O segredo por trás do nome do estádio da Ponte Preta envolve uma viagem e uma homenagem recusada
O episódio ajuda a explicar por que o estádio inaugurado em 12 de setembro de 1948 carrega uma história
Moysés Lucarelli ajudou a mobilizar Campinas para construir o estádio, mas resistia à ideia de dar seu nome à casa alvinegra
Campinas, SP, 21 (AFI) – Moysés Lucarelli queria que a Ponte Preta tivesse um estádio. O que não queria era ver o próprio nome nele. A resistência de um dos principais responsáveis pela construção da casa alvinegra, porém, acabou vencida durante uma viagem à Argentina. Na ausência do patrono, a diretoria encontrou a oportunidade para oficializar a homenagem que atravessaria gerações de pontepretanos.
O episódio ajuda a explicar por que o estádio inaugurado em 12 de setembro de 1948 carrega uma história que vai além das partidas. Antes de se transformar no Majestoso, o projeto dependeu da mobilização de dirigentes, empresários, jogadores e torcedores para sair do papel.
Lucarelli esteve à frente desse movimento ao lado de Olímpio Dias Porto e José Cantúsio. O grupo participou da aquisição do terreno da antiga Chácara Maranhão, no bairro Ponte Preta, onde seria erguida a casa do clube.
UMA HOMENAGEM FEITA NA AUSÊNCIA DO PATRONO
Segundo os registros históricos sobre o estádio, Lucarelli não desejava ter o nome associado à construção como uma homenagem pessoal. A diretoria, no entanto, aproveitou sua passagem pela Argentina para colocar a identificação na fachada.
A decisão ainda deixou uma curiosidade na escrita. O nome do patrono aparece nos registros como Moysés, com “y”, enquanto o estádio ficou conhecido oficialmente como Moisés Lucarelli, com “i”. A diferença permaneceu incorporada à identidade do local.
Não se tratava de uma obra financiada por um único benfeitor. A chamada “Campanha do Tijolo” reuniu materiais e mão de obra para viabilizar o estádio. Durante a semana, doações eram recolhidas; nos fins de semana, torcedores participavam dos mutirões.
DO TIJOLO À PRIMEIRA PARTIDA
A pedra fundamental foi lançada em 13 de agosto de 1944. Quatro anos depois, a inauguração oficial aconteceu em uma partida do Campeonato Paulista contra o XV de Piracicaba, que venceu por 3 a 0.
A primeira vitória pontepretana na nova casa demorou pouco mais de um mês. Em 24 de outubro de 1948, a equipe goleou o Taubaté por 5 a 1, com três gols de Gaspar, além de Armandinho e Vicente.
O apelido Majestoso também tem autoria. Foi o jornalista Fernando Pannattoni, responsável pela coluna “Campinas Esportiva”, na Gazeta Esportiva, quem utilizou a expressão para descrever a dimensão do empreendimento.
UM NOME QUE VIROU HERANÇA
A fachada entre as torres do estádio foi tombada pelo patrimônio cultural de Campinas em 2011. O reconhecimento preservou uma parte visível dessa construção coletiva — inclusive a homenagem que Lucarelli preferia evitar.
A ligação atravessou até os limites do futebol. Em reportagem publicada pelo ge em 2022, um torcedor contou que deu aos filhos os nomes Moysés e Sueli Lucarelli, levando para a família a memória do patrono e do estádio. A homenagem recusada pelo idealizador acabou repetida por quem cresceu nas arquibancadas.





































































































































