“Quase insolvência”: Ponte Preta rejeitou a SAF, mas a crise continua cobrando uma saída

Auditoria citada nas negociações estimou dívida de R$ 320 milhões, sem IPTU

Reconstrução exige financiamento e um plano para conter novas pendências.

Série B - 2026 - Ponte Preta
Ponte Preta rebaixada na Série B

Campinas, SP, 13 (AFI) – A Ponte Preta rejeitou a constituição da SAF, mas as dívidas continuaram vencendo. Quase um mês depois da assembleia de setembro, a crise reúne salários pendentes, ações judiciais e uma campanha esportiva desastrosa. A expressão usada pelo diretor jurídico José Henrique Specie — “quase insolvência” — traduz a gravidade de uma discussão que precisa avançar para alternativas concretas.

Uma auditoria realizada durante as conversas com investidores apontou dívida próxima de R$ 320 milhões, sem incluir aproximadamente R$ 20 milhões relacionados ao IPTU. O déficit mensal foi estimado em R$ 2,8 milhões. São números citados nas negociações, que precisam ser acompanhados de atualização e explicação sobre as medidas para enfrentar o desequilíbrio.

O QUE OS ASSOCIADOS REJEITARAM

A assembleia de 19 de setembro não decidia a venda do futebol a um investidor específico. O objeto era a constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol para administrar o departamento.

A diferença é relevante. Não houve uma operação concluída que deixou de entregar recursos. Os associados rejeitaram uma etapa necessária ao modelo defendido pela diretoria, e o clube passou a precisar encaminhar outro caminho ou reiniciar a discussão conforme suas regras internas.

A decisão dos sócios deve ser respeitada. A obrigação de apresentar um plano financeiro também permanece. Quem conduz a instituição precisa explicar como pretende financiar o funcionamento do futebol enquanto não há uma operação aprovada.

PAGAR DÍVIDAS ANTIGAS NÃO IMPEDE NOVAS COBRANÇAS

O clube mantém compromissos em seu acordo trabalhista, com pagamentos mensais e parcelas adicionais. Entretanto, quitar parte do passivo antigo não impede o aparecimento de outras ações quando as obrigações atuais ficam pendentes.

A condenação ao pagamento de R$ 53.280,14 a uma padaria de Campinas mostra que as cobranças alcançam fornecedores, além do elenco. A crise afeta diferentes partes da estrutura necessária para manter um clube em funcionamento.

Por isso, a recuperação precisa combinar negociação do que já é devido com controle dos gastos presentes. Um acordo perde parte de seu efeito quando novas pendências continuam sendo produzidas.

2027 EXIGE UM ORÇAMENTO POSSÍVEL

A volta à Série C torna urgente definir quanto a Ponte poderá gastar e quais receitas sustentam esse orçamento. Montar um elenco com base em dinheiro esperado, mas ainda não garantido, prolongaria o risco de repetir o problema.

As perguntas são objetivas: quais recursos estão disponíveis, quais obrigações terão prioridade e como o clube pretende reduzir o déficit? A SAF poderia ser uma alternativa, sujeita à avaliação de suas condições. Sem ela, outra solução precisa ser demonstrada.

A responsabilidade não termina na defesa de um modelo. Está em apresentar um caminho executável, com metas, prazos e prestação de contas. É essa resposta que a Ponte precisa oferecer enquanto discute seu futuro.

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