Por que Palmeiras é favorito contra o Estudiantes na Libertadores

O time paulista ampliou seus investimentos nas últimas temporadas para reforçar o grupo comandado por Abel Ferreira

A diferença de valores reflete as realidades econômicas dos dois clubes e as estratégias adotadas nas últimas janelas de transferências

O Verdão mira o tetra da Libertadores - Foto: Cesar Greco / Palmeiras

São Paulo, SP, 23 – Palmeiras e Estudiantes estão classificados para a final da Libertadores de 2026, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai. Enquanto o clube brasileiro busca o tetracampeonato continental, a equipe argentina tenta conquistar seu quinto título.

Na disputa pela taça, porém, os números financeiros colocam o time alviverde em vantagem. Segundo o Transfermarkt, o elenco palmeirense está avaliado em 218,5 milhões de euros (R$ 1,23 bilhões), quase quatro vezes mais do que os 54,7 milhões de euros (R$ 307,9 milhões) estimados para o adversário.

A diferença de valores reflete as realidades econômicas dos dois clubes e as estratégias adotadas nas últimas janelas de transferências. Nas últimas temporadas, o Palmeiras investiu pesado e abriu os cofres em contratações astronômicas. Já o Estudiantes passou por um processo de reorganização administrativa e financeira, com contratações mais pontuais e saídas de atletas importantes.

O time paulista ampliou seus investimentos nas últimas temporadas para reforçar o grupo comandado por Abel Ferreira. De acordo com os dados do Transfermarkt, os gastos com contratações no período giram em torno de 168,3 milhões de euros (R$ 947,6 milhões). Entre os nomes que chegaram ao clube estão Vitor Roque, Paulinho e Jhon Arias, reforços que integram o top-10 de contratações mais caras da história do futebol brasileiro.

A realidade do Estudiantes é diferente. O clube passou por uma reformulação administrativa desde que Juan Sebastián Verón, ídolo da equipe e ex-jogador, assumiu a presidência em 2014. Ele foi reeleito em 2017 e retornou ao cargo em 2024, permanecendo à frente da instituição.

Durante sua gestão, Verón trabalhou para reorganizar o clube e fortalecer sua estrutura. Também se tornou uma das principais vozes do debate sobre a possibilidade de transformar clubes argentinos em Sociedades Anônimas Desportivas (SADs), modelo semelhante ao das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil.

A proposta, contudo, enfrenta forte resistência da Associação do Futebol Argentino (AFA) e de clubes tradicionais do país, defensores do modelo associativo. No mercado de transferências, o Estudiantes adotou uma postura mais cautelosa nas duas últimas temporadas.

A equipe priorizou jogadores livres e empréstimos, com poucos investimentos em compras definitivas. Segundo o Transfermarkt, Baltasar Rodríguez, expulso no confronto contra o Flamengo, foi o único atleta pelo qual o clube pagou uma taxa de transferência no período, com custo de 1,75 milhão de euros (R$ 9,8 milhões).

Ao mesmo tempo, o time argentino perdeu jogadores importantes. O meio-campista Mikel Amondarain foi negociado com o Bologna, o volante Ascacíbar seguiu para o Boca Juniors, o lateral Román Gómez foi para o Bahia e Cristian Medina se transferiu para o Botafogo. Neste último caso, os direitos econômicos do jogador eram controlados por empresários.

DIFERENÇA FINANCEIRA NOS ELENCOS

O contraste econômico coloca o Palmeiras em posição de favorito antes da decisão da Libertadores. Entre os principais exemplos da força financeira do clube estão os atacantes Vitor Roque e Flaco López.

O brasileiro está avaliado em 38 milhões de euros (R$ 213,9 milhões), enquanto o argentino tem valor estimado em 30 milhões de euros (R$ 168,9 milhões). Juntos, os dois somam 68 milhões de euros (R$ 382,8 milhões), quantia superior em 13,3 milhões de euros (R$ 74,8 milhões) ao valor de todo o elenco do clube argentino.

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