Ex-Guarani, Élio Sizenando critica gestão e aponta falhas no planejamento do clube
Após a sua passagem pelo Bugre, o treinador falou sobre atrasos de salários, atuação dos dirigentes e criticou o planejamento das contratações
“Para mim, é o maior culpado quem é o gestor, quem deixou fazer, trazer jogadores”, afirmou
Campinas, SP, 20 (AFI) – Ex-técnico do Guarani, Élio Sizenando avaliou os problemas enfrentados pelo clube durante a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro e atribuiu à gestão parte da responsabilidade pela não classificação à segunda fase. Em entrevista a Bruno Beretta, da Rádio Bandeirantes Campinas, o treinador falou sobre os atrasos salariais, questionou o planejamento das contratações e comentou sua demissão antes da última rodada da primeira fase.
Futebol Interior agora está nos Canais do WhatsApp. Participe agora!
Na avaliação de Élio, a responsabilidade pelo desempenho da equipe não deve ser atribuída exclusivamente à comissão técnica e aos jogadores. O treinador, porém, destacou a condução administrativa e financeira como um dos principais fatores que prejudicaram a campanha alviverde.
“Para mim, é o maior culpado quem é o gestor, quem deixou fazer, trazer jogadores”, afirmou, ao criticar a contratação de atletas com salários elevados sem que o clube tivesse condições de cumprir os compromissos financeiros assumidos.
ATRASOS SALÁRIAIS CONTURBARAM O AMBIENTE
Élio relatou que os atrasos nos pagamentos começaram a gerar insatisfação no elenco durante a competição. Segundo ele, após a vitória sobre o Caxias, o ambiente passou a ser afetado pelas cobranças dos jogadores, que buscavam respostas sobre a regularização dos salários.
O treinador afirmou que tentou intervir junto ao executivo de futebol, Frontini, quando os atletas se recusaram a entrar em campo para treinar. No entanto, segundo sua versão, não havia uma solução concreta para apresentar ao grupo.
“Não tinha ninguém no clube naquele dia”, declarou, ao recordar o episódio. Para Élio, a falta de respostas da direção contribuiu para aumentar a preocupação dos jogadores e dificultou a condução do trabalho.
O ex-comandante também revelou que deixou o Guarani com dois meses de salários atrasados. De acordo com ele, não houve uma definição sobre o pagamento dos valores após sua demissão.
“Ele me demitiu e não falou quando ia me pagar, não falou como seria”, afirmou. Élio disse que preferia resolver a pendência por meio de um acordo, mas que não recebeu contato da direção para negociar.
TREINADOR FAZ CRÍTICAS AOS MÉTODOS
Outro ponto abordado na entrevista foi o planejamento financeiro do Guarani. Élio questionou os salários oferecidos a alguns jogadores e avaliou que o clube precisa adequar os investimentos à realidade da Série C, competição que, segundo ele, apresenta limitações financeiras.
“A Série C é deficitária”, declarou, ao defender maior controle dos gastos na montagem do elenco.
O treinador também criticou os contratos com cláusulas de renovação automática condicionadas ao número de participações em partidas. Para ele, esse modelo pode comprometer o planejamento da temporada seguinte, principalmente se o clube mudar de divisão ou precisar reformular o grupo.
“Eu vejo um erro muito grande. Esse negócio de renovação automática”, afirmou.
Na avaliação de Élio, os vínculos precisam levar em conta o calendário das competições e as necessidades futuras da equipe. Ele ponderou que um jogador contratado para a Série C pode não estar nos planos de uma comissão técnica caso o clube conquiste o acesso.
ÉLIO QUESTIONA MOMENTO DA DECISÃO
Demitido antes do último compromisso do Guarani na primeira fase, Élio afirmou que gostaria de ter permanecido no comando para a partida decisiva. Na ocasião, a equipe ainda tinha possibilidade de buscar a classificação.
“Acho que eu deveria ter feito a última partida”, declarou.
O treinador também avaliou que a troca de comando pode transferir a responsabilidade pelos resultados para o profissional demitido, sem necessariamente resolver os problemas estruturais do clube.
“Cada vez que você troca o treinador, isso mostra que a direção quer tirar a dela da reta”, afirmou.
Apesar das críticas à gestão, Élio saiu em defesa dos jogadores ao comentar o comportamento do elenco durante o período de instabilidade financeira. Segundo ele, embora houvesse insatisfação com os atrasos salariais, os atletas continuaram treinando e cumprindo as atividades normalmente.
“Os jogadores trabalharam. Eles ficaram nervosos por causa de pagamento, porque não estavam vendo solução, mas nunca deixaram de trabalhar, nunca deixaram de obedecer, de treinar”, disse.
Adicione o FI nas suas fontes favoritas do Google!
Após deixar o Guarani, Élio Sizenando acertou sua ida para o Capivariano, onde trabalhará na preparação da equipe para a temporada de 2027.





































































































































