Como a Ponte Preta chegou ao fundo do poço e o que precisa mudar para 2027
Clube repete quedas de 1995 e terá de buscar recuperação na Série A2 e na Série C em meio a um profundo desequilíbrio financeiro
A queda nacional foi confirmada em 3 de outubro, com a derrota por 2 a 0 para o Cuiabá
Campinas, SP, 19 (AFI) – A Ponte Preta já conhece as duas competições que terá pela frente em 2027, mas chega à preparação para a próxima temporada com um problema que a simples reformulação do elenco não resolve. Rebaixada no Campeonato Paulista e na Série B do Brasileiro, a equipe de Campinas precisa encontrar condições financeiras para sustentar a recuperação esportiva depois de um ano marcado por salários atrasados, saídas de jogadores e recordes negativos.
A queda nacional foi confirmada em 3 de outubro, com a derrota por 2 a 0 para o Cuiabá, quando ainda faltavam sete rodadas. O desfecho repetiu a combinação de rebaixamentos de 1995 e colocou a Macaca diante de um calendário com a Série A2 estadual e a Série C do Brasileiro na próxima temporada.
O fracasso foi construído ao longo do campeonato. Entre abril e setembro, a Ponte passou 22 partidas consecutivas sem vencer na Série B. A vitória sobre o CRB encerrou o jejum, mas não alterou o destino de uma equipe que perdeu competitividade enquanto tentava administrar a própria sobrevivência.
UMA CONTA QUE NÃO FECHA
O tamanho do desafio aparece nas finanças. Uma auditoria utilizada nas discussões sobre a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol apontou dívida próxima de R$ 320 milhões, sem incluir aproximadamente R$ 20 milhões relacionados ao IPTU. O levantamento foi divulgado pelo ge.
O documento também indicou despesas operacionais de cerca de R$ 4 milhões mensais para uma arrecadação de aproximadamente R$ 1,2 milhão. A diferença, de R$ 2,8 milhões por mês, ajuda a explicar por que a reconstrução depende de medidas que ultrapassam a escolha de treinador e reforços.
Os atrasos nos pagamentos atingiram jogadores e funcionários e provocaram uma paralisação do elenco em agosto. Ao longo da Série B, a sucessão de saídas comprometeu a continuidade do trabalho. Em um dos episódios mais graves, o clube recorreu a atletas da base para enfrentar o América-MG e evitar uma derrota por W.O.
SAF REJEITADA E FUTURO EM ABERTO
A tentativa de mudar o modelo de gestão não avançou. Em setembro, a proposta de criação da SAF recebeu 234 votos favoráveis e 150 contrários. Apesar da maioria simples, eram necessários 256 votos para atingir os dois terços exigidos pelo estatuto.
A decisão manteve com a associação a responsabilidade de encontrar uma saída para o desequilíbrio financeiro. A Ponte precisa administrar o passivo acumulado e, ao mesmo tempo, financiar o funcionamento diário do futebol.
Na próxima temporada, a cobrança por acesso virá acompanhada desse limite. Para voltar a competir por objetivos maiores, o clube terá de reconstruir também a capacidade de cumprir contratos e manter um elenco ao longo do calendário. O retorno às divisões superiores começa por uma tarefa anterior: tornar viável a equipe que vai tentar conquistá-lo.





































































































































