Ninho do Urubu: CPI indicia 9 e destaca 'falta de humanidade' de gestão do Flamengo

A CPI indiciou nove pessoas por homicídio culposo, excluindo ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello e monitor Marcus Vinícius Medeiros

A CPI indiciou nove pessoas por homicídio culposo, excluindo ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello e monitor Marcus Vinícius Medeiros

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Rio de Janeiro, RJ, 17 (AFI) – Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) concluiu seu relatório na Alerj sobre incêndios no Rio de Janeiro, incluindo o do Ninho do Urubu, que matou dez jogadores das categorias de base do Flamengo. A CPI indiciou nove pessoas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, excluindo o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello e o monitor Marcus Vinícius Medeiros, que haviam sido denunciados pelo Ministério Público anteriormente.

Agora, o relatório passará por votação pelo plenário da Alerj, previsto para a próxima semana. Em caso de aprovação, será encaminhado ao MP.

Entre os funcionários do Flamengo, estão entre os indiciados os seguintes nomes: Márcio Garotti, ex-diretor financeiro, Carlos Noval, ex-diretor da base e atual gerente de transição, Marcelo Sá e Luiz Felipe Pondé, engenheiros.

Há ainda funcionários da NHJ, empresa que forneceu os contêineres: Claudia Pereira Rodrigues, Weslley Gimenes, Danilo da Silva Duarte e Fabio Hilário da Silva. Por fim, Edson Colman da Silva, técnico em refrigeração.

Ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello
Ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello

EX-PRESIEDENTE NÃO É INDICIADO. MOTIVO:

“Quanto ao ex-presidente Bandeira de Mello, importante se faz destacar alguns pontos. À época dos fatos este não era mais Presidente do Clube, não havendo indícios de que qualquer ato seu tenha contribuído para o trágico evento.

Inclusive, não se pode perder de vista que o Clube de Regatas do Flamengo é uma empresa gigante, que possui em sua organização diversos cargos, sendo que cada qual desempenha um papel decisivo; pois se assim não o fosse, seria impossível gerir tal empresa”, diz trecho do relatório.

MONITOR NÃO É INDICIADO. MOTIVO:

“Quanto aos monitores que tinham funções de controle, educacionais e de guarda dos atletas de base, dos depoimentos prestados, conclui-se que era obrigação dos monitores ficar dentro dos contêineres na área de convivência, acordado, em vigilância, só sendo autorizada a saída, para ir na casa em frente, onde ficavam também alguns atletas.

Infelizmente o monitor responsável daquele dia, Marcus Vinicius Medeiros, não estava presente na hora do incêndio, ficando comprovado que só chegou depois que o segurança já tentava controlar o incêndio. No entanto, não se pode imputar qualquer responsabilidade ao mesmo, visto que estar no local no momento exato do incêndio não foi determinante para o evento trágico. De toda sorte, o monitor em comento colocou sua vida em risco para salvar alguns jovens.”

“FALTA DE HUMANIDADE DO FLAMENGO”

“Por fim, não se pode olvidar que a atual do gestão não se preocupou em averiguar o atual estado do CT, visto que quando se “chega numa nova casa” verifica-se se a mesma está dentro dos padrões de segurança, conforme legislação vigente. O Sr. Luiz Rodolfo Landim nitidamente se autopromoveu com a inauguração do novo CT, em um nítido “jogo de marketing”.

Salienta-se ainda a ausência de manifestação positiva para negociar com as famílias que perderam seus entes queridos, o que revela uma certa falta de humanidade. Com a crise advinda com o trágico acidente, o atual Presidente do Flamengo, conforme relatado pelo Sr. Rodrigo Dunshee, assim afirmou:

“O SR. RODRIGO DUNSHEE – Quando aconteceu essa tragédia, o Landim chamou todo mundo. Ele tem experiência nessa questão de gestão de crise, porque já passou por uma crise na Petrobras. E aí ele disse: “olha, prioridade – prioridade – do que a gente tem que ter”, aí colocou um Grupo de Trabalho, “a prioridade são as famílias”.”

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