Gerson presta depoimento: "Vim falar por todos os negros que têm no mundo"

Após prestar depoimento à polícia, Gerson se pronunciou por meio de um vídeo publicado nas redes sociais do Flamengo

Após prestar depoimento à polícia, Gerson se pronunciou por meio de um vídeo publicado nas redes sociais do Flamengo

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Rio de Janeiro, RJ, 22 (AFI) – Após uma segunda-feira movimentada de reuniões no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Gerson prestou depoimento nesta terça-feira, sobre o caso em que alega ter sofrido racismo do colombiano Ramirez, meia recém-chegado no Esquadrão.

DEPOIMENTO

Após prestar depoimento à polícia, Gerson se pronunciou por meio de um vídeo publicado nas redes sociais do Flamengo, ao lado do vice-presidente Rodrigo Dunshee.

Foto: Divulgação / Flamengo

Foto: Divulgação / Flamengo
“Estou aqui na delegacia, vim falar sobre o ocorrido. Quero deixar bem claro que não vim aqui só para falar por mim, mas também para falar por minha filha, que é negra, meus sobrinhos, que são negros, meu pai, minha mãe, amigos também, e a todos os negros que têm no mundo. Sobre o fato que aconteceu, hoje, graças a Deus, tenho um status de jogador de futebol, onde tenho voz ativa para poder falar e dar força para outras pessoas que sofrem de racismo ou outro tipo de preconceito”, disse o meia do Flamengo.
Mano Menezes, o meia Ramírez, o árbitro da partida e outras pessoas ainda serão ouvidas pela polícia, que investiga o caso.

O CASO!

O inquérito sobre o caso foi aberto na segunda-feira. Os dois atletas, além do técnico Mano Menezes e o árbitro da partida, Flávio Rodrigues de Souza, foram intimados a dar depoimento presencial sobre o episódio. Gerson foi o primeiro a ser ouvido na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Rio de Janeiro. “Agora a questão tá entregue à Justiça e esperamos que a justiça seja feita”, disse o vice jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee.

A pedido da CBF, o caso também será analisado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que informou que “aguardará o recebimento da súmula e vídeo da partida para analisar a denúncia de injúria racial” e também pontuou que “existe em sua legislação desportiva artigo específico para prática de atos discriminatórios e que, para esses casos, a tolerância é zero”.

O Bahia também disse que continua apurando o caso. Se for enquadrado no art.243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), Ramírez pode pegar gancho de cinco a dez jogos, além de multa que varia de R$ 100 a R$ 100 mil.

DEFESA

Ramírez negou as acusações. Em declaração para a TV do clube divulgada em vídeo na noite de segunda, o jogador afirmou que apenas pediu para o adversário “jogar rápido” e disse que “em nenhum momento foi racista com Gerson, nem com qualquer outra pessoa”. Ele, porém, continua afastado do time.

“Acontece que quando fizemos o segundo gol botamos a bola no meio do campo para sair rapidamente e disse ao Bruno Henrique: ‘jogue rápido, por favor’, ‘vamos irmão, jogar sério’. Aí ele joga a bola para trás e o Gerson, não sei o que me fala, eu não compreendo muito o português. Não compreendi o que me disse e falei ‘joga rápido, irmão'”, ressaltou.

Na visão do atleta do Bahia, ele pode ter sido mal interpretado por Gerson. “Não sei o que ele entendeu, o que ele ouviu. Ele jogou a bola e passou a me perseguir sem eu entender o que estava acontecendo. Dei a volta por trás porque não queria entrar em briga com ninguém e depois ele sai falando que eu falei ‘cale a boca, negro’ falando português quando eu realmente não falo português.”