fomos jogar lá contra o Juazeirense, nas quartas, dei muito exemplo de como jogarmos. Não podíamos perder por uma larga vantagem na ida. A logística também foi muito complicada, a mudança de temperatura foi muito alta. Durante a semana de volta, mostrei que fizemos um bom jogo mesmo perdendo por 1 a 0 a primeira partida e que o fator casa estava sendo bem feito. Vimos que eles tinham uma zaga meio lenta. Com a cidade, a torcida e a diretoria apoiando, conseguimos esse acesso.
Quando existe um acesso, é importante que os jogadores e a comissão técnica foquem no título, porque engrandece o currículo de todos. Para o clube, o principal objetivo é mesmo o acesso, que garante um calendário melhor. Eu tenho batido nessa tecla com os jogadores, estamos focados nessa reta final.
Eu tenho contrato até o meio do ano que vem, então, estamos focados em tentar os títulos da Série D, uma competição nacional importantíssima, e da Copa Santa Catarina, que nos daria uma vaga na próxima Copa do Brasil. Para o ano que vem, vamos buscar fazer uma campanha consistente no Estadual. Série C já é outra conversa.

WELLINGTON FAJARADO – MANAUS
Wellington Tavares Fajardo, de 58 anos, foi goleiro do América Mineiro entre 1978 e 1986. No ano seguinte, foi campeão estadual com o Cruzeiro. Pela Raposa, disputou 80 partidas e ainda foi vice-campeão da Supercopa da Libertadores da América de 1988. Antes de chegar ao Gavião do Norte, acumulara as principais experiências como treinador no Sudeste. Em Minas Gerais, passara por Tupi, Uberlândia, Democrata-GV, Villa Nova e Patrocinense. Em São Paulo, dirigira a Francana.
“Eu cheguei lá em fevereiro deste ano, após não conseguir a classificação no primeiro turno do Amazonense. Conseguimos reverter e ser campeão estadual. Ficamos 21 jogos invicto na temporada, somando Estadual e Série D.
O que vi de diferença em relação a São Paulo e Minas Gerais, mercados que eu conhecia melhor, é que os jogadores amazonense têm muita qualidade técnica, mas pouca consciência tática. Fui introduzido essa questão tática, de leitura de jogo. Eu bati na tecla de que é preciso jogar e pensar. Eu também trouxe algumas novidades, questão de estrutura, como imagens e vídeos para passar as informações. Eles não conheciam, mas se adaptaram e absorveram bem.
Queira ou não, tenho um currículo até maior como jogador do que como treinador. Então, isso passa confiança para o elenco. Os resultados foram muito bons, mais rápidos até do que a gente esperava.
Na preparação para a Fase de Grupos, disse que ‘não existe a segunda vaga’, tínhamos que buscar a liderança. Fomos consolidando o trabalho e aumentando a confiança. A derrota contra o São Raimundo-PA, nas oitavas, causou uma certa apreensão, foi muito difícil. Contra o Caxias-RS, já nas quartas, perdemos a ida, mas foi um jogo atípico, viagem complicada, muita neblina no estádio. Como a diferença foi mínima, acreditávamos que era reversível.
A gente não esperava esse público de quase 45 mil torcedores para o jogo de volta contra o Caxias. Quando a gente entrou em campo, ficamos encantados. Mas pedi pro pessoal focar na preleção, na nossa estratégia e esquecer o extracampo. Lembrei da minha época de jogador, cheguei a atuar pelo Cruzeiro para mais de 100 mil pessoas, então, eles se concentraram muito, entraram focados em jogar bola, bem estudados, sabiam das deficiências do time deles e conseguimos o acesso.
Nós não temos grupo para jogar duas vezes por semana. Então, ainda não sei como vai ser a reta final da Série D intercalado com a Copa Verde. Nós temos três jogadores suspensos para o primeiro jogo da semifinal da Série D contra o Jacuipense-BA, então, eles vão atuar contra o Sobradinho-DF, pela Copa Verde. Mas ainda está indefinido esse planejamento.
Eu tenho vínculo até o final da Série D. No momento, eu estou focado em conquistar esse título nacional. Eu não tenho pensado no meu futuro, quero muito essa conquista”.

JONILSON VELOSO – JACUIPENSE
Jonilson Veloso, de 44 anos, talvez seja o nome mais desconhecido entre os comandantes que chegaram ao acesso. Apesar disso, não se pode dizer que a conquista foi por acaso. Afinal, o treinador está à frente da equipe desde o final de 2017. Em 2018, teve a primeira experiência na Série D, mas a eliminação veio ainda na primeira fase. No cenário baiano, o Leão do Sisal também se consolidou, estando na elite desde 2013.
“Eu fui criado no Jacuipense, passei por todas as categorias possíveis. No Campeonato Baiano Sub-17 de 2017, saímos na semifinal para o Vitória, um feito inédito na história do clube. Depois, em dezembro de 2017, assumi para o Campeonato Baiano da temporada seguinte, mas já tinha sido assistente de Juazeirense e Bahia de Feira, o que também me ajudou muito.
Entre 2013 e 2018, eu fiz diversos estágios na Europa. Sou tio do Dante, zagueiro que já passou pela Seleção Brasileira. No período, passei pelo Bayern de Munique, pude acompanhar o Pep Guardiola e o Jupp Heynckes, fui ao Borussia Mönchengladbach. Em 2017, tive três meses muito proveitosos no Nice, vi os treinos, preleções, estive com eles na pré-temporada, jogo de fase preliminar da Liga dos Campeões.
O Jacuipense tem uma filosofia de trabalho, que valoriza a base. Começamos o Baiano desse ano com muitos jovens e, por isso, tivemos oscilação, ficamos no meio de tabela. A montagem para a Série D foi mais criteriosa. Quando acabou o Estadual, conversamos com a diretoria e chegamos a conclusão de íamos entrar para buscar o acesso porque, do contrário, não teríamos calendário nacional para o ano que vem.
Encaixamos na metade do Campeonato Baiano e tivemos a manutenção do trabalho. A chave da Série D era complicada, mas tivemos êxito. A gente sentiu que dava pra subir na quarta rodada. Depois, na quinta, vencemos o Campinense, que investiu bastante, e ficamos com essa sensação de que dava. Assim, entramos confiantes no mata-mata. Pegamos casca contra o Central-PE, que estava comemorando o centenário. Depois, passamos pelo América-RN, time grande no cenário nacional, mas estávamos preparados.
Eles (Floresta, adversário nas quartas de final da Série D) podem não ser tão tradicionais, mas tem muito trabalho com garotos novos, o time é muito bom e qualificado. Tivemos paciência e tranquilidade para jogar. Na ida, saímos melhor, fizemos o gol; mas tivemos uma desatenção e conseguimos empatar por 2 a 2. Na volta, controlamos e conseguimos o resultado, mas eles deram muito trabalho.
O acesso é uma conquista do clube. O título é uma conquista pessoal pro elenco, a chave mudou, e estamos concentrados. Queremos esse título da Série D, mas sabemos que é difícil. A Copa Governador do Estado, se tiver no segundo semestre, vamos usar os garotos da base para que eles possam integrar o elenco principal do ano que vem.
Eu tenho contrato até o final da Série D, mas quero permanecer. O Jacuipense vem crescendo, muitos jogadores da nossa base saem para times grandes. Sabemos que a Série C é outro patamar e outro nível de exigência, mas, com trabalho, podemos atingir os objetivos sempre”.





































































































































