Cebola, a primeira artilheira brasileira reconhecida mundialmente no Futebol Feminino

A atacante, guardada as devidas proporções, representou o que Marta representa nos dias de hoje

Discussões sobre o passado do Futebol Feminino do Brasil ganha espaço no nosso cotidiano, num momento em que o mundo faz do espaço da mulher no futebol uma diretriz obrigatória

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Cebola foi a primeira artilheira brasileira em Mundial - Divulgação Saad

Cebola foi a primeira artilheira brasileira em Mundial

São Paulo, SP, 03 (AFI) – Discussões sobre o passado do Futebol Feminino do Brasil vem ganhando espaço no nosso cotidiano, num momento em que o mundo faz do espaço da mulher no futebol uma diretriz obrigatória, pelo menos até que este direito seja reconhecido e respeitado também em termos de investimento e oportunidades.

Hoje é dia de resgatarmos mais uma vez a memória do primeiro Campeonato Internacional promovido pela FIFA e uma de suas grandes heroínas. O ano de 1988 marcava o prelúdio de novos tempos para o Futebol de Mulheres. João Havelange, então Presidente da FIFA, decidiu chancelar um Mundial experimental, que teve a China como palco.

Com atletas de várias regiões do Brasil, com destaque para Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia; a nossa Seleção encantaria o Mundo, impondo inclusive a única derrota para a Noruega, que conquistaria o título de maneira brilhante. O Brasil ficaria com a medalha de bronze, após derrotar a anfitriã China na decisão do terceiro lugar, numa grande participação da goleira Simone.

Os cronistas que lidam com o futebol feminino tiveram a oportunidade de enaltecer em um texto todas as meninas que participaram daquela jornada. A craque Cebola, ou mais precisamente Lucilene Marinho, paraense de Belém, que assombrou o Brasil dos anos 80 primeiramente com a camisa da Tuna Luso/PA; e na sequência faria história jogando pelo Radar/RJ, Sulamérica/AM, Vila Dimas/DF, Nacional/AM, Vasco da Gama/RJ e Fluminense/RJ.

Cebola reunia força, explosão, habilidade e uma incrível capacidade de finalização, uma verdadeira matadora, com estilo de jogo muito semelhante ao que consagrou a Rainha Marta, nos seus melhores dias. Chegou à Seleção com muitos sonhos e um ar ingênuo, de quem sempre via tudo de maneira simples, e fazia do gol una obstinação.

Cebola enfrentou muitas dificuldades ao longo da carreira e seguidas lesões no joelho. cirurgias a afastaram de importantes competições, onde certamente teria ajudado muito o Brasil. Mas no Mundial de 88, nenhuma brasileira balançou mais as redes do que ela, foram cinco gols marcados, sendo 4 na goleada diante da Tailândia (9 a 0), e um diante da Holanda, na vitória por 2 a 1, já nas quartas de final.

De quebra, foi votada pelos jornalistas como uma das melhores 11 jogadoras do planeta naquela competição, ao lado de outra brasileira genial, a Roseli, autora de dois gols e das mais belas jogadas daquele Mundial, que lhe renderam o apelido de “Pelé de saias”. Sissi, com quatro gols, todos em momentos decisivos, já demonstrava a classe que lhe renderia o apelido de Imperatriz no futuro… Michael Jackson, marcaria duas vezes na competição, enquanto Lúcia, com um gol, completaria a nossa relação de artilheiras.

Assim o Futebol Feminino do Brasil conquistaria a sua primeira medalha, logo no primeiro mundial, prova do imenso valor de uma grande geração de mulheres, que enfrentou muito preconceito e imensas dificuldades, para provar o seu imenso talento pelos gramados do mundo! E a nossa Cebola alegrou os gramados com garra e genialidade, enquanto as lágrimas ficavam para os olhares adversários!