Uefa cobra explicações da Fifa sobre 42 questões e pressiona Infantino

O documento aborda temas polêmicos, como a liberação do atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo

A entidade europeia quer entender quais foram os motivos para a revisão da sanção e se houve influência externa no processo

UEFA
Foto: Reprodução

São Paulo, SP , 19 (AFI) – A Uefa intensificou a cobrança por transparência na administração da Fifa e encaminhou à entidade uma carta com 42 perguntas sobre decisões tomadas durante a gestão do presidente Gianni Infantino.

O documento aborda temas polêmicos, como a liberação do atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo, o show no intervalo da final e a entrega de um prêmio da paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

CORRESPONDÊNCIA

Assinada pelo secretário-geral da Uefa, Theodore Theodoridis, e enviada ao representante da mesma função na Fifa, Mattias Grafström, a correspondência estabelece o dia 2 de novembro como prazo para o envio de respostas detalhadas e documentos que esclareçam os questionamentos.

A iniciativa amplia o desgaste entre as duas entidades, que entraram em rota de colisão após a divulgação de um projeto da Fifa para abrir parte de suas operações comerciais ao investimento privado. Mesmo depois de abandonar a proposta, Infantino continua sendo pressionado por dirigentes europeus.

CASO BALOGUN

Entre os principais pontos levantados pela Uefa está a decisão de suspender a aplicação da punição automática de uma partida ao atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos. Expulso durante o Mundial, o jogador acabou liberado para disputar o confronto das oitavas de final contra a Bélgica.

A entidade europeia quer entender quais foram os motivos para a revisão da sanção e se houve influência externa no processo. O caso ganhou repercussão depois de Donald Trump afirmar que conversou com Infantino sobre o assunto.

OUTRO TEMA

Outro tema questionado é a duração do intervalo da final da Copa do Mundo. A apresentação musical realizada durante a partida se estendeu por 27 minutos, situação que, na avaliação da Uefa, exige esclarecimentos sobre o cumprimento das regras do futebol. A carta também aborda a adoção das pausas para hidratação durante o torneio.

O prêmio da paz concedido a Trump também aparece no documento. A confederação europeia solicita informações sobre a criação da premiação, os critérios utilizados para escolher o vencedor e a participação de Infantino na decisão.

PROJETO COMERCIAL

A proposta conhecida como FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a entrada de investidores privados em uma empresa ligada às competições da entidade, também está no centro das cobranças. A Uefa busca esclarecimentos sobre as negociações, a falta de consulta prévia ao Conselho da Fifa e os critérios utilizados para avaliar o negócio.

A carta inclui ainda perguntas sobre a remuneração de Infantino, possíveis conflitos de interesses, despesas com viagens e hospedagens, além da distribuição de recursos às federações nacionais.

A entidade europeia também manifesta preocupação com a independência dos procedimentos internos da Fifa e com as condições para a eleição presidencial prevista para março de 2027.

PRESSÃO POLÍTICA

O envio da carta representa mais um capítulo da disputa entre a Uefa e Infantino. A confederação europeia passou a criticar de forma mais contundente a condução da entidade mundial após a repercussão do projeto comercial e a falta de esclarecimentos considerados satisfatórios pelos dirigentes.

Com a eleição presidencial se aproximando, a pressão pode ampliar a discussão sobre a continuidade de Infantino no comando da Fifa. Até o momento, a entidade europeia cobra respostas formais e documentação para esclarecer os pontos levantados.