Cobrança por vitórias, protesto por salários: a crise que o futebol tenta deixar fora do placar

Desabafo de Gabriel Paulista e pendências de Ponte e Guarani expõem dificuldades que atingem atletas jovens, funcionários e planejamento

A cobrança pública por resultados convive com relatos de pagamentos atrasados em diferentes clubes.

Campinas, SP, 13 (AFI) – A cobrança por vitória chega imediatamente depois de uma derrota. A discussão sobre salários costuma aparecer quando o desgaste já tomou o vestiário. O desabafo de Gabriel Paulista após a goleada sofrida pelo Corinthians diante do Palmeiras colocou essa contradição em evidência: jogadores são avaliados publicamente, enquanto parte das condições necessárias para trabalhar depende de decisões administrativas.

“Jogadores precisam de proteção, precisam que paguem os salários de todos os funcionários, porque isso afeta”, afirmou o zagueiro. A declaração amplia o debate para além dos contratos mais conhecidos do elenco.

NEM TODOS TÊM A RESERVA FINANCEIRA DE UM CRAQUE

Gabriel Paulista disse que consegue se manter mesmo com pagamentos atrasados e relatou dificuldades de atletas que estão subindo da base. Também afirmou ter se colocado à disposição para ajudar colegas.

O episódio chama atenção para diferenças dentro de um mesmo clube. O salário de um jogador famoso não representa a realidade de jovens, integrantes da comissão e funcionários. Quando o pagamento falha, a repercussão sobre a vida de cada um pode ser muito diferente.

A cobrança esportiva continua legítima. O cumprimento das obrigações do empregador também precisa fazer parte da avaliação.

PONTE E GUARANI MOSTRAM OUTRAS CONSEQUÊNCIAS

Na Ponte, Diego Porfírio recorreu à Justiça pedindo rescisão e cobrando pendências. O processo inclui alegações de salários, direitos de imagem e FGTS não pagos. O clube informou ao ge que, quando fosse formalmente notificado, analisaria a ação e adotaria as medidas de defesa.

No Guarani, há atrasos em salários e direitos de imagem, além de cobranças judiciais de jogadores. O clube discute sua SAF, mas a negociação não suspende as obrigações existentes.

As situações são distintas e não devem ser equiparadas em valores ou duração. Há, entretanto, um ponto comum: a dificuldade financeira alcança a manutenção dos profissionais e interfere no planejamento do futebol.

TROCAR O COMANDO NÃO QUITA AS CONTAS

Uma mudança de treinador pode ser necessária por razões técnicas. Ela não substitui a solução das pendências administrativas.

Quando um atleta pede para sair na Justiça, o problema também se torna esportivo. Quando funcionários esperam pagamento, a rotina do clube é afetada. Separar completamente o placar das condições de trabalho deixa parte importante da história fora da análise.

A torcida tem direito de exigir desempenho. Os profissionais têm direito de cobrar o que foi contratado. Uma reconstrução precisa responder às duas cobranças, com responsabilidade do elenco e da gestão.