Dois anos, um rebaixamento e nenhum acesso: o balanço que cobra respostas da gestão do Guarani

Rômulo Amaro completa dois anos na presidência com o clube ainda na Série C

gestão de Rômulo Amaro chega ao segundo aniversário sem a recuperação esportiva esperada pelo Guarani

Rômulo Amaro, presidente do Guarani - Foto: Raphael Silvestre / Guarani FC

Campinas, SP, 13 (AFI) – Dois anos depois da chegada de Rômulo Amaro à presidência, o Guarani continua procurando a reconstrução que seus resultados ainda não entregaram. O clube foi rebaixado em 2024 e não conseguiu voltar à Série B nas duas tentativas seguintes. A negociação da SAF domina o debate sobre o futuro, mas não elimina a necessidade de avaliar as decisões tomadas até aqui.

Amaro assumiu em 11 de outubro de 2024, após a saída de André Marconatto por questões de saúde. Encontrou uma equipe já em situação difícil na segunda divisão. Esse contexto impede atribuir exclusivamente ao novo presidente a campanha que terminou no último lugar. Ao mesmo tempo, as temporadas seguintes oferecem um período mais amplo para examinar as escolhas de sua administração.

A reação não se sustentou

Em 2025, o Guarani chegou à segunda fase da Série C, mas terminou o quadrangular com sete pontos e sem o acesso. Houve avanço na competição, porém o objetivo principal ficou pelo caminho.

Em 2026, o desempenho regrediu. O Bugre encerrou a primeira fase em décimo lugar, com 28 pontos, e sequer participou da etapa decisiva. O empate por 2 a 2 com o Brusque, em casa, marcou a despedida de uma campanha que terminou sem a disputa pelas vagas na Série B.

O contraste pesa no balanço: depois de alcançar o quadrangular em uma temporada, o clube não conseguiu repetir a classificação na seguinte. A cobrança, portanto, envolve mais do que o resultado de uma partida. Passa pela capacidade de identificar os problemas de um ano e corrigi-los no outro.

Trocas frequentes, pouca continuidade

O período foi marcado pela passagem de seis treinadores e três executivos de futebol. As mudanças não demonstram, isoladamente, que todas as decisões foram equivocadas. Há situações em que trocar o comando é necessário. Em sequência, entretanto, elas exigem uma explicação sobre os critérios usados para contratar, avaliar e substituir profissionais.

A temporada de 2026 teve episódios que reforçaram essa impressão de instabilidade. Em janeiro, a saída de Matheus Costa chegou a ser anunciada e foi revertida horas depois. Já na reta final da Série C, Élio Sizenando deixou o comando, e Umberto Louzer retornou para a última rodada, quando a margem para intervenção era mínima.

Cada troca pode alterar métodos de treinamento, funções dos jogadores e prioridades de contratação. A questão para a diretoria é demonstrar quanto dessas mudanças fazia parte de um diagnóstico consistente e quanto representou uma reação emergencial aos resultados.

A SAF não encerra o balanço da gestão

Reeleito em julho para o mandato de 2026 a 2028, Amaro tem a negociação da SAF como uma das principais questões de sua administração. A eventual entrada de um investidor poderá modificar a estrutura do futebol, mas não substitui a prestação de contas sobre o trabalho realizado.

Um balanço útil precisa ir além de anunciar que o clube está negociando uma solução. Deve explicar quais objetivos não foram atingidos, onde o planejamento falhou e quais mecanismos evitarão a repetição dos problemas. A torcida também precisa compreender quem responderá pelas decisões esportivas enquanto a operação não estiver concluída.

O Guarani não exige uma gestão capaz de garantir vitórias, algo que nenhum dirigente pode prometer com seriedade. Exige uma administração que apresente critérios, sustente um projeto e explique seus resultados. Depois de dois anos sem a recuperação desejada, essa cobrança tem fatos concretos para se apoiar.

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