Guarani completa dois anos de gestão sob crise e dúvidas quanto a SAF

Rômulo Amaro assumiu o cargo em 11 de outubro de 2024, substituindo André Marconatto, afastado por motivos de saúde, quando o Bugre tentava evitar o rebaixamento na Série B

Em meio às turbulências nos gramados, a grande aposta institucional da diretoria é a transformação do Guarani em Sociedade Anônima do Futebol (SAF)

Rômulo Amaro acumula polêmicas no Bugre - Foto: Raphael Silvestre / Guarani FC

Campinas, SP, 12 (AFI) – Rômulo Amaro completa dois anos à frente da presidência do Guarani em meio a um cenário de forte instabilidade esportiva, financeira e institucional. O dirigente assumiu o cargo em 11 de outubro de 2024, substituindo André Marconatto, afastado por motivos de saúde, quando o Bugre tentava evitar o rebaixamento na Série B, queda que acabou se concretizando semanas depois.

Desde então, o clube campineiro não conseguiu retornar à segunda divisão nacional. O principal objetivo esportivo da gestão era o acesso. Na temporada de 2025, a equipe chegou à última rodada da segunda fase da Série C com chances de subir, mas bateu na trave. Já neste ano, o desempenho despencou e o Alviverde foi eliminado ainda na fase inicial da Terceirona, ficando de fora até mesmo do quadrangular decisivo.

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A campanha frustrante em 2026 ocorreu apesar de o clube manter uma das principais folhas salariais da competição. No período, a gestão também acumulou tropeços no Campeonato Paulista, caindo na primeira fase em 2025 e 2026, além de uma eliminação precoce na Copa do Brasil de março deste ano diante do Castanhal.

Para tentar corrigir os rumos, a diretoria promoveu constantes mudanças no comando técnico, totalizando seis treinadores e três executivos de futebol desde a posse de Amaro.

AVANÇO DA SAF E IMPASSE

Em meio às turbulências nos gramados, a grande aposta institucional da diretoria é a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O processo deu um passo importante no início deste mês, quando os associados aprovaram a constituição da empresa com 95,1% dos votos válidos (235 a favor, 12 contrários e uma abstenção).

Apesar da aprovação da estrutura jurídica, a venda de 90% das ações ao empresário Roberto Graziano ainda depende do aval do Conselho Deliberativo e de novas assembleias gerais. O cronograma sofreu atrasos após o investidor solicitar uma nova modificação em uma cláusula contratual, empurrando as novas votações para a segunda quinzena de novembro, sem uma data definitiva.

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CRISE FINANCEIRA E BASTIDORES

Nos bastidores, o clube enfrenta um grave problema de fluxo de caixa que resultou no acúmulo de pendências salariais com atletas e funcionários. O Guarani deve ao elenco os direitos de imagem referentes ao período de junho a setembro, além dos salários em carteira de julho, agosto e setembro, sem previsão oficial de quitação.

A insatisfação gerada pelos atrasos levou a protestos durante a temporada, incluindo a suspensão de um treino com bola pelo elenco em agosto. A crise financeira também ganhou os tribunais trabalhistas: jogadores como o lateral-direito Ynaiã, o meia Diego Torres e o atacante Gabriel Silva acionaram a Justiça cobrando valores e pedidos de rescisão indireta.

Reeleito em dezembro para um mandato até 2028 — em um processo que passou por intervenção judicial após questionamentos da oposição —, Rômulo Amaro optou pelo silêncio e não concede entrevistas à imprensa desde a eliminação na Série C em agosto. Agora, a cúpula bugrena tenta organizar as finanças, resolver as pendências com o plantel e aguardar os desdobramentos legais e assembleares da SAF para definir o planejamento da próxima temporada.