Série B: Avaí atinge três meses de salários atrasados e amplia crise

A inadimplência amplia a instabilidade no clube de Santa Catarina, cuja folha salarial total supera os R$ 2 milhões mensais

O Avaí acumula três meses de salários atrasados com seus funcionários e atletas, referentes aos vencimentos de julho, agosto e setembro

O Leão vive crise dentro e fora de campo - Foto: Lucas Rhamon / Avaí F.C.

Florianópolis, SC, 09 (AFI) – A crise financeira do Avaí ganhou contornos ainda mais dramáticos no segundo semestre de 2026. O Leão da Ilha acumula três meses de salários atrasados com seus funcionários e atletas, referentes aos vencimentos de julho, agosto e setembro. A inadimplência amplia a instabilidade no clube de Santa Catarina, cuja folha salarial total supera os R$ 2 milhões mensais.

Questionado sobre o caos financeiro, o presidente do clube, Bernardo Pessi, justificou a impossibilidade de abrir detalhes contratuais por motivos de confidencialidade, mas detalhou a engenharia de emergência adotada pela gestão.

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“A gente tem, desde o início do ano, feito um sem número de operações aqui que mantém o clube em dia e pagando os salários. São operações voltadas a antecipações, de dinheiro da televisão, de Copa do Brasil, de recursos dos sócios, patrocinadores, tudo que a gente consegue operacionalizar adiantamento, a gente faz. Não é bom fazer isso, porque tem um custo muito alto fazer essas antecipações. O Avaí abre mão de muito dinheiro e, ao mesmo tempo, a gente compromete o futuro. Mas esse é o cenário atual do que nós temos que fazer para que o clube continue funcionando”, explicou o dirigente.

REDUÇÃO ORÇAMENTÁRIA

O mandatário azurra comparou o orçamento atual com temporadas anteriores para ilustrar a severidade dos cortes. Segundo Pessi, a folha do futebol profissional foi mantida no limite mínimo possível para evitar a falência da instituição.

“Em maio do ano passado, a folha do Avaí, sem impostos, era R$ 2.7 milhões. Quando a gente assumiu o clube em dezembro, a folha tava em torno de R$ 900 mil. Era uma folha com cinco, seis atletas. E a gente iniciou o ano com uma folha de R$ 1.2 milhões, uma folha que nem na Série C se consegue montar um time, mas essa é a folha que a gente teve que impor porque o Avaí não tinha condição de fazer nada diferente. A gente incrementou no início da Série B um pouco mais e agora na janela também. Chegamos a um pouco mais de R$ 1.5 milhão. É uma folha necessária, mas que tem a consequência que a gente tá vivendo. Se eu tivesse sido irresponsável e gasto 3 ou 4 milhões de reais a mais, a gente teria talvez uma folha de R$ 2.3 milhões. Talvez a gente não tivesse na zona do rebaixamento, mas a gente estaria agora fazendo uma coletiva no escuro porque ia faltar dinheiro para pagar a luz”, ressaltou Bernardo Pessi.

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COMPROMISSO E DÍVIDAS

Apesar da turbulência interna e das insatisfações com os atrasos, a diretoria fez questão de ressaltar o profissionalismo do elenco durante os treinos e partidas da Série B.

“A gente tem feito tudo isso em relação a salários, a logística toda, fazendo diálogo aberto com todos os funcionários aqui dentro. É claro que existem pessoas insatisfeitas, não tem como não estarem, eu estou insatisfeito. Mas a gente tem buscado dialogar. Dialogamos com frequência com todos os funcionários, já fizemos algumas reuniões gerais e nenhum deles, especialmente os atletas, deixou de se engajar, fez corpo mole, fez greve, fez nota para a imprensa, furou treino, furou concentração. Nada disso aconteceu em 2026 graças a relação que tem sido estabelecida com os atletas e a hombridade e o profissionalismo de todos eles, mesmo nesse cenário todo de dificuldade”, completou o presidente.

Além do débito de três meses da temporada atual, o Avaí carrega pendências acumuladas do ano passado com jogadores do elenco anterior. O passivo inclui o não pagamento do salário de novembro, direitos de imagem, 13º salário e as premiações pelo título do Campeonato Catarinense de 2025.

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